
Governo Trump diz ter identificado PCC e Comando Vermelho em 12 estados dos EUA e acende alerta internacional
Porta-voz americana afirma que facções brasileiras já atuam em território norte-americano; decisão amplia pressão contra o crime organizado transnacional
O governo do presidente Donald Trump voltou a elevar o tom contra organizações criminosas latino-americanas e afirmou ter identificado a atuação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho em pelo menos 12 estados norte-americanos. A declaração foi feita pela porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Amanda Roberson, e aumentou a tensão em torno do avanço internacional das facções brasileiras.
Segundo Roberson, o governo americano considera o PCC e o CV duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil e afirma que as atividades dos grupos já ultrapassaram as fronteiras da América do Sul. Apesar da gravidade da declaração, a representante do governo Trump não revelou quais estados americanos registraram presença das facções, alegando que essas informações fazem parte de investigações conduzidas pelas autoridades de segurança e Justiça dos EUA.
A revelação acontece poucos dias após a administração Trump anunciar a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, medida que endurece o combate financeiro e jurídico contra integrantes e apoiadores das facções.
De acordo com autoridades americanas, a decisão permitirá ampliar sanções, bloqueios financeiros e ações de cooperação internacional para monitorar movimentações ligadas ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outras atividades criminosas atribuídas aos grupos brasileiros.
Amanda Roberson afirmou ainda que o FBI e outras agências federais já acompanham há algum tempo a expansão das facções dentro do território norte-americano. Segundo ela, o governo Trump pretende utilizar “as medidas mais fortes disponíveis” para impedir o crescimento dessas organizações no hemisfério.
A notícia repercutiu fortemente no Brasil e reacendeu discussões sobre o alcance internacional das facções criminosas nascidas dentro do sistema prisional brasileiro. Especialistas em segurança pública apontam que tanto o PCC quanto o CV expandiram operações para países da América Latina nos últimos anos, principalmente em rotas ligadas ao tráfico internacional de drogas.
Nos bastidores políticos, o tema também ganhou contornos diplomáticos. A decisão americana ocorre em meio a aproximações entre aliados conservadores brasileiros e integrantes do governo Trump, especialmente após reuniões envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e representantes da administração republicana nos Estados Unidos.
Enquanto isso, o governo brasileiro demonstrou preocupação com possíveis impactos da classificação das facções como organizações terroristas, principalmente no campo diplomático e jurídico internacional. Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que a medida pode abrir espaço para pressões externas em assuntos ligados à segurança pública brasileira.
A declaração do governo Trump reforça um cenário cada vez mais preocupante para autoridades internacionais: o crime organizado brasileiro deixou de ser apenas um problema nacional e passou a ser tratado como ameaça transnacional, com ramificações que agora chamam atenção até mesmo dentro dos Estados Unidos.