Janja embarca para Itália com despesas pagas pelo governo e volta a gerar críticas por gastos no exterior

Janja embarca para Itália com despesas pagas pelo governo e volta a gerar críticas por gastos no exterior

Primeira-dama soma dezenas de viagens internacionais no atual mandato de Lula e oposição questiona uso da estrutura pública sem ocupar cargo oficial

A nova viagem internacional da primeira-dama Rosângela da Silva voltou a provocar forte repercussão política em Brasília. Designada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para representar o governo brasileiro na Semana da Nutrição 2026, em Roma, Janja viajará com todas as despesas custeadas pelo Governo Federal — incluindo passagens, hospedagem, diárias e deslocamentos oficiais.

O evento internacional, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura em parceria com a UN Nutrition, reúne autoridades e especialistas para debater segurança alimentar e combate à fome.

Apesar da justificativa oficial, a viagem reacendeu críticas sobre o papel institucional exercido pela primeira-dama, que não ocupa cargo público eleito nem função formal na administração federal, mas vem ampliando sua participação em agendas nacionais e internacionais desde o início do terceiro mandato de Lula.

Janja já soma quase 200 dias fora do Brasil

Com a ida à Itália, Janja alcança a marca de 38 viagens internacionais no atual governo, acumulando cerca de 181 dias fora do país, segundo levantamentos divulgados pela imprensa.

Os números chamaram atenção principalmente porque, proporcionalmente, a primeira-dama já passou mais tempo em viagens internacionais do que o próprio presidente da República em determinados períodos do mandato.

Críticos do governo afirmam que o crescimento das agendas internacionais da esposa de Lula transformou o cargo informal de primeira-dama em uma estrutura paralela dentro do Palácio do Planalto, sustentada com recursos públicos e apoio institucional.

Decreto ampliou atuação da primeira-dama

A atuação oficial de Janja em eventos internacionais passou a ganhar respaldo formal após mudanças promovidas pelo governo federal na estrutura administrativa da Presidência.

Um decreto presidencial ampliou as atribuições do Gabinete Pessoal da Presidência para prestar suporte direto às atividades da primeira-dama, permitindo maior participação em compromissos diplomáticos e agendas oficiais.

A decisão gerou críticas entre parlamentares da oposição, que questionam os limites da atuação institucional de alguém sem mandato eletivo ou nomeação ministerial.

Para opositores, o governo estaria criando uma espécie de “cargo informal de representação internacional”, financiado com dinheiro público, sem passar pelo crivo do Congresso Nacional.

Viagens e gastos aumentam desgaste político

Nos bastidores de Brasília, aliados da oposição avaliam que o tema pode ganhar força nas redes sociais e entre setores mais críticos ao governo Lula, especialmente diante do aumento de gastos públicos e do discurso de austeridade frequentemente defendido pelo Planalto.

Parlamentares conservadores têm usado as viagens de Janja como argumento para cobrar mais transparência sobre custos, equipes de apoio, logística e utilização da máquina pública.

Além das despesas da viagem atual, opositores também questionam a frequência das agendas internacionais da primeira-dama e o impacto político da exposição constante em eventos no exterior.

Governo defende atuação de Janja em pautas sociais

Por outro lado, integrantes do governo afirmam que Janja exerce papel estratégico em pautas sociais, culturais e humanitárias ligadas à imagem internacional do Brasil.

Segundo aliados do presidente, a participação dela em fóruns internacionais fortalece discussões sobre combate à fome, inclusão social e direitos humanos — temas que Lula tenta recolocar como prioridade da política externa brasileira.

Mesmo assim, o debate sobre gastos públicos e o espaço político ocupado pela primeira-dama segue alimentando embates entre governo e oposição em meio ao ambiente de polarização que domina Brasília.

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