
Investigação liga vereador do PT ao PCC e revela ameaça de morte após suposto desvio de dinheiro da facção
Operação contra lavagem de dinheiro coloca Senival Moura no centro de investigação; defesa nega irregularidades enquanto autoridades apontam esquema milionário envolvendo transporte público
Uma operação de grande porte do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil colocou o vereador Senival Moura no centro de uma investigação que apura um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo informações divulgadas pelas autoridades, o parlamentar teria sido alvo da própria facção criminosa após suspeitas de desvio de recursos pertencentes ao grupo. De acordo com os investigadores, o vereador chegou a ser jurado de morte, mas teria escapado da execução depois de devolver os valores que teriam sido desviados. A defesa do político rejeita todas as acusações e afirma que ele não possui qualquer ligação com organizações criminosas.
Polícia afirma que vereador foi “perdoado” após ressarcimento
Durante entrevista coletiva, o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), Ronaldo Sayeg, afirmou que as investigações indicam que integrantes do PCC decidiram não executar o vereador após um suposto ressarcimento financeiro.
Segundo ele, o parlamentar teria sido “perdoado” pela facção depois da devolução dos recursos. As autoridades, entretanto, não divulgaram qual teria sido o valor envolvido na negociação.
A informação integra uma investigação que busca esclarecer como organizações criminosas teriam utilizado empresas de transporte coletivo para movimentar recursos ilícitos e ocultar patrimônio.
Operação bloqueia quase R$ 200 milhões em bens
A ofensiva das autoridades mobilizou dezenas de equipes e resultou no cumprimento de mais de uma centena de mandados de busca e apreensão em cidades de São Paulo, região metropolitana e Minas Gerais.
Além das prisões, a Justiça autorizou o bloqueio de aproximadamente R$ 194 milhões em bens e ativos financeiros dos investigados. Veículos, imóveis e embarcações também foram apreendidos durante a operação.
Empresa de ônibus é apontada como peça central do esquema
As investigações apontam que a empresa Transunião teria sido utilizada para movimentar recursos ligados ao PCC.
Conforme o inquérito, integrantes da organização criminosa exerciam influência sobre decisões administrativas da concessionária e utilizariam sua estrutura para ocultar movimentações financeiras ilegais.
Na época dos fatos investigados, Senival Moura exercia influência sobre temas relacionados ao transporte público municipal, presidindo a Comissão de Trânsito e Transporte da Câmara Municipal de São Paulo, circunstância que passou a ser analisada pelos investigadores.
Assassinato em 2020 deu origem às investigações
A apuração começou após o assassinato de Adauto Soares Jorge, morto a tiros em uma padaria na zona leste da capital paulista em 2020.
Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, o crime abriu caminho para descobrir uma estrutura financeira que, supostamente, beneficiava integrantes do PCC por meio da empresa de transporte.
Os investigadores afirmam que, diferentemente do vereador, Adauto não teria conseguido escapar da punição imposta pela facção criminosa.
Defesa nega qualquer envolvimento
Os advogados de Senival Moura divulgaram nota afirmando que receberam a prisão com indignação e sustentam que o vereador jamais participou de atividades criminosas.
A defesa afirma que irá demonstrar, ao longo do processo, a inexistência de qualquer vínculo entre o parlamentar e o PCC, ressaltando que as acusações ainda estão sendo investigadas e não representam uma condenação judicial.
Caso amplia pressão sobre combate ao crime organizado
A operação reacende o debate sobre a infiltração do crime organizado em setores estratégicos da administração pública e em serviços essenciais, como o transporte coletivo.
Caso as acusações sejam confirmadas pela Justiça, o episódio poderá representar um dos mais graves casos recentes de suposta influência do PCC sobre estruturas públicas e empresariais. Por outro lado, o processo ainda está em fase de investigação, e os fatos deverão ser analisados pelo Judiciário, assegurando aos investigados o direito ao contraditório e à ampla defesa.