Gonet nega proximidade com Vorcaro durante julgamento no STF e admite encontro “breve e banal”

Gonet nega proximidade com Vorcaro durante julgamento no STF e admite encontro “breve e banal”

Procurador-geral da República afirmou que teve apenas um encontro com Daniel Vorcaro e uma ligação considerada “brevíssima e banal”; nome de Gonet aparece em elementos extraídos do celular do ex-controlador do Banco Master

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou nesta terça-feira (15) que não manteve relação de proximidade com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A declaração ocorreu durante a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa elementos reunidos pela Polícia Federal envolvendo Vorcaro, o ministro Alexandre de Moraes e outros personagens citados na investigação.

Segundo Gonet, seu contato pessoal com Vorcaro foi restrito. O procurador-geral declarou ter encontrado o empresário apenas uma vez, em 2024, em uma ocasião na qual estavam presentes outras autoridades. Ele classificou o encontro como “breve e banal” e negou qualquer relacionamento de proximidade com o então banqueiro.

A manifestação ocorreu em uma sessão marcada por forte tensão entre integrantes da Corte. O nome de Gonet passou a ser mencionado durante os debates porque elementos encontrados pela PF no aparelho de Vorcaro fazem referências ao procurador-geral e a contatos intermediados por terceiros.

Gonet é citado em mensagens encontradas pela PF

De acordo com informações divulgadas sobre o material apreendido, mensagens atribuídas a interlocutores de Vorcaro mencionam uma tentativa de aproximação com Gonet por meio do advogado Ciro Soares.

Segundo o conteúdo divulgado, Soares teria informado que Vorcaro gostaria de conversar com Gonet e teria enviado uma fotografia em que aparecia ao lado do banqueiro. Há ainda referência a uma conversa entre os dois, descrita nas reportagens como breve. Gonet, durante sua manifestação no STF, não apresentou essa circunstância como evidência de qualquer relação próxima com Vorcaro.

O material também menciona o filho de Gonet em relação a um evento financiado por Vorcaro em Londres. A existência dessas referências, porém, não significa, por si só, que Gonet tenha praticado irregularidade ou cometido crime. A relevância jurídica dessas informações é justamente parte da controvérsia discutida no caso.

Procurador-geral contesta relatório da PF

Além de negar proximidade com Vorcaro, Gonet sustentou que os elementos utilizados no relatório da Polícia Federal não teriam relevância jurídica suficiente para fundamentar determinadas conclusões.

A PGR já havia se manifestado nos autos pela anulação do relatório utilizado pelo ministro André Mendonça para aprofundar a apuração envolvendo Alexandre de Moraes e Vorcaro. A posição da Procuradoria é de que houve problemas na forma como a investigação foi conduzida.

Essa circunstância acrescentou uma camada de complexidade à sessão: Gonet, embora citado no material que está sendo discutido, participou do julgamento e apresentou sua posição institucional sobre a validade da investigação.

O contexto é o caso Banco Master

As declarações de Gonet ocorrem dentro de uma crise mais ampla relacionada ao Banco Master e às informações encontradas pela Polícia Federal no telefone de Daniel Vorcaro.

O material analisado pela PF inclui conversas e referências envolvendo diferentes integrantes ou pessoas próximas a integrantes do STF. No caso de Alexandre de Moraes, o relatório menciona 187 interações com Vorcaro, além de outros elementos que passaram a ser discutidos publicamente.

As informações também alcançaram pessoas relacionadas a outros ministros. Reportagens recentes mencionaram, por exemplo, contatos de Vorcaro com pessoas próximas a Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça. A existência de contatos ou mensagens, contudo, não demonstra automaticamente influência sobre decisões judiciais nem comprova a prática de ilícitos.

Sessão foi marcada por confronto entre ministros

A participação de Gonet aconteceu em uma sessão excepcionalmente tensa do STF.

O julgamento envolveu uma disputa sobre a forma de tramitação dos casos relacionados a Moraes e Mendonça e foi acompanhado por divergências públicas entre ministros. Alexandre de Moraes questionou a atuação de André Mendonça e defendeu que os procedimentos fossem analisados conjuntamente. Mendonça rejeitou as acusações de atuação política.

Em determinado momento, o ambiente ficou ainda mais acalorado, com críticas públicas entre ministros. Flávio Dino posteriormente pediu vista, interrompendo a análise.

A própria discussão sobre Gonet acabou inserida nesse cenário de acusações cruzadas, questionamentos sobre procedimentos e debate sobre os limites da atuação dos diferentes órgãos envolvidos.

O que Gonet efetivamente afirmou

A posição apresentada pelo procurador-geral pode ser resumida em três pontos:

  • Gonet nega ter tido relação de proximidade com Daniel Vorcaro;
  • admite ter encontrado o empresário uma vez, em 2024, classificando o episódio como breve e banal;
  • contesta a utilização jurídica de elementos do relatório da PF e defende a nulidade da investigação conduzida a partir das determinações de André Mendonça.

Essas declarações devem ser diferenciadas das informações constantes do material investigativo. A presença do nome de Gonet em mensagens ou referências encontradas no celular de Vorcaro não estabelece, isoladamente, responsabilidade criminal ou administrativa.

Um julgamento que ultrapassou o caso Moraes

O que inicialmente estava concentrado na relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro acabou envolvendo uma quantidade maior de autoridades e pessoas próximas ao STF.

O caso passou a levantar questões sobre contatos entre empresários investigados, advogados, familiares de magistrados e integrantes das instituições responsáveis pela investigação e pelo julgamento.

A manifestação de Gonet acrescentou mais um elemento ao debate: o procurador-geral afirma que seu contato com Vorcaro foi circunstancial, enquanto documentos extraídos do celular do ex-banqueiro passaram a ser analisados para determinar qual relevância jurídica essas interações realmente possuem.

Por enquanto, é importante separar contato, citação em mensagens e eventual relação institucional de qualquer conclusão sobre crime ou favorecimento. A definição sobre a validade dos elementos e sobre eventuais investigações depende das decisões e dos procedimentos próprios das instituições competentes.

O episódio, entretanto, evidencia a dimensão da crise que envolve o Banco Master e as relações de Vorcaro com diferentes personagens do sistema de Justiça brasileiro.

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