
Zema amplia ataques ao STF e ironiza Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes em novo vídeo de “Os Intocáveis”
Pré-candidato à Presidência usa inteligência artificial para satirizar ministros do Supremo, critica gastos do “Gilmarpalooza” e reacende embate político com Gilmar Mendes
O clima de confronto entre Romeu Zema e integrantes do Supremo Tribunal Federal ganhou mais um capítulo nesta terça-feira (2). O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República publicou um novo episódio da série “Os Intocáveis”, produção divulgada nas redes sociais em que utiliza humor, inteligência artificial e sátiras políticas para atacar ministros do STF.
Desta vez, os principais alvos foram Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. O vídeo ironiza o tradicional Fórum de Lisboa — evento jurídico promovido anualmente por Gilmar Mendes em Portugal e apelidado nos bastidores políticos de “Gilmarpalooza”. O encontro reúne ministros, políticos, empresários, advogados e autoridades brasileiras e estrangeiras para debates sobre democracia, justiça e economia.
Na produção publicada por Zema, versões em forma de fantoche dos ministros aparecem conversando por telefone sobre os supostos luxos do evento. Em tom debochado, o roteiro menciona jatinhos, degustações de uísque, lagostas, hotéis caros e patrocínios milionários ligados ao fórum realizado na capital portuguesa.
Em um dos trechos mais comentados nas redes sociais, o fantoche de Gilmar Mendes afirma:
“Somos um dos eventos jurídicos mais caros do mundo.”
Na sequência, o vídeo cita o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro, insinuando impacto financeiro após a saída de patrocinadores ligados ao evento. A conversa fictícia faz referência a valores milionários gastos em agendas paralelas do fórum, incluindo jantares e recepções de luxo.
O roteiro segue elevando o tom das críticas ao mencionar roupas de grife, relógios de alto valor e viagens pagas com dinheiro público. Em outro trecho, o vídeo ironiza:
“Gravata italiana, R$ 960; Rolex Day-Date em ouro amarelo, R$ 395 mil; viagens pagas pelos três poderes, R$ 1,3 milhão.”
A sátira termina pedindo compartilhamento do conteúdo “para acabar com a farra dos intocáveis”, expressão usada por Zema para se referir a ministros da Suprema Corte.
O episódio rapidamente viralizou e aumentou ainda mais a tensão entre o político mineiro e Gilmar Mendes. O conflito entre os dois já vinha escalando desde março, quando Zema publicou os primeiros vídeos da série criticando decisões do STF e supostas relações entre ministros e empresários.
Na última segunda-feira (1º), o próprio Zema revelou ter sido notificado pela Justiça Federal em uma ação movida por Gilmar Mendes. O ministro acusa o ex-governador de calúnia após declarações envolvendo viagens em jatinhos e contratos relacionados a empresários investigados.
Ao comentar a notificação, Zema afirmou que não pretende recuar nas críticas.
“Se queriam me calar, não vão conseguir”, declarou o pré-candidato nas redes sociais.
O novo vídeo também ocorre em meio ao crescimento do debate político sobre os limites entre liberdade de expressão, críticas às instituições e ataques ao Judiciário. Enquanto apoiadores de Zema afirmam que ele está exercendo direito de crítica política e questionando privilégios, aliados do STF consideram que os vídeos ultrapassam o campo da sátira e alimentam ataques institucionais contra a Corte.
O chamado “Gilmarpalooza” voltou ao centro das discussões após a divulgação de informações sobre gastos públicos com participação de autoridades brasileiras no evento. Segundo dados citados pela própria peça satírica, viagens e despesas envolvendo representantes dos três poderes teriam ultrapassado R$ 1 milhão.
Apesar das críticas, o Fórum de Lisboa segue sendo considerado um dos principais encontros jurídicos e políticos envolvendo autoridades brasileiras fora do país. O evento acontece desde 2012 e costuma reunir ministros do STF, parlamentares, empresários e integrantes do governo federal em debates sobre temas institucionais e econômicos.
Com o avanço das pré-campanhas para 2026, os vídeos de “Os Intocáveis” também mostram uma estratégia clara de Zema para ampliar sua presença digital e fortalecer um discurso de oposição ao Supremo e ao governo federal. O episódio mais recente confirma que o embate entre política e Judiciário deve continuar ocupando espaço central no debate público brasileiro nos próximos meses.