
Nikolas agradece Janja por chamá-lo de “piá de bosta” e diz que ataque ajudou a ampliar sua voz
Deputado federal reeleito com mais de 3,1 milhões de votos afirmou que a declaração da primeira-dama foi a “cereja do bolo” e deu um “empurrãozinho” em sua campanha.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reagiu com ironia ao ataque feito pela primeira-dama Janja Lula da Silva durante a campanha eleitoral. Em entrevista à GloboNews na quarta-feira (7), Nikolas afirmou que o episódio em que foi chamado de “piá de bosta” acabou contribuindo para ampliar sua exposição pública.
“A Janja ter me chamado de piá de bosta foi a cereja do bolo”, afirmou o parlamentar, acrescentando que agradecia publicamente à primeira-dama pelos ataques. Segundo Nikolas, quando um presidente ou uma primeira-dama entra em confronto direto com um deputado, acaba ajudando a dar ainda mais visibilidade ao parlamentar.
O ataque de Janja
A declaração de Janja ocorreu durante um ato de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Salvador, em 29 de setembro. Na ocasião, a primeira-dama utilizou a expressão “piá de bosta” ao se referir a Nikolas, depois de o deputado criticar uma declaração de Lula relacionada a exames preventivos contra o câncer de próstata.
Dias depois, Janja voltou a atacar o parlamentar durante um evento em Belo Horizonte, chamando-o novamente de “piá de bosta” e de mentiroso.
A resposta de Nikolas
Nikolas transformou a ofensa em argumento político. Segundo ele, a exposição provocada pelo confronto ajudou a fazer sua mensagem chegar a um público ainda maior.
O deputado afirmou que o ataque representou apenas um “empurrãozinho” diante de um resultado que, segundo sua própria avaliação, foi principalmente consequência de seu trabalho político.
O resultado eleitoral deu força à argumentação: Nikolas Ferreira foi reeleito com 3.119.318 votos em Minas Gerais, correspondentes a 24,7% dos votos válidos no estado, mais que o dobro da votação que havia recebido em 2022. Ele terminou como o deputado federal mais votado do país.
Respeito como resposta
Durante a entrevista, Nikolas também afirmou que não utilizaria contra Janja o mesmo tipo de linguagem empregada contra ele. Ao mencionar uma suposta ofensa atribuída a Luiz Inácio Lula da Silva Filho, o parlamentar disse que jamais se referiria à primeira-dama daquela maneira porque aprendeu com a mãe a respeitar as mulheres. A declaração foi apresentada pelo próprio deputado como uma diferença de postura diante dos ataques.
O mérito de Nikolas Ferreira
Independentemente da avaliação política sobre o episódio, há um dado objetivo que não pode ser ignorado: Nikolas conseguiu converter uma controvérsia eleitoral em enorme visibilidade e terminou a eleição com mais de três milhões de votos.
O próprio deputado atribuiu o resultado principalmente ao trabalho realizado ao longo do mandato, considerando os ataques de Janja apenas um fator adicional de exposição. “Ela só deu um empurrãozinho”, resumiu.
A ironia da situação está justamente aí: aquilo que foi utilizado como ataque pessoal acabou, na leitura de Nikolas, funcionando como combustível para ampliar sua presença pública. O episódio também mostra como confrontos entre figuras políticas e integrantes do governo podem rapidamente ultrapassar o campo da disputa pessoal e ganhar dimensão eleitoral.
Uma eleição marcada pela polarização
O caso de Nikolas, Janja e Lula se tornou mais um capítulo da forte polarização da campanha de 2026. Antes mesmo da votação, Nikolas respondeu aos ataques dizendo que “nunca subestime um piá”. Depois da apuração, voltou ao assunto justamente para destacar sua expressiva votação.
No fim, o episódio produziu um efeito político curioso: a expressão usada para diminuir o deputado passou a ser utilizada por ele próprio como símbolo de uma resposta eleitoral.
E, para Nikolas Ferreira, o recado foi direto: mais do que a ofensa, foram os votos que deram a dimensão de sua força política em Minas Gerais.