Janja entra na pressão política contra as bets: primeira-dama confunde representação institucional com militância governista?

Janja entra na pressão política contra as bets: primeira-dama confunde representação institucional com militância governista?

Após Lula convocar mobilização contra as plataformas de apostas, Janja comparece ao STF acompanhada de Paula Lavigne. A presença da primeira-dama levanta questionamentos sobre os limites de sua atuação política, sua condição de integrante do governo e a utilização de recursos públicos em agendas que deveriam ser conduzidas pelos ministérios competentes.

A primeira-dama Janja Lula da Silva voltou a protagonizar uma movimentação política ao comparecer ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (3), para acompanhar a audiência sobre a proibição das bets, depois de Lula convocar seus aliados a pressionarem a sociedade e o debate público. Acompanhada de Paula Lavigne, Janja participou de uma articulação que, embora apresentada como manifestação da sociedade civil, está diretamente alinhada à posição política do próprio governo. Metrópoles+1

A pergunta é inevitável: Janja está ali como representante de quem? Da sociedade civil ou de um governo do qual faz parte e cuja posição está diretamente envolvida na discussão? Não é razoável apresentar como manifestação espontânea da população uma mobilização protagonizada pela esposa do presidente, justamente depois de uma convocação pública feita pelo próprio Lula.

O Brasil tem problemas demais para transformar a primeira-dama em personagem recorrente de articulações políticas e agendas públicas. Enquanto milhões de brasileiros enfrentam dificuldades econômicas, esperam respostas para problemas concretos e cobram eficiência administrativa, a impressão transmitida é a de que sempre existe tempo para viagens, compromissos, aparições e protagonismo político. E quando entram em discussão deslocamentos e despesas custeadas com dinheiro público, a transparência precisa ser ainda maior. Cartão corporativo não é patrimônio particular, muito menos autorização para transformar compromissos políticos em despesas sem prestação de contas.

Se a intenção é combater os prejuízos provocados pelas apostas, existem ministérios, órgãos técnicos, especialistas e estruturas governamentais com competência para apresentar estudos, políticas públicas e soluções efetivas. Não há necessidade de transformar Janja em protagonista de uma mobilização que o próprio presidente já assumiu como bandeira política.

A proteção das famílias brasileiras merece seriedade, não espetáculo político. O país precisa de governo trabalhando, resultados e responsabilidade com o dinheiro público, não de uma primeira-dama permanentemente ocupando o espaço de protagonista de agendas que deveriam ser tratadas pelas instituições competentes. Notícias STF+1

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