Kassab afirma que Centrão está com Lula e prevê queda de Flávio Bolsonaro durante campanha

Kassab afirma que Centrão está com Lula e prevê queda de Flávio Bolsonaro durante campanha

Presidente do PSD e candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado diz que partidos do Centrão não estão neutros na eleição; dirigente também aposta que Flávio perderá força quando a disputa eleitoral ganhar intensidade

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta quinta-feira (13) que os partidos identificados com o Centrão não estariam neutros na eleição presidencial de 2026 e avaliou que a maioria tende a se aproximar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita durante um encontro com empresários em Higienópolis, na região central de São Paulo.

Kassab, que integra como candidato a vice-presidente a chapa encabeçada pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), também foi enfático ao comentar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). Para ele, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não teria condições de vencer a eleição.

“Não tem a menor chance”, afirmou Kassab.

A avaliação faz parte da estratégia política de uma campanha que tenta se apresentar como alternativa tanto ao atual governo quanto ao campo bolsonarista.

Kassab aposta em mudança de cenário com o início da campanha

Na avaliação do dirigente do PSD, Flávio Bolsonaro estaria atualmente protegido por sua posição política e pelo ambiente de polarização que antecede o período mais intenso da disputa.

Kassab acredita, porém, que esse cenário poderá mudar quando os candidatos passarem a ocupar de maneira mais intensa o horário eleitoral e começarem a apresentar seus adversários ao eleitor.

“Na hora em que o jogo começar, em que o PT mostrar quem é o Flávio, as pessoas no entorno dele, ele vai desabar”, afirmou.

A declaração expõe uma das linhas de ataque que devem marcar a campanha: a tentativa de desconstruir a imagem dos adversários antes que eles consolidem espaço junto ao eleitorado.

No caso de Flávio, a estratégia tende a explorar sua ligação política e familiar com Jair Bolsonaro, além de questionamentos e controvérsias que envolvem o grupo político do ex-presidente.

Kassab, entretanto, apresentou sua avaliação como uma previsão eleitoral, e não como resultado de uma pesquisa específica.

Centrão é alvo da disputa

Outro ponto central da fala de Kassab foi o comportamento dos partidos do chamado Centrão.

O presidente do PSD rejeitou a ideia de que essas siglas estejam simplesmente aguardando o desenrolar da eleição para escolher um lado. Na visão dele, a decisão de partidos de não apresentar candidaturas próprias favorece Lula e, ao mesmo tempo, abre espaço para outras candidaturas.

A política brasileira tradicionalmente reserva ao Centrão um papel decisivo na formação de alianças eleitorais. São partidos que podem reunir grandes bancadas no Congresso, estruturas regionais, tempo de propaganda e forte presença política nos estados.

Por isso, o posicionamento dessas legendas pode ter impacto significativo sobre a disputa presidencial.

Para Kassab, a ausência de candidaturas próprias de algumas dessas forças também acabou beneficiando Ronaldo Caiado.

Mais tempo de televisão para Caiado

O dirigente do PSD destacou ainda o crescimento do espaço de Caiado no horário eleitoral gratuito.

Segundo Kassab, o candidato inicialmente teria aproximadamente 50 segundos de propaganda. Com a reorganização das alianças, esse tempo teria aumentado para cerca de dois minutos e 20 segundos.

“É uma eternidade, quase uma novela no horário gratuito”, brincou Kassab.

A diferença pode ser relevante para uma candidatura que precisa ampliar seu conhecimento nacional.

O horário eleitoral permite que Caiado apresente sua trajetória, propostas e experiência administrativa diretamente aos eleitores, além de responder aos ataques de adversários.

A aposta da campanha é transformar o maior tempo de exposição em votos.

Caiado tenta ocupar espaço entre os polos da disputa

Ao lado de Kassab, Ronaldo Caiado aproveitou o encontro para reforçar sua própria candidatura.

O governador de Goiás destacou sua experiência na vida pública e os resultados de sua administração no estado. Também procurou apresentar-se como uma alternativa ao confronto político entre Lula e o bolsonarismo.

Caiado afirmou que pretende conduzir o país em direção à pacificação.

“Vou governar para pacificar o Brasil”, declarou.

A frase resume uma das principais tentativas de posicionamento de sua campanha: ocupar o espaço do eleitor que deseja uma alternativa à polarização entre PT e Bolsonaro.

Ao mesmo tempo, o governador fez críticas tanto a Lula quanto a Flávio Bolsonaro, procurando manter distância dos dois principais polos que aparecem no debate eleitoral.

Encontro reuniu empresários e aliados

O evento em Higienópolis foi organizado pelo ex-prefeito de São Paulo Andrea Matarazzo e reuniu mais de 200 empresários e aliados ligados aos setores de agropecuária, indústria e mineração.

A presença desse público também tem significado político.

Além de buscar apoio eleitoral, campanhas presidenciais precisam construir pontes com setores econômicos capazes de influenciar debates sobre emprego, investimentos, infraestrutura, produção e política fiscal.

Nesse ambiente, Caiado procurou reforçar sua experiência administrativa, enquanto Kassab trabalhou a tese de que a candidatura do PSD possui espaço para crescer à medida que a campanha avance.

A estratégia por trás das declarações

A fala de Kassab precisa ser compreendida dentro do contexto da própria disputa eleitoral.

Como presidente do PSD e candidato a vice de Caiado, ele tem interesse direto em demonstrar que a candidatura do partido possui condições de crescer.

Ao dizer que o Centrão está com Lula, Kassab também tenta reduzir a percepção de que Flávio Bolsonaro poderia reunir uma ampla coalizão partidária em torno de sua candidatura.

Ao mesmo tempo, ao destacar o aumento do tempo de televisão de Caiado, o dirigente apresenta uma vantagem concreta para sua própria chapa.

Existe, portanto, uma combinação de três movimentos políticos: desidratar a candidatura de Flávio, mostrar Lula como principal beneficiário da movimentação do Centrão e apresentar Caiado como alternativa competitiva.

A campanha, porém, ainda está em fase de formação, e alianças políticas podem mudar conforme as negociações avancem.

O que está em jogo

A disputa presidencial de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos justamente pela movimentação dos partidos que tradicionalmente desempenham papel decisivo na composição das alianças.

Lula busca consolidar a posição de liderança do campo governista. Flávio Bolsonaro tenta transformar a força política do sobrenome Bolsonaro em uma candidatura nacional. E nomes como Caiado procuram construir uma terceira via capaz de escapar da polarização.

Nesse cenário, tempo de televisão, alianças partidárias, palanques estaduais e capacidade de financiamento eleitoral tornam-se elementos importantes.

A previsão de Kassab de que Flávio “vai desabar” ainda é uma avaliação política do dirigente e precisará ser confrontada com a evolução das pesquisas e, principalmente, com o comportamento do eleitorado durante a campanha.

O ponto central, neste momento, é que a disputa começa a sair do terreno das pré-candidaturas e entrar numa fase em que alianças, exposição pública e ataques entre adversários poderão alterar rapidamente a correlação de forças.

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