Lula convoca o povo contra as bets que seu próprio governo regulamentou: a hipocrisia política em mais um capítulo

Lula convoca o povo contra as bets que seu próprio governo regulamentou: a hipocrisia política em mais um capítulo

Presidente pede mobilização popular contra as apostas online durante audiência no STF, critica empresas que lucram com o setor e diz que conta com a população. Mas a contradição é inevitável: foi durante seu próprio governo que as bets foram regulamentadas e receberam autorização para operar no Brasil. Agora, Lula tenta se apresentar como defensor das famílias diante de um problema que seu governo ajudou a institucionalizar.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) resolveu convocar a população para pressionar o debate sobre as bets no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (3). Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou que a sociedade civil precisa acompanhar a audiência pública conduzida pelo ministro Luiz Fux e declarou: “A sociedade civil não pode permitir a continuidade das bets. Por isso, eu conto com vocês”.

Lula também acusou empresas de lucrar com o sofrimento dos mais pobres e afirmou que a situação começou a melhorar depois do fechamento das plataformas. Entretanto, existe uma contradição difícil de ignorar: a regulamentação das apostas aconteceu durante seu próprio governo, por meio da Lei nº 14.790/2023, sancionada em dezembro de 2023. Seu governo participou da construção das regras que permitiram a exploração legal dessa atividade. Correio Braziliense+1

Agora, diante das consequências sociais e econômicas do mercado, Lula parece querer vestir o figurino de adversário das bets, convocando justamente o povo para combater um setor que seu próprio governo ajudou a regulamentar. A pergunta é simples: onde estava toda essa preocupação quando a regulamentação foi construída e as empresas passaram a operar dentro das regras estabelecidas pelo Estado?

O presidente pediu que a população ocupe o debate, pressione e defenda a proibição. Chegou a dividir os participantes entre aqueles que lucram com o sofrimento do povo e os que defendem as famílias brasileiras. Mas governar não é apenas gravar vídeos, convocar militantes e transferir para a população a responsabilidade de pressionar instituições. Governar também significa antecipar problemas, fiscalizar atividades econômicas e assumir as consequências das próprias decisões.

A audiência convocada por Luiz Fux discute a Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu as apostas de quota fixa e passou a ser questionada no STF. A Associação Nacional de Jogos e Loterias apresentou a ADI 8.027, contestando a constitucionalidade da proibição. Outras ações também discutem a medida. O encontro tem caráter informativo e não representa uma votação definitiva sobre o futuro das plataformas. Correio Braziliense+1

Lula pode defender a proibição, mas não pode apagar a própria participação na história. Primeiro, seu governo regulamenta; depois, diante das críticas e dos prejuízos apontados, convoca o povo para combater aquilo que ajudou a colocar de pé.

É muita conveniência política: quando o mercado funciona, a regulamentação é apresentada como solução; quando os problemas aparecem, a culpa passa a ser das empresas e a população é convocada para salvar o país. O brasileiro merece menos discurso, menos encenação e muito mais responsabilidade de quem governa.

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