
Janones admite ter apagado cerca de 500 mensagens do “Exército do Lula”; exclusões levantam questionamentos sobre transparência na campanha eleitoral
Deputado André Janones afirma que apagava publicações após seguidores cumprirem tarefas de compartilhamento; caso chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em meio a acusações da campanha de Flávio Bolsonaro sobre possível desinformação e à disputa sobre a atuação de canais políticos no WhatsApp.
O deputado federal André Janones (Rede-MG) confirmou ter apagado cerca de 500 mensagens do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração, feita em 13 de outubro de 2026, intensificou o debate sobre transparência, circulação de conteúdo político e preservação de registros durante a campanha presidencial.
“Então eu apaguei 500. Não vou mais fazer”, afirmou Janones durante um evento de anúncio de medidas voltadas a empreendedores. Segundo o parlamentar, as mensagens eram excluídas depois que os integrantes do canal cumpriam as orientações de compartilhamento. Ele declarou que decidiu interromper essa prática para evitar novos questionamentos.
A confirmação veio após a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial, divulgar um levantamento segundo o qual 499 conteúdos teriam sido removidos do canal. Para a equipe do senador, a exclusão das publicações dificultaria a verificação de mensagens que considera potencialmente falsas ou ofensivas.
O episódio levanta uma questão central: como verificar a regularidade da comunicação política quando parte do histórico de publicações deixa de estar disponível para análise?
O que Janones disse sobre as mensagens apagadas
Janones justificou as exclusões afirmando que costumava publicar orientações para que os integrantes do canal compartilhassem determinados conteúdos em seus contatos e em outras redes sociais. Depois que a tarefa era cumprida, a mensagem original era apagada.
O deputado sustentou que a prática fazia parte da dinâmica de funcionamento do canal. Uma das mensagens reproduzidas no levantamento da campanha de Flávio indicava que ele avisava aos participantes que apagaria publicações após o cumprimento das chamadas “missões”.
A explicação, porém, não encerra a controvérsia. Mesmo que a exclusão tivesse como objetivo organizar o canal, a retirada de centenas de mensagens dificulta a reconstrução integral de seu histórico, especialmente quando surgem denúncias sobre o conteúdo divulgado durante uma eleição.
É importante fazer uma distinção: admitir que apagou mensagens não equivale, por si só, a confessar a divulgação de notícias falsas ou a prática de um crime. A natureza das publicações e a eventual existência de irregularidades precisam ser verificadas individualmente, com base em evidências.
Campanha de Flávio Bolsonaro questiona as exclusões
A equipe de Flávio Bolsonaro apresentou à Justiça Eleitoral questionamentos sobre o funcionamento do “Exército do Lula”. O levantamento divulgado pela campanha identificou 499 conteúdos que, segundo seus representantes, teriam sido apagados por Janones.
Entre os exemplos apontados estavam mensagens que atribuíam supostos crimes ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça e afirmações de que Flávio, caso eleito, reduziria aposentadorias ou acabaria com benefícios sociais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Essas alegações devem ser tratadas como acusações da campanha adversária, e não como irregularidades definitivamente comprovadas. Para estabelecer se uma mensagem é falsa, é necessário examinar seu conteúdo, o contexto em que foi publicada e os elementos que sustentam ou contradizem a afirmação.
A campanha de Flávio argumentou que a remoção das mensagens poderia explicar por que parte dos conteúdos questionados não foi localizada durante a análise técnica do tribunal.
O que encontrou a área técnica do TSE
Em informação divulgada em 12 de outubro, a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral informou que não identificou, entre as publicações examinadas no canal no período de 2 a 11 de outubro, as notícias falsas indicadas no pedido de suspensão.
O relatório, entretanto, registrou que a exclusão e a edição de mensagens dificultavam a reconstituição do histórico das publicações.
Esse detalhe é fundamental para compreender o caso. A área técnica não encontrar as mensagens denunciadas no material examinado não significa necessariamente que tenha comprovado a inexistência de qualquer irregularidade anterior. Ao mesmo tempo, a dificuldade de reconstruir o histórico tampouco comprova que as mensagens apagadas eram falsas.
A conclusão exige cuidado para evitar duas interpretações precipitadas: considerar as acusações comprovadas apenas porque houve exclusões ou afirmar que todas as suspeitas foram definitivamente descartadas porque o material não foi encontrado na análise.
Suspensão do canal e disputa dentro da Justiça Eleitoral
O “Exército do Lula”, que reúne milhões de seguidores, tornou-se objeto de deci