Incêndio destrói prédio da UFPE e ameaça pesquisas; Polícia Federal investiga causas

Incêndio destrói prédio da UFPE e ameaça pesquisas; Polícia Federal investiga causas

Terceiro incêndio em pouco mais de uma semana destruiu laboratórios e pode ter provocado prejuízo de cerca de R$ 100 milhões; estudantes relatam ameaças antes do fogo, mas ligação entre os fatos ainda não foi comprovada.

Um incêndio de grandes proporções atingiu, na noite de quarta-feira (7), o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (DINE) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife. O imóvel abrigava laboratórios de fármacos, genética, informática e pesquisas científicas. Não houve vítimas.

Segundo o reitor Alfredo Gomes, os prejuízos podem chegar a R$ 100 milhões, considerando equipamentos, insumos e materiais científicos. Pesquisas desenvolvidas durante anos foram atingidas, incluindo trabalhos de estudantes de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Há relatos de perda de dados acumulados por até duas décadas.

O caso ganhou uma dimensão ainda mais delicada porque estudantes relataram ter recebido ameaças antes do incêndio. Segundo denúncia divulgada pelo deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE), mensagens teriam feito referência a ataques contra setores da universidade e mencionado a possibilidade de “explodir” um departamento em nome de Flávio Bolsonaro. Até o momento, entretanto, não há confirmação oficial de autoria dessas mensagens nem prova de que elas tenham relação com o incêndio.

A Polícia Federal instaurou investigação e enviou peritos ao local. A principal questão agora é determinar se o fogo teve origem acidental, elétrica, operacional ou criminosa. Todas as hipóteses permanecem abertas.

O episódio também chama atenção por ser o terceiro incêndio registrado na UFPE em pouco mais de uma semana. Em 30 de setembro, um laboratório do Departamento de Física foi atingido. No dia 4 de outubro, outro incêndio ocorreu no Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal. Nos casos anteriores, também não houve vítimas.

Diante da sequência de ocorrências e das denúncias de ameaças, autoridades passaram a cobrar uma apuração rigorosa. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, colocou o Estado à disposição da investigação. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, também manifestou solidariedade à comunidade acadêmica e ofereceu apoio do MEC.

O prédio atingido reunia pesquisas consideradas estratégicas, inclusive estudos relacionados a câncer, obesidade, Covid-19, TDAH e autismo. A destruição, portanto, não representa apenas uma perda patrimonial, mas também um duro golpe para pesquisadores e estudantes que trabalhavam há anos nesses projetos.

A UFPE deverá agora contabilizar oficialmente as perdas e reorganizar as atividades dos pesquisadores afetados. Enquanto isso, o prédio permanece isolado para perícia.

O ponto central é que não se pode transformar suspeita em conclusão: as ameaças precisam ser investigadas, assim como a causa do incêndio. Somente a perícia e a investigação policial poderão esclarecer se houve coincidência, negligência, acidente ou uma eventual ação criminosa.

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