
Lula afirma que “não vai ter tarifaço” dos EUA, mas governo se prepara para possível aumento de taxas
Presidente demonstra confiança em acordo com Washington, enquanto integrantes da equipe econômica e diplomática admitem cenário de novas tarifas sobre produtos brasileiros; decisão final dos Estados Unidos deve ser anunciada nesta quarta-feira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (13) que não acredita na aplicação de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Questionado sobre a possibilidade de um aumento das taxas anunciadas pelo governo norte-americano, o presidente respondeu de forma direta: “Não vai ter tarifaço”.
A declaração foi dada durante a saída de um evento em São José dos Campos, no interior de São Paulo, onde Lula participou do lançamento de uma turbina movida a etanol. A fala ocorre em meio a uma semana decisiva para as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, com a expectativa de uma definição da Casa Branca sobre novas cobranças que podem atingir exportações brasileiras.
Decisão de Trump deve sair nesta quarta-feira
O governo norte-americano deve anunciar até quarta-feira (15) se entrará em vigor uma nova rodada de tarifas sobre produtos brasileiros. As medidas em análise incluem taxas de 25% e 12,5%, que poderiam afetar setores importantes da economia nacional.
Apesar do tom otimista adotado por Lula, integrantes do governo brasileiro trabalham com um cenário mais cauteloso e consideram possível que Washington confirme as novas tarifas.
A equipe econômica e diplomática aguarda a decisão oficial para avaliar quais medidas poderão ser tomadas, incluindo possíveis respostas comerciais e negociações políticas.
Governo tenta última negociação antes do anúncio
O Brasil espera ainda ser chamado para uma última reunião virtual com representantes dos Estados Unidos antes do prazo final.
A expectativa é que o encontro possa abrir espaço para um entendimento ou, ao menos, apresentar uma sinalização antecipada sobre a decisão que será anunciada pela administração norte-americana.
As conversas envolvem representantes brasileiros e o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, em uma tentativa de evitar impactos maiores sobre o comércio entre os dois países.
Divergências nas negociações aumentam preocupação
O clima de incerteza aumentou após declarações recentes do representante do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, que afirmou que Brasil e Estados Unidos ainda estariam distantes de um acordo.
A avaliação americana indica que as negociações não chegaram a um ponto considerado satisfatório para Washington, aumentando a possibilidade de adoção das medidas tarifárias.
Mesmo assim, negociadores brasileiros trabalham com a hipótese de que uma eventual decisão possa incluir uma ampliação da lista de produtos isentos das tarifas mais altas.
Possíveis impactos para exportações brasileiras
Caso as novas taxas sejam confirmadas, setores brasileiros que dependem do mercado norte-americano podem enfrentar dificuldades com aumento de custos e perda de competitividade.
Os Estados Unidos estão entre os principais parceiros comerciais do Brasil, especialmente na compra de produtos industriais, agrícolas e matérias-primas.
O governo brasileiro avalia que uma negociação com exceções e ajustes poderia reduzir os efeitos econômicos da medida.
Lula aposta no diálogo com os Estados Unidos
Ao negar a possibilidade de um “tarifaço”, Lula reforçou a estratégia de buscar uma solução diplomática para o impasse.
O presidente brasileiro tem defendido que o diálogo deve prevalecer nas relações internacionais e afirmou em outras ocasiões que medidas protecionistas podem prejudicar não apenas os países envolvidos, mas também consumidores e empresas.
Agora, o governo aguarda a decisão de Washington para definir os próximos passos. Enquanto Lula mantém o discurso de confiança em um acordo, setores do próprio governo reconhecem que a confirmação das tarifas continua sendo uma possibilidade concreta.