João Paulo Cunha retorna à disputa eleitoral com patrimônio 750% maior; Jean Wyllys declara redução de 80%

João Paulo Cunha retorna à disputa eleitoral com patrimônio 750% maior; Jean Wyllys declara redução de 80%

Ex-deputados do PT voltam às urnas em 2026 com trajetórias patrimoniais distintas; Netinho de Paula informa R$ 50,7 mil em bens, valor inferior a 20 minutos do cachê de R$ 160 mil

A corrida eleitoral de 2026 marca o retorno de nomes conhecidos da política e da vida pública brasileira às urnas. Entre eles estão o ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha, o ex-deputado federal Jean Wyllys e o cantor e ex-vereador Netinho de Paula. As declarações de patrimônio apresentadas à Justiça Eleitoral revelam trajetórias bastante diferentes ao longo dos últimos anos.

No caso de João Paulo Cunha, a declaração apresentada para a eleição de 2026 aponta patrimônio de aproximadamente R$ 3,2 milhões, valor que representa crescimento superior a sete vezes em relação ao montante informado por ele em 2012. Naquele ano, quando disputou a Prefeitura de Osasco, Cunha declarou possuir R$ 375 mil em bens.

O aumento nominal equivale a cerca de 750% no período. A comparação, porém, ocorre em um intervalo de 14 anos e precisa considerar também a inflação acumulada, que, segundo os dados apresentados na reportagem, chegou a aproximadamente 240% no período.

João Paulo Cunha volta após 14 anos fora das eleições

Aos 68 anos, João Paulo Cunha retorna à disputa eleitoral como candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

Figura histórica da legenda, Cunha exerceu cinco mandatos como deputado federal e chegou à Presidência da Câmara dos Deputados. Sua última participação em uma eleição ocorreu em 2012, quando concorreu à Prefeitura de Osasco, na Grande São Paulo.

Em 2013, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou João Paulo Cunha no processo do mensalão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A condenação ocorreu no julgamento da Ação Penal 470.

Na declaração apresentada à Justiça Eleitoral em 2012, Cunha informou patrimônio de R$ 375 mil. Entre os bens estavam uma casa em Osasco avaliada em R$ 183 mil, um automóvel Chevrolet Celta, modelo 2004/2005, e um lote também localizado no município paulista.

Na declaração mais recente, o ex-deputado continua registrando um automóvel de valor relativamente baixo: um Volkswagen Up, avaliado em R$ 53 mil. A principal diferença está no imóvel declarado em Brasília, uma casa avaliada em R$ 3,1 milhões.

Somados os bens mencionados, o patrimônio informado chega a aproximadamente R$ 3,2 milhões.

Jean Wyllys declara queda expressiva no patrimônio

Outro nome que retorna ao cenário eleitoral é Jean Wyllys. Ex-deputado federal pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), ele agora concorre pelo PT em São Paulo.

Wyllys foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro e exerceu mandato na Câmara dos Deputados até 2019, quando anunciou sua renúncia e deixou o país. Depois de ficar fora das eleições de 2022, decidiu voltar à disputa eleitoral em 2026.

Sua declaração patrimonial apresenta cenário oposto ao de João Paulo Cunha.

Em 2022, Wyllys havia declarado aproximadamente R$ 1,2 milhão em bens. O patrimônio incluía dois apartamentos e uma casa. Segundo a reportagem, esses mesmos imóveis já apareciam em declarações anteriores, inclusive na apresentada em 2018.

Na declaração mais recente, entretanto, o ex-deputado informou apenas dois imóveis: um apartamento em Salvador, na Bahia, avaliado em R$ 100 mil, e uma casa em Alagoinhas, também na Bahia, declarada por R$ 150 mil.

O patrimônio declarado, portanto, caiu para R$ 250 mil, uma redução nominal de aproximadamente 80% em relação aos R$ 1,2 milhão informados anteriormente.

Netinho de Paula declara R$ 50,7 mil

O terceiro caso destacado é o do cantor Netinho de Paula, que também está de volta à política eleitoral.

Conhecido nacionalmente pela carreira musical, Netinho foi vereador de São Paulo pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) entre 2009 e 2016. Em 2010, disputou uma vaga no Senado Federal e ficou próximo de conquistar a eleição.

Naquele ano, declarou patrimônio de R$ 192 mil.

Em 2016, quando voltou a concorrer a um cargo eletivo, desta vez para vereador pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), informou patrimônio de apenas R$ 23 mil.

Agora, em seu retorno à política, pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Netinho declarou R$ 50,7 mil em bens.

A declaração é composta por R$ 50 mil em dinheiro, R$ 756 mantidos em conta bancária e uma participação de apenas R$ 1 em uma empresa do setor de eventos.

O valor chama atenção quando comparado ao cachê informado para apresentações do cantor. Segundo a reportagem, Netinho recebe R$ 160 mil por show. Dessa forma, o cachê de uma única apresentação corresponde a mais de três vezes o patrimônio declarado à Justiça Eleitoral.

Investigação envolvendo Netinho

O patrimônio declarado por Netinho também é apresentado pela reportagem em meio a informações sobre uma investigação da Polícia Federal.

Segundo apuração mencionada pelo Metrópoles, uma investigação da PF apontou que o cantor mantinha “bastante proximidade” com Ademir Pereira de Andrade, apontado pelas autoridades como operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores facções criminosas do país.

A investigação também teria identificado empréstimos entre Netinho e Andrade.

A existência dessas informações, contudo, não significa, por si só, que o cantor tenha sido condenado por participação em organização criminosa. As acusações e suspeitas devem ser diferenciadas de eventual responsabilização judicial definitiva.

Três retornos e patrimônios em direções opostas

As declarações patrimoniais de João Paulo Cunha, Jean Wyllys e Netinho de Paula mostram três situações distintas entre figuras públicas que decidiram retornar à disputa eleitoral.

João Paulo Cunha aparece com crescimento expressivo do patrimônio nominal desde sua última eleição, passando de R$ 375 mil, em 2012, para aproximadamente R$ 3,2 milhões em 2026.

Jean Wyllys apresenta movimento inverso: os cerca de R$ 1,2 milhão declarados anteriormente foram reduzidos para R$ 250 mil na declaração atual.

Já Netinho de Paula informou R$ 50,7 mil em bens, apesar de a reportagem apontar um cachê de R$ 160 mil por apresentação.

As declarações de bens fazem parte da documentação apresentada pelos candidatos à Justiça Eleitoral e têm como objetivo dar transparência ao patrimônio dos concorrentes. Os valores declarados são aqueles informados pelos próprios candidatos e não representam, necessariamente, uma avaliação independente ou atualizada de mercado dos bens.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags