
Gilmar Mendes rebate críticas de Romeu Zema e expõe contradição sobre uso do STF
Ministro afirma que ex-governador recorreu diversas vezes ao Supremo para aliviar dívida de Minas
Gilmar responde Zema e critica discurso contra o STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reagiu nesta quarta-feira (15) às declarações do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que havia feito duras críticas à Corte.
Em publicação nas redes sociais, o magistrado classificou como “irônico” o ataque, lembrando que o próprio Zema recorreu ao STF diversas vezes durante sua gestão para obter decisões que permitiram o adiamento do pagamento da dívida do estado com a União.
STF como “escudo fiscal”, diz ministro
Segundo Gilmar Mendes, documentos do Ministério da Fazenda comprovam que o governo mineiro acionou o Supremo em diferentes momentos para suspender obrigações financeiras bilionárias.
De acordo com o ministro, sem essas decisões judiciais, Minas Gerais poderia ter enfrentado um cenário de desorganização fiscal, com risco direto à manutenção de serviços públicos essenciais.
Ele criticou o que chamou de postura contraditória no discurso político:
“O STF serve como escudo fiscal e contábil, mas é tratado como vilão quando decide conforme a Constituição — e não conforme interesses momentâneos.”
Histórico de ações no Supremo
Dados da Secretaria do Tesouro Nacional indicam que o estado deixou de pagar parcelas da dívida com a União por cerca de 21 meses, graças a decisões obtidas no STF durante a gestão de Zema.
Entre as medidas, estão ações como a ADPF 983, que garantiu a prorrogação da suspensão dos pagamentos, além de novos pedidos que resultaram em extensões adicionais do prazo enquanto o estado negociava sua situação fiscal dentro do Regime de Recuperação Fiscal.
Críticas de Zema elevaram o tom do embate
A resposta de Gilmar veio após declarações recentes de Zema, que endureceu o discurso contra o Judiciário. Em evento público, o ex-governador chegou a afirmar que ministros como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes deveriam ser presos, além de defender impeachment.
Zema também afirmou que o país enfrenta uma “crise moral” e passou a se referir ao STF como um grupo de “intocáveis”, intensificando o clima de confronto entre setores políticos e a Corte.
Embate amplia tensão institucional
O episódio evidencia o aumento das tensões entre lideranças políticas e o Supremo Tribunal Federal. De um lado, críticas crescentes sobre decisões da Corte; de outro, a defesa dos ministros de que o tribunal atua dentro dos limites constitucionais e, muitas vezes, é acionado pelos próprios governantes em momentos de crise.
A troca de acusações reforça um cenário de polarização institucional, em que o STF segue no centro dos principais debates políticos do país.