Lula critica burocracia de bancos durante evento do MTST e cobra agilidade na liberação de crédito

Lula critica burocracia de bancos durante evento do MTST e cobra agilidade na liberação de crédito

Presidente afirma que entraves dificultam acesso de entregadores, motoristas por aplicativo e famílias a programas de financiamento do governo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar, neste sábado (8), a burocracia enfrentada por trabalhadores para acessar linhas de crédito anunciadas pelo governo federal. A declaração ocorreu durante evento em Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo, que marcou os 30 anos de fundação do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST).

Durante o discurso, Lula direcionou parte das críticas às dificuldades encontradas por trabalhadores para obter financiamento por meio de programas governamentais. Segundo o presidente, medidas anunciadas pelo governo acabam encontrando obstáculos quando chegam à etapa de execução, principalmente em razão das exigências feitas pelas instituições financeiras.

Um dos exemplos citados foi o programa Move Brasil, iniciativa destinada a facilitar o financiamento de motocicletas para entregadores e veículos para motoristas que trabalham por aplicativos, além de contemplar bicicletas e outras modalidades de financiamento.

“Nós resolvemos liberar dinheiro para financiar motos para os entregadores de comida desse país. Resolvemos liberar dinheiro para financiar bicicletas, para liberar a compra de carro para Uber e de táxi. Uma coisa maravilhosa, uma festa, todo mundo ficou muito feliz. Aí quando a gente começa a colocar em prática, as coisas não andam”, afirmou Lula.

Na sequência, o presidente reclamou das exigências feitas pelos bancos aos trabalhadores interessados nos financiamentos.

“O cara chega no banco, ele fala, explica, aí exige, exige uma coisa de não ser das contas”, declarou.

Críticas também atingem financiamento habitacional

Lula também abordou as dificuldades para a contratação de financiamentos destinados à construção ou aquisição de moradias. Segundo o presidente, problemas relacionados à documentação dos terrenos e exigências burocráticas podem impedir que famílias tenham acesso aos recursos, mesmo quando possuem condições de pagar o financiamento.

“Esse plano está com dificuldade de rodar, porque tem muitos problemas para o cara pegar o dinheiro emprestado. Tem muita exigência. Às vezes o cara tem terreno que não está legalizado, a prefeitura não fez a documentação. Ele tem como pagar, mas não consegue, porque tem uma burocracia que não deixa”, afirmou.

A declaração ocorreu em um evento ligado a um dos principais movimentos sociais de luta por moradia do país. O MTST completou 30 anos de atuação e reuniu integrantes do movimento, lideranças políticas e representantes ligados ao governo federal.

Lula estava acompanhado de Janja e Boulos

Durante a agenda em Taboão da Serra, Lula esteve acompanhado da primeira-dama, Janja da Silva, e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSol).

Boulos tem uma relação histórica com o MTST e foi coordenador nacional do movimento antes de ingressar de forma mais direta na política institucional. Sua presença no evento reforçou a ligação entre a organização e o grupo político que atualmente integra o governo federal.

Também participaram da agenda o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, e as candidatas ao Senado pela chapa, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede).

Haddad é uma das principais figuras do governo Lula na condução da política econômica durante o atual mandato. Já Simone Tebet comandou o Ministério do Planejamento e Orçamento. Marina Silva, por sua vez, esteve à frente do Ministério do Meio Ambiente.

Em outro momento do evento, Lula também aproveitou o palanque para elogiar Haddad e Tebet e defender medidas econômicas adotadas durante sua gestão.

Agenda de Lula ganha peso eleitoral em São Paulo

A participação no evento do MTST integra uma sequência de compromissos de Lula em São Paulo, estado considerado estratégico para a disputa eleitoral de 2026.

Na sexta-feira (7), o presidente esteve na sede do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos. A programação no estado deve se intensificar durante a campanha eleitoral.

O PT programou para o domingo (16) o lançamento oficial da candidatura de Lula à reeleição. O ato será realizado no Estádio Municipal 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

O local possui significado político para o presidente. O estádio, situado na Vila Euclides, foi palco de grandes mobilizações de trabalhadores durante as greves do ABC no fim da década de 1970 e início dos anos 1980, período que marcou a trajetória sindical de Lula e sua entrada na política nacional.

Ao falar sobre o evento, Lula fez um convite aos participantes do MTST para que compareçam ao ato.

“Vou assumir somente no dia 16 o lançamento da minha candidatura e eu queria convidar vocês. Um domingo de manhã, no estádio da Vila Euclides, onde tudo começou, nos anos 80”, afirmou.

O discurso em Taboão da Serra, portanto, combinou críticas à burocracia na execução de programas de crédito e habitação, defesa das políticas econômicas do governo e mobilização política para a campanha eleitoral em São Paulo.

A presença de Boulos, Haddad, Tebet e Marina Silva também deu ao encontro um caráter político-eleitoral, reunindo nomes que terão papel relevante na disputa paulista e na campanha de Lula à Presidência.

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