
Lula critica PEC que protege políticos sem cargo e garante viagens internacionais
“Não é coisa séria”, dispara presidente sobre medida que concede foro privilegiado a presidentes de partidos, enquanto o povo continua à mercê da burocracia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não economizou críticas à polêmica PEC da Blindagem, aprovada na Câmara na última terça-feira (16/9). A medida, que aumenta a proteção de parlamentares contra processos criminais e estende foro privilegiado a presidentes de partidos — mesmo àqueles sem cargo público — virou alvo da indignação do presidente.
Durante evento no Palácio do Planalto, Lula afirmou estar “muito chateado” com a aprovação e classificou a proposta como algo que “não é uma coisa séria”. Em entrevista à BBC de Londres, reforçou seu ponto:
“A votação no Congresso garantindo imunidade dessa forma, até para presidente de partido que não exerce função pública, não é coisa séria. O que precisa ser sério é garantir prerrogativa de vida para o povo brasileiro.”
O presidente não poupou ironia ao comentar a aparente prioridade de certos políticos em se blindarem legalmente e, de quebra, manterem as mordomias internacionais, enquanto milhões enfrentam a dureza da rotina e a burocracia.
Ao ser questionado sobre dissidentes do PT que votaram a favor da blindagem, Lula ressaltou:
“Não sou presidente do meu partido, sou presidente da República.”
As declarações foram feitas durante anúncio de investimentos federais em contenção de encostas e drenagens. Antes do evento, o presidente também comentou sobre o PL da Anistia, lembrando que a decisão cabe ao Congresso: “Anistia é com o Congresso Nacional.”
Entre críticas e ironias, Lula deixa claro: enquanto políticos ganham privilégios como foro especial e viagens internacionais, a prioridade deveria ser a vida e os direitos do cidadão comum.