
Torcedores argentinos pisoteiam e cospem em bandeira da Inglaterra após classificação para a final da Copa do Mundo de 2026
Comemorações em Nova York e outras cidades dos Estados Unidos são marcadas por atos de desrespeito a símbolos ingleses; exibição de bandeira das Ilhas Malvinas por jogadores argentinos também amplia a polêmica
A classificação da Argentina para a final da Copa do Mundo de 2026, após a vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra na semifinal disputada em Atlanta, foi acompanhada por grandes celebrações de torcedores argentinos em diversas cidades dos Estados Unidos. Entretanto, parte dessas comemorações acabou gerando forte repercussão internacional por conta de episódios considerados ofensivos e incompatíveis com o espírito esportivo.
Vídeos que circularam amplamente nas redes sociais mostram torcedores argentinos pisoteando, cuspindo e insultando a bandeira da Inglaterra em um dos pontos turísticos mais conhecidos de Nova York. As imagens provocaram críticas de internautas e reacenderam o debate sobre os limites das manifestações de rivalidade no futebol.
Festa termina em polêmica na Times Square
Um dos episódios mais comentados ocorreu na Times Square, no centro de Manhattan, onde centenas de argentinos comemoravam a classificação para a decisão do Mundial.
Nas imagens divulgadas por diferentes veículos internacionais, um torcedor lança uma bandeira da Inglaterra no chão. Em seguida, cospe sobre o símbolo britânico antes que outros torcedores passem a pisoteá-lo enquanto entoam cânticos de comemoração.
Os vídeos rapidamente viralizaram nas redes sociais e foram compartilhados por veículos de comunicação de diversos países, provocando reações de reprovação de torcedores e usuários que classificaram a atitude como desrespeitosa.
Segundo relatos da imprensa internacional, cenas semelhantes também foram registradas em outras cidades norte-americanas onde havia concentração de torcedores argentinos, embora até o momento não tenham sido anunciadas punições relacionadas a esses episódios.
Provocações começaram durante o jogo
As provocações da torcida argentina tiveram início ainda dentro do estádio em Atlanta.
Durante a execução do hino nacional da Inglaterra, grupos de torcedores argentinos passaram a cantar:
“Quem não pular é inglês.”
O comportamento foi registrado pelas transmissões da partida e chamou atenção por ocorrer durante um dos momentos protocolares mais importantes do evento esportivo.
Apesar disso, a partida transcorreu normalmente e terminou com vitória argentina por 2 a 1, garantindo a equipe comandada por Lionel Scaloni na final da Copa do Mundo.
Bandeira das Malvinas amplia controvérsia
A polêmica aumentou logo após o apito final.
Durante a comemoração com os torcedores, diversos jogadores da seleção argentina exibiram uma bandeira com a frase:
“Las Malvinas son argentinas” (“As Malvinas são argentinas”).
Entre os atletas que apareceram segurando a bandeira estavam Giovanni Lo Celso, Cristian Romero e Nicolás Otamendi.
A manifestação ganhou ainda mais repercussão porque, antes da partida, havia informações de que a organização do torneio restringiria a entrada de faixas e bandeiras com conteúdo político para evitar confrontos entre torcedores.
Mesmo assim, a bandeira foi exibida dentro do gramado durante as comemorações.
Disputa histórica entre Argentina e Reino Unido
A mensagem faz referência às Ilhas Malvinas (Falkland Islands, para os britânicos), território localizado no Atlântico Sul cuja soberania é disputada entre Argentina e Reino Unido.
A rivalidade ganhou dimensão histórica após a Guerra das Malvinas, em 1982, quando os dois países entraram em conflito armado pelo controle das ilhas.
Desde então, manifestações envolvendo o tema frequentemente acompanham confrontos esportivos entre argentinos e ingleses, especialmente no futebol.
FIFA ainda não se pronunciou
Até o momento, a FIFA não havia divulgado posicionamento oficial sobre a exibição da bandeira das Malvinas nem sobre os atos praticados por torcedores após a partida.
Os regulamentos da entidade estabelecem restrições para manifestações de caráter político durante competições oficiais, razão pela qual o episódio passou a ser alvo de discussões sobre eventual abertura de procedimento disciplinar.
Confusão antes da semifinal
A semifinal também foi marcada por incidentes antes da bola rolar.
Em Atlanta, integrantes de torcidas organizadas ligadas aos clubes argentinos San Lorenzo e Huracán se envolveram em uma briga durante um evento de apoio à seleção.
Os confrontos incluíram agressões físicas, troca de socos, lançamento de cadeiras, garrafas e outros objetos.
A polícia norte-americana precisou intervir para controlar a situação.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades, três cidadãos argentinos foram detidos, e o caso permanece sob investigação.
Outra polêmica em Buenos Aires
Enquanto isso, em Buenos Aires, outro episódio chamou atenção.
Durante uma concentração de torcedores antes da semifinal, um grupo incendiou uma bandeira acreditando que ela representava a Inglaterra.
Posteriormente, usuários das redes sociais apontaram que a bandeira queimada era, na verdade, a Union Jack, símbolo oficial do Reino Unido, e não exclusivamente da Inglaterra.
O episódio gerou uma série de comentários irônicos e críticas nas plataformas digitais.
Argentina decide o título contra a Espanha
Dentro de campo, a Argentina garantiu vaga na decisão da Copa do Mundo após eliminar a Inglaterra por 2 a 1.
Agora, a seleção argentina enfrentará a Espanha na grande final do Mundial, marcada para 19 de julho, enquanto Inglaterra e França disputarão o terceiro lugar.
Apesar da conquista esportiva, os episódios registrados durante e após a semifinal acabaram repercutindo internacionalmente e colocaram novamente em evidência o debate sobre o respeito entre torcidas, manifestações políticas em competições esportivas e os limites da rivalidade no futebol.