
Hugo Motta pisa no freio e evita votar anistia em meio ao caos político
Presidente da Câmara avalia que o clima está tenso demais para avançar com proposta que pode beneficiar Bolsonaro e ampliar perdão a investigados
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu colocar o pé no freio e segurar, por enquanto, qualquer avanço na discussão sobre uma anistia ampla — proposta que poderia alcançar o ex-presidente Jair Bolsonaro — ou mesmo sobre o chamado “PL da Dosimetria”, que tenta reduzir penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro.
Segundo líderes partidários que conversaram com Motta nos últimos dias, o deputado tem repetido a mesma avaliação: o momento político está pesado demais e levar o tema ao plenário agora seria “jogar gasolina na fogueira”.
🕊️ Clima tenso e Câmara no modo cautela
A orientação de Motta aos aliados é clara: não é hora de votar nada que possa incendiar ainda mais o ambiente. Com isso, ele quer deixar a pauta adormecida por alguns dias — ou semanas — até que a turbulência diminua.
Enquanto isso, o relator do projeto, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), continua defendendo que a proposta trate exclusivamente da dosimetria das penas, unificando os crimes de tentativa de golpe e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Mas, se o relatório avançar dessa forma, o PL já prepara um destaque para tentar incluir na marra a tal anistia ampla. O partido garante que tem votos suficientes para aprová-la.
Antes da prisão preventiva de Bolsonaro, o assunto já tinha perdido força nos corredores do Congresso. Agora, voltou ao tabuleiro — mas sem consenso.
⚡ Desgaste interno também trava a pauta
Além do clima político instável, há outro ingrediente complicando ainda mais o avanço do tema: uma crise pessoal entre Hugo Motta e o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ).
Os dois não se falam há mais de uma semana, depois de um bate-boca sobre um destaque no projeto de lei antifacção. Sóstenes queria equiparar facções criminosas a organizações terroristas; Motta não gostou da condução e o clima azedou de vez.
Desde então, Sóstenes vem tentando articular demandas da oposição diretamente com Davi Alcolumbre, presidente do Senado, como a rejeição do nome de Jorge Messias para o STF.