Lula abre espaço para irmãos Batista em jantar secreto no Amazonas e volta a ser alvo de críticas

Lula abre espaço para irmãos Batista em jantar secreto no Amazonas e volta a ser alvo de críticas


Presença de Joesley Batista, empresário preso na Lava Jato, em evento com celulares proibidos reforça questionamentos sobre a relação do governo petista com velhos aliados envolvidos em escândalos de corrupção

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou uma agenda oficial no Amazonas em mais um episódio cercado de polêmica política. Durante um jantar reservado realizado em Manaus, a presença dos irmãos Joesley e Wesley Batista acabou roubando a cena e reacendeu críticas sobre a aproximação do governo federal com empresários envolvidos nos maiores escândalos de corrupção da história recente do Brasil.

O encontro aconteceu no tradicional Rio Negro Clube e reuniu cerca de 400 convidados entre prefeitos, parlamentares, empresários e aliados políticos do Palácio do Planalto. Mas um detalhe chamou atenção logo no início da noite: os celulares dos participantes foram recolhidos, aumentando ainda mais o clima de sigilo em torno da reunião.

A presença de Joesley Batista causou desconforto até mesmo entre setores políticos aliados. O empresário ficou nacionalmente conhecido após as delações da Operação Lava Jato, que revelaram esquemas milionários de corrupção, repasses ilegais e negociações obscuras envolvendo políticos e empresários. Em 2017, Joesley chegou a ser preso pela Polícia Federal durante as investigações que abalaram Brasília e atingiram diretamente figuras centrais da política nacional.

O reencontro público entre Lula e os irmãos Batista acaba fortalecendo críticas antigas contra o PT e contra o próprio presidente. Para opositores, a cena representa uma espécie de “velha política reciclada”, onde personagens envolvidos em escândalos bilionários voltam a circular livremente nos ambientes mais próximos do poder.

Nos bastidores do jantar, prefeitos amazonenses aproveitaram a presença dos empresários para discutir questões ligadas à Âmbar Energia, empresa ligada ao grupo J&F, que ampliou influência no setor energético do Amazonas após assumir operações antes relacionadas à Amazonas Energia. As dívidas dos municípios e os altos custos da energia elétrica também entraram nas conversas.

Enquanto Lula tentava fortalecer alianças políticas no Norte do país com promessas de investimentos e obras de infraestrutura, a repercussão do jantar tomou outro rumo nas redes sociais e nos bastidores de Brasília. Críticos apontaram contradição no discurso de renovação política do governo ao manter proximidade com empresários que estiveram no centro das investigações da Lava Jato.

Outro ponto que voltou ao debate foi a suspensão das multas bilionárias aplicadas à J&F no acordo de leniência firmado durante as investigações anticorrupção. A decisão judicial gerou forte reação de setores que defendem o endurecimento contra crimes de corrupção e enxergam um enfraquecimento dos mecanismos criados após a Lava Jato.

No fim das contas, o jantar que deveria simbolizar articulação política e fortalecimento regional acabou se transformando em combustível para novas críticas ao governo Lula. Entre pratos típicos da Amazônia, discursos políticos e encontros discretos, o evento deixou a sensação de que antigos protagonistas dos escândalos nacionais continuam encontrando portas abertas nos corredores do poder em Brasília.

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