Lula reage à carta de Flávio Bolsonaro aos EUA e acusa família de agir contra os interesses do Brasil

Lula reage à carta de Flávio Bolsonaro aos EUA e acusa família de agir contra os interesses do Brasil

Presidente afirma que ofício enviado pelo senador ao governo norte-americano representa “entreguismo” e classifica pedido de adiamento do tarifaço como atitude de “traidores da Pátria”; governo tenta negociar suspensão das tarifas antes de 15 de julho.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta quinta-feira (2), após a divulgação de um ofício enviado pelo parlamentar ao governo dos Estados Unidos tratando da possível aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros. Em manifestação publicada nas redes sociais, Lula acusou a família Bolsonaro de agir contra os interesses nacionais e afirmou que o documento demonstra uma tentativa de submeter o Brasil aos interesses estrangeiros.

Na publicação, o presidente criticou duramente a iniciativa do senador e classificou a postura da família Bolsonaro como “entreguismo”. Segundo Lula, o envio da carta ao governo norte-americano representa uma atitude incompatível com a defesa da soberania brasileira.

“É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos”, escreveu o presidente.

A reação ocorreu após Flávio Bolsonaro encaminhar um ofício às autoridades norte-americanas argumentando que a imposição de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros poderia favorecer politicamente Lula nas eleições. No documento, o senador pediu que a medida fosse adiada até após o processo eleitoral, sustentando que a aplicação das tarifas neste momento acabaria fortalecendo o governo federal.

Lula respondeu afirmando que solicitar o adiamento da medida não muda sua avaliação sobre o impacto da iniciativa. Para o presidente, defender que o tarifaço seja aplicado apenas depois das eleições continua sendo prejudicial ao país.

“Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois”, declarou.

O presidente também voltou a abordar outro tema presente nas discussões envolvendo as relações comerciais com os Estados Unidos: o sistema de pagamentos Pix. Lula afirmou que o governo não aceitará qualquer interferência externa sobre a ferramenta financeira brasileira.

“Não vão conseguir. O Pix é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele. Nossa Pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros”, afirmou.

Enquanto o embate político ganhava força, integrantes da equipe econômica buscavam uma solução diplomática para evitar a entrada em vigor das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos. O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, informou que o governo brasileiro trabalha para construir um entendimento antes do prazo estabelecido pelo governo norte-americano, previsto para 15 de julho.

Segundo Márcio Elias Rosa, as negociações seguem em andamento, mas fatores externos têm dificultado o avanço das conversas.

“Estamos tentando construir um consenso. O tempo corre contra, porque o prazo é 15 de julho. Infelizmente, algumas questões que não deveriam estar na mesa acabam sendo trazidas para o debate, o que dificulta e prejudica o diálogo”, afirmou o secretário-executivo.

A troca de declarações amplia a disputa política entre o Palácio do Planalto e a família Bolsonaro em torno das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Enquanto o governo federal tenta evitar a aplicação das novas tarifas por meio da diplomacia, o conteúdo do ofício enviado por Flávio Bolsonaro provocou uma forte reação de Lula, que transformou o episódio em mais um capítulo do confronto político entre o presidente e seu principal grupo de oposição.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags