
Justiça de São Paulo revoga tornozeleira eletrônica de Karen Tanaka, investigada por suposta lavagem de dinheiro ligada ao PCC
Decisão substitui monitoramento eletrônico e recolhimento noturno por novas medidas cautelares; investigada continuará proibida de deixar o estado sem autorização judicial e deverá permanecer à disposição da Justiça enquanto as investigações prosseguem.
A Justiça de São Paulo revogou as medidas cautelares que obrigavam Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como “Japa”, a utilizar tornozeleira eletrônica e cumprir recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga. Investigada por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro e associação criminosa relacionado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), Karen continuará submetida a outras restrições determinadas pelo Judiciário.
A decisão foi proferida pela juíza Paula Regina Schempf Cattan, da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores, que acolheu parcialmente um pedido apresentado pela defesa da investigada.
Medidas cautelares foram substituídas
Com a nova decisão, Karen deixa de utilizar monitoramento eletrônico e não precisará mais cumprir recolhimento domiciliar durante a noite e nos dias de folga.
Em contrapartida, a magistrada determinou que permaneçam em vigor outras medidas cautelares consideradas suficientes para garantir o andamento da investigação.
Entre elas estão:
- proibição de deixar o estado de São Paulo sem autorização judicial;
- entrega do passaporte à Justiça;
- comparecimento mensal em juízo para informar e justificar suas atividades.
A retirada definitiva da tornozeleira eletrônica ficou condicionada ao cumprimento da determinação relacionada ao passaporte. A defesa informou, contudo, que o documento já havia sido apreendido anteriormente pela Polícia Civil durante as investigações.
Juíza aponta desproporcionalidade
Na fundamentação da decisão, a juíza afirmou que a manutenção do monitoramento eletrônico e do recolhimento domiciliar por tempo indeterminado poderia transformar medidas cautelares em uma forma de antecipação de pena.
Segundo a magistrada, não seria razoável manter restrições tão severas enquanto diligências investigativas permanecem pendentes há longo período.
A decisão também destaca que Karen possui residência fixa, sempre compareceu quando solicitada pelas autoridades, não descumpriu as medidas anteriormente impostas e não apresentou comportamento que indicasse tentativa de fuga.
Além disso, a juíza observou que o recolhimento domiciliar restringe significativamente a vida social, profissional e familiar da investigada, razão pela qual entendeu ser possível substituí-lo por medidas menos gravosas.
Polícia deverá atualizar andamento das investigações
No mesmo despacho, a magistrada determinou que a Polícia Civil apresente, no prazo de 30 dias, informações atualizadas sobre o andamento das diligências.
Entre os pontos cobrados está a conclusão da perícia realizada no telefone celular apreendido com Karen, considerada uma das principais provas ainda pendentes no inquérito.
Defesa afirma que investigada sempre colaborou
Ao solicitar a revogação das medidas, os advogados sustentaram que Karen permaneceu durante todo o processo à disposição da Justiça e jamais descumpriu qualquer determinação judicial.
Segundo a defesa, a utilização prolongada da tornozeleira eletrônica vinha causando constrangimentos e representava uma forma de punição antecipada, especialmente porque, até o momento, o Ministério Público ainda não apresentou denúncia formal contra a investigada.
Os advogados também argumentaram que novas investigações foram instauradas após o encerramento do primeiro inquérito, prolongando por tempo excessivo a aplicação das medidas cautelares.
Em manifestações públicas, a defesa reafirmou a inocência de Karen e declarou que pretende demonstrar, caso haja oferecimento de denúncia, a origem lícita dos recursos financeiros investigados.
Prisão ocorreu durante operação policial
Karen de Moura Tanaka Mori foi presa em fevereiro de 2024 durante uma operação da Polícia Civil de São Paulo.
Na ocasião, os agentes apreenderam mais de R$ 1 milhão em dinheiro em espécie, aproximadamente US$ 50 mil, um veículo de luxo e diversos documentos considerados relevantes para as investigações.
Inicialmente, a Justiça decretou sua prisão preventiva. Posteriormente, a medida foi convertida em prisão domiciliar em razão da existência de filho menor de idade e, mais tarde, substituída por medidas cautelares diversas da prisão.
Investigação apura suposta lavagem de dinheiro
Segundo a Polícia Civil, as investigações tiveram início em junho de 2023 e apontam Karen como uma das pessoas responsáveis por movimentar recursos supostamente provenientes do tráfico de drogas por meio de empresas utilizadas para ocultar a origem dos valores.
As autoridades afirmam que um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações superiores a R$ 35 milhões em empresa vinculada à investigada.
De acordo com a linha investigativa, os recursos teriam sido direcionados para empresas do setor de beleza, empreendimentos imobiliários e outras atividades econômicas, supostamente com o objetivo de dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.
Essas acusações ainda são objeto de investigação e não houve condenação definitiva sobre os fatos.
Relação com integrante do PCC
Karen é viúva de Wagner Ferreira da Silva, conhecido como “Cabelo Duro”, apontado pelas autoridades como um dos principais integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele morreu em 2018 e era investigado por diversos crimes relacionados à atuação da facção criminosa.
A Polícia Civil também informou que, antes desse relacionamento, Karen teria mantido vínculo afetivo com outro integrante da organização criminosa conhecido como “Juan”, morto em 2011. Em oportunidades anteriores, a defesa afirmou desconhecer qualquer envolvimento de seus antigos companheiros com atividades criminosas.
Ligação investigada com empresários do setor de cosméticos
Outro desdobramento das investigações envolve a análise de relações comerciais mantidas por Karen entre 2017 e 2022 com empresários do setor de cosméticos.
A Polícia Civil apura se operações empresariais realizadas nesse período tiveram alguma relação com o suposto esquema de lavagem de dinheiro investigado. Os fatos ainda estão sob apuração e não há decisão judicial definitiva sobre eventual responsabilidade dos envolvidos.
Investigações continuam
O inquérito permanece em andamento, e a Polícia Civil prossegue com a coleta de provas e a realização de diligências para esclarecer a origem dos recursos financeiros investigados e identificar eventuais participantes do suposto esquema.
Enquanto isso, Karen continuará respondendo ao processo em liberdade, sujeita às medidas cautelares estabelecidas pela Justiça, até que haja manifestação do Ministério Público e eventual julgamento do caso.