
Impedido de visitar o pai no Dia dos Pais, Flávio Bolsonaro escreve carta emocionada a Jair: “Até breve”
Candidato à Presidência afirma sentir saudade da voz, das risadas e do abraço do ex-presidente; em vídeo, senador chora ao relatar que teve pedido de visita negado por Alexandre de Moraes
O Dia dos Pais deste domingo (9) foi marcado por uma mensagem carregada de emoção de Flávio Bolsonaro ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Impedido de visitá-lo por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o senador e candidato à Presidência da República escreveu uma carta à mão e gravou um vídeo em que aparece emocionado e chorando em diferentes momentos.
A mensagem foi divulgada nas redes sociais depois que Flávio tomou conhecimento de que seu pedido, apresentado juntamente com os irmãos Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro, para visitar o pai na data comemorativa havia sido negado.

“Pai, acabei de fazer uma agenda em Itapetininga, São Paulo, quando tomei ciência de que o nosso pedido, meu, do Carluxo e do Renan, havia acabado de ser negado. Por isso, lhe escrevo, pois não poderei te dar um abraço e matar a saudade como gostaria”, afirmou Flávio no início da mensagem.

O senador disse que a impossibilidade de estar pessoalmente com o pai tornou a data ainda mais difícil. Na carta, relatou sentir falta de momentos cotidianos da convivência familiar, citando especificamente a voz, a risada e até as piadas de Jair Bolsonaro.
“Estou com saudade de ouvir sua voz, sua risada, suas piadas sem graça. Mas não tem mal que dure pra sempre. Deus só está nos capacitando pra algo muito amor em nossas vidas. Até breve. Te amo. Fique com Deus”, escreveu.
Decisão de Alexandre de Moraes
A proibição da visita decorre de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, que manteve a restrição temporária às visitas ao ex-presidente. Conforme o despacho citado na reportagem, a determinação permite apenas atendimentos médicos, fisioterapêuticos e encontros com advogados.
A medida foi adotada após o Supremo considerar o descumprimento de medidas cautelares impostas anteriormente a Jair Bolsonaro. Entre os episódios mencionados por Moraes está a divulgação, por Flávio Bolsonaro, de uma carta escrita pelo próprio ex-presidente e posteriormente publicada nas redes sociais.
Com a decisão, Flávio, Carlos e Jair Renan ficaram impedidos de passar o Dia dos Pais ao lado do pai.
Flávio classificou a proibição como “desumana”, “insana”, “injusta” e “triste”.
“Proibir um filho de visitar um pai, ou de dar um abraço nos filhos, no Dia dos Pais, é desumano, é insano, é injusto, é triste”, afirmou.
Saudade e preocupação com o pai
Durante a mensagem, Flávio também relatou a dificuldade de obter informações atualizadas sobre o pai. Segundo ele, acompanha, por intermédio dos advogados, notícias sobre o estado de saúde e o humor de Jair Bolsonaro.
No sábado (8), porém, não teria recebido novas informações porque, segundo relatou, não era dia de visita dos advogados.
Diante da ausência de notícias, disse ter recorrido à oração.
“Então fiz minha oração pedindo a Deus que estivesse bem, como faço várias vezes ao dia”, afirmou.
O relato reforçou o tom pessoal da mensagem, que alternou referências à relação entre pai e filho com comentários sobre a campanha eleitoral de Flávio.
A campanha presidencial no lugar do pai
Flávio Bolsonaro também aproveitou a carta para falar sobre a candidatura à Presidência da República. O senador afirmou que decidiu assumir a disputa eleitoral no lugar do pai por acreditar que a candidatura representa, em sua visão, um projeto de Deus para o país.
“Quando eu recebi o seu manto e aceitei a missão de disputar a Presidência do Brasil no seu lugar, você sabe que só fui porque tenho certeza que é um projeto de Deus para o nosso Brasil, e somos apenas instrumentos usados por Ele para isso”, escreveu.
O candidato afirmou ainda estar otimista com o andamento da campanha. Segundo ele, ao lado do deputado federal licenciado e aliado Marinho, conseguiu construir palanques em quase todos os estados.
Flávio reconheceu que os partidos de centro não aderiram formalmente à sua candidatura, mas afirmou que lideranças dessas legendas estariam apoiando sua campanha.
O senador também mencionou a ausência de uma coligação presidencial e a formação de uma chapa própria pelo Partido Liberal (PL), tendo Alfredo Gaspar, do PL de Alagoas, como candidato a vice-presidente.
A imagem que Flávio diz imaginar
Em um dos momentos mais emocionados da mensagem, Flávio falou sobre a expectativa de vitória eleitoral e projetou uma cena envolvendo o pai.
Segundo o senador, durante seus discursos ele afirma que Jair Bolsonaro será responsável por colocar a faixa presidencial nele em janeiro de 2027.
“Nos meus discursos, quando falo que você vai colocar a faixa de presidente em mim em janeiro de [20]27, o povo vai ao delírio e eu fico mentalizando essa cena na minha cabeça. Vai acontecer, em nome de Jesus”, declarou.
A referência demonstra como a figura de Jair Bolsonaro permanece no centro da estratégia política e do discurso eleitoral de Flávio, que se apresenta como sucessor político do pai na disputa presidencial.
“Cada pessoa que encontro pede para levar um abraço”
Flávio também afirmou que tem recebido manifestações de apoio ao ex-presidente durante suas viagens de campanha.
Segundo ele, pessoas encontradas em locais como ruas, elevadores, hotéis, restaurantes e aeroportos pedem que ele transmita um abraço a Jair Bolsonaro.
“Cada pessoa que encontro na rua, no elevador, no hotel, no restaurante, no aeroporto, em qualquer recanto do nosso Brasil, pede para eu levar o seu abraço”, escreveu.
O senador utilizou esse relato para reforçar a imagem de que a candidatura mantém vínculo direto com a base política construída pelo pai.
Carta termina com declaração de amor
No encerramento, Flávio voltou ao tom familiar e pediu que Jair Bolsonaro permanecesse firme diante da situação.
O senador afirmou acreditar que o pai deixará a condição atual e voltará a ser recebido pelo país.
“Pai, fique firme. Já já você sai daí e o Brasil vai te receber de braços abertos, da forma que você merece, como um herói. Até breve. Te amo. Fique com Deus. Deus te abençoe”, concluiu.
A carta foi escrita à mão e acompanhada de um vídeo publicado nas redes sociais. Nas imagens, Flávio aparece lendo o texto e demonstrando forte emoção, com lágrimas em diversos momentos.
Assim, o Dia dos Pais, que normalmente seria marcado pelo encontro entre pai e filhos, acabou sendo transformado por Flávio Bolsonaro em uma homenagem à distância. Sem poder visitar Jair Bolsonaro, o senador recorreu à carta, à oração e às redes sociais para expressar a saudade e reafirmar tanto o vínculo familiar quanto sua intenção de levar adiante o projeto político associado ao pai.