Irã ataca bases militares dos EUA no Oriente Médio após Donald Trump anunciar fim do cessar-fogo

Irã ataca bases militares dos EUA no Oriente Médio após Donald Trump anunciar fim do cessar-fogo

Retaliação iraniana atinge instalações militares americanas em países do Golfo, enquanto Teerã volta a anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz; tensão reacende temor de escalada do conflito e de impactos no mercado global de petróleo.

A guerra entre Estados Unidos e Irã voltou a se intensificar após o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar o fim do cessar-fogo firmado entre os dois países. A decisão foi seguida por uma ampla ofensiva militar dos Estados Unidos contra alvos iranianos e desencadeou uma rápida resposta de Teerã, elevando novamente o risco de uma expansão do conflito em todo o Oriente Médio.

Segundo informações divulgadas pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos e repercutidas por veículos internacionais, as forças norte-americanas realizaram cerca de 140 ataques contra instalações militares iranianas durante a noite de sábado (11), concentrando a ofensiva principalmente no sul do Irã. Os bombardeios atingiram bases militares, depósitos logísticos e estruturas consideradas estratégicas pelas Forças Armadas iranianas.

Em resposta, o governo iraniano lançou uma série de ataques contra bases militares utilizadas pelos Estados Unidos em países aliados da região do Golfo Pérsico. De acordo com a agência estatal iraniana ISNA, foram atingidas bases aéreas localizadas na Jordânia e no Catar, além de uma base naval em Omã. A ofensiva também incluiu ataques com drones contra instalações militares no Kuwait e no Bahrein, países que abrigam importantes estruturas militares norte-americanas.

As autoridades iranianas classificaram a operação como uma resposta direta ao rompimento unilateral do cessar-fogo pelos Estados Unidos. Para Teerã, Washington descumpriu os compromissos assumidos anteriormente e retomou os ataques sem qualquer negociação diplomática.

Irã anuncia novo fechamento do Estreito de Ormuz

Além da ofensiva militar, a Guarda Revolucionária Islâmica anunciou novamente o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta para o comércio internacional de energia.

Segundo o comunicado iraniano, a passagem permanecerá bloqueada até que os Estados Unidos interrompam completamente as operações militares contra o território iraniano.

O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Mar da Arábia e é responsável pelo transporte de aproximadamente 20% do petróleo comercializado mundialmente, além de grande parte do gás natural liquefeito exportado pelos países do Golfo. Qualquer interrupção na navegação pela região costuma provocar forte volatilidade nos mercados internacionais e pressão sobre os preços da energia.

Parlamento iraniano acusa EUA de romper acordo

Também neste domingo (12), o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Ghalibaf, utilizou as redes sociais para justificar a reação militar do país.

Em mensagem publicada na plataforma X, ele afirmou que o Irã apenas respondeu ao descumprimento dos compromissos assumidos pelos Estados Unidos.

“A era dos acordos unilaterais acabou. Nós avisamos: cumpram sua palavra ou paguem o preço”, escreveu.

A publicação foi acompanhada por uma imagem reproduzindo parte do memorando firmado entre os dois países, no qual o Irã se comprometia a garantir a passagem segura de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz durante um período de 60 dias, sem cobrança de taxas.

Segundo autoridades iranianas, esse compromisso perdeu validade após a retomada das ofensivas militares norte-americanas.

Estados Unidos contestam fechamento

Horas depois, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos divulgou comunicado afirmando que o Estreito de Ormuz permanece aberto à navegação internacional.

O governo norte-americano sustenta que a principal rota marítima utilizada pelos navios mercantes atravessa águas internacionais e que nenhuma nação possui autoridade para impedir sua utilização.

Washington também reiterou que continuará protegendo embarcações comerciais e interesses estratégicos na região, mantendo elevada presença militar no Golfo.

Escalada aumenta preocupação internacional

A nova troca de ataques amplia a instabilidade no Oriente Médio e reacende preocupações da comunidade internacional sobre uma possível expansão do conflito envolvendo outros países da região.

Além dos riscos militares, especialistas alertam para possíveis impactos econômicos globais caso o bloqueio do Estreito de Ormuz seja efetivamente mantido, uma vez que a hidrovia é considerada essencial para o abastecimento internacional de petróleo e gás natural.

Enquanto Estados Unidos e Irã mantêm posições opostas sobre o cumprimento do cessar-fogo, governos de diferentes países acompanham a evolução da crise e reforçam apelos por uma solução diplomática que evite uma escalada ainda maior da violência na região.

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