
Lula usa ato do MTST em Taboão da Serra para defender governo e exaltar Haddad e Tebet
Presidente participou da celebração dos 30 anos do movimento, criticou adversários, defendeu a política econômica de seu governo e convocou militância para o lançamento oficial da campanha à reeleição
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou o ato de comemoração dos 30 anos do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), realizado neste sábado (8), em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, para transformar o evento em uma demonstração de força política e defesa de seu governo.
Diante de integrantes do movimento, Lula exaltou medidas econômicas adotadas durante seu mandato, defendeu a Reforma Tributária e dedicou parte significativa de seu discurso a elogios ao ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) e à ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB), ambos envolvidos na disputa eleitoral em São Paulo.
Haddad é candidato ao governo paulista, enquanto Tebet disputa uma vaga ao Senado. Os dois, embora tenham sido citados diversas vezes pelo presidente, não estavam no palco durante o evento.
Lula também esteve acompanhado da primeira-dama Janja da Silva, do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSol), que foi coordenador do MTST, e da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede), candidata ao Senado na chapa liderada por Haddad.
Lula atribui a Haddad medidas econômicas
Durante o discurso, Lula procurou associar resultados econômicos de seu governo ao trabalho realizado por Haddad quando esteve à frente do Ministério da Fazenda.
O presidente citou especialmente a medida de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil.
“Foi do Haddad um projeto que a gente conseguiu isentar de pagamento do imposto de renda das pessoas que ganham até 5 mil reais”, afirmou.
Na sequência, Lula fez uma avaliação positiva da inflação brasileira.
“ A gente pode dizer hoje, em qualquer lugar do mundo, que a gente tem a menor inflação acumulada em quatro anos na história do Brasil”, declarou.
A fala ocorreu em meio à estratégia eleitoral do presidente de apresentar os resultados econômicos de seu mandato como um dos principais argumentos para buscar um novo período no Palácio do Planalto.
Elogios a Simone Tebet
Lula também reservou espaço para Simone Tebet.
A ex-ministra do Planejamento construiu sua trajetória política em Mato Grosso do Sul, estado pelo qual foi senadora durante oito anos, mas decidiu disputar uma vaga em São Paulo.
O presidente classificou a mudança como uma demonstração de coragem e utilizou a candidatura de Tebet para reforçar a presença feminina na política.
“Nossa companheira Simone Tebet deu uma demonstração de coragem imensa migrando para São Paulo, numa disposição de que as mulheres vieram para assumir o seu lugar e não vão pedir licença”, afirmou Lula.
Tebet, portanto, aparece na estratégia eleitoral do grupo como uma das candidatas que devem disputar espaço no Senado pelo estado de São Paulo.
Boulos volta a dividir palanque com Lula
A presença de Guilherme Boulos também deu ao evento um forte caráter político.
Atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Boulos tem uma longa relação com o MTST e foi uma das principais lideranças do movimento antes de ingressar na estrutura do governo federal.
A proximidade entre Boulos e Lula ficou evidente nos últimos anos, especialmente em agendas relacionadas a habitação popular e movimentos sociais.
Em outubro de 2025, os dois estiveram juntos em uma visita a uma Cozinha Solidária do MTST.
A participação de Boulos no ato de Taboão da Serra reforçou a ligação entre o governo federal, o movimento de trabalhadores sem-teto e a pauta de habitação popular.
Minha Casa, Minha Vida é uma das prioridades
O evento também ocorre em um momento no qual o governo pretende apresentar novos projetos relacionados ao Minha Casa, Minha Vida.
O programa habitacional é uma das principais políticas sociais associadas aos governos do PT e ocupa posição estratégica na relação de Lula com movimentos de moradia.
A participação do presidente em um evento organizado pelo MTST permite ao governo aproximar sua agenda eleitoral das pautas defendidas pelos movimentos populares, especialmente moradia, emprego, renda e redução das desigualdades.
Lula defende Reforma Tributária
Outro ponto destacado pelo presidente foi a Reforma Tributária, aprovada durante seu governo.
A medida passou a ser apresentada por Lula como uma das principais realizações econômicas de seu mandato.
O tema, porém, está no centro da disputa política. O senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na eleição presidencial de outubro, tem feito críticas à reforma.
Na sexta-feira (7), durante um almoço com empresários em São Caetano do Sul, no ABC paulista, Flávio atacou a política tributária defendida pelo governo.
Um dia depois, Lula voltou a defender a reforma diante de integrantes do MTST, colocando o tema novamente no debate eleitoral.
São Paulo ganha importância na campanha
A presença de Lula em Taboão da Serra faz parte de uma sequência de agendas do presidente em São Paulo, estado considerado estratégico para a disputa eleitoral.
Na sexta-feira (7), Lula esteve na sede do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos.
A programação deve se intensificar nas próximas semanas.
No domingo, 16 de agosto, o PT realizará em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, o ato que marcará oficialmente o lançamento da campanha de reeleição de Lula.
O local escolhido possui forte significado na trajetória política do presidente: o Estádio Municipal 1º de Maio, na Vila Euclides, foi palco de grandes mobilizações de trabalhadores no fim dos anos 1970 e início dos anos 1980, período que marcou a ascensão política de Lula como liderança sindical.
Convocação para o lançamento da candidatura
No encerramento do discurso no MTST, Lula fez questão de convocar os participantes para o evento em São Bernardo do Campo.
“Vou assumir somente no dia 16 o lançamento da minha candidatura e eu queria convidar vocês. Um domingo de manhã, no estádio da Vila Euclides, onde tudo começou, nos anos 80. Até domingo, se Deus quiser”, afirmou.
A fala reforça a intenção do PT de utilizar a memória política de Lula e sua relação histórica com o movimento sindical como parte da identidade da campanha.
Janja e Marina Silva também participaram
Além de Lula e Boulos, o evento contou com a presença da primeira-dama Janja da Silva e de Marina Silva.
Marina, ex-ministra do Meio Ambiente, também integra a chapa eleitoral liderada por Haddad em São Paulo e concorre ao Senado.
A composição do palanque reuniu, assim, representantes de diferentes setores da base política de Lula: movimentos de moradia, governo federal, PT, PSol e Rede.
A presença de nomes ligados às candidaturas de São Paulo também deu ao evento uma dimensão eleitoral, embora o encontro tenha sido oficialmente organizado para celebrar os 30 anos de fundação do MTST.
MTST e a trajetória com o PT
Fundado há três décadas, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto tornou-se uma das principais organizações de mobilização por moradia popular no país.
O movimento ganhou projeção nacional ao organizar ocupações urbanas e pressionar governos pela ampliação de políticas habitacionais.
Boulos foi uma das principais lideranças da organização antes de ingressar na política institucional. Sua aproximação com Lula se intensificou durante a eleição presidencial de 2022 e, posteriormente, com sua entrada na estrutura do governo federal.
A participação de Lula na celebração dos 30 anos do MTST simboliza a proximidade entre o governo petista e o movimento, especialmente em torno da política habitacional.
Evento combina governo e campanha
Embora apresentado como uma celebração do aniversário do MTST, o ato serviu também para Lula reforçar as principais mensagens que pretende levar para a campanha eleitoral.
O presidente defendeu a economia de seu governo, exaltou Haddad e Tebet, promoveu a Reforma Tributária, destacou políticas sociais e reforçou a agenda de habitação.
Ao mesmo tempo, a presença de aliados que disputarão eleições em São Paulo e a convocação para o lançamento oficial de sua candidatura em São Bernardo do Campo evidenciaram o peso político da agenda.
A campanha de Lula entra, assim, em uma fase de maior mobilização no estado de São Paulo, enquanto o presidente busca apresentar seu governo como responsável por avanços econômicos e sociais e reunir sua base política em torno da tentativa de conquistar um novo mandato.