Greta Thunberg critica Flávio Bolsonaro, mas o silêncio sobre Lula também merece questionamento

Greta Thunberg critica Flávio Bolsonaro, mas o silêncio sobre Lula também merece questionamento

Ativista sueca chama eventual vitória de Flávio Bolsonaro de desastre para o planeta, critica a direita e a Meta e tenta influenciar o debate eleitoral brasileiro. Mas quem defende o meio ambiente precisa cobrar todos os governos, inclusive o de Lula.

Greta Thunberg voltou a se pronunciar sobre o Brasil às vésperas do segundo turno presidencial, afirmando que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro seria um “desastre para todo o planeta”. A ativista também acusou a Meta de interferência eleitoral e citou Donald Trump e Benjamin Netanyahu em suas críticas.

A declaração merece contestação. Greta tem liberdade para expressar suas opiniões, mas os brasileiros também têm o direito de rejeitar sermões de celebridades estrangeiras sobre como devem escolher seu presidente.

A pergunta é simples: a preocupação ambiental vale para todos os governos ou apenas para aqueles de que Greta discorda?

A Amazônia não pertence a Lula, ao PT, a Flávio Bolsonaro ou a qualquer grupo político. Se a ativista pretende cobrar o futuro presidente brasileiro, deveria defender uma fiscalização permanente, apresentar cobranças fundamentadas e exigir resultados ambientais independentemente de quem esteja no Palácio do Planalto.

O governo Lula também precisa ser questionado por suas decisões ambientais, inclusive pela contradição apontada por críticos entre o discurso de proteção climática e a defesa da exploração de petróleo na região amazônica. Isso não apaga os resultados de redução do desmatamento registrados durante sua gestão, mas demonstra por que nenhum governo deve ficar imune à fiscalização pública.

Também é legítimo questionar a atuação política de Greta em controvérsias internacionais, inclusive no debate sobre o conflito envolvendo Israel e Hamas. Entretanto, uma crítica responsável precisa considerar suas declarações concretas, sem presumir que ela nunca se manifestou sobre determinado assunto.

Nossa nota de repúdio é contra a seletividade política, a tentativa de constranger o eleitor brasileiro e a transformação da pauta ambiental em instrumento de disputa partidária.

Greta pode defender suas convicções, mas não possui autoridade especial para determinar o futuro político do Brasil. O eleitor brasileiro não precisa de autorização de uma ativista estrangeira para decidir seu voto.

A Amazônia merece mais do que discursos de ocasião: merece fiscalização, transparência, responsabilidade e cobrança de todos os governos. O planeta não tem partido, e a coerência ambiental não pode depender da preferência ideológica de quem faz a denúncia.

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