
Lula volta a atacar Bolsonaro e diz que ex-presidente ignorou cientistas durante a pandemia de Covid-19
Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., presidente afirma que Jair Bolsonaro deveria ter criado um gabinete de crise com especialistas, critica a condução da pandemia, chama antigos assessores da área da saúde de “mequetrefes” e defende a vacinação como instrumento para salvar vidas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a fazer duras críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao comentar a condução da pandemia da Covid-19 no Brasil. As declarações foram feitas na noite de quinta-feira (30), durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda., apresentado por Rogério Vilela.
Ao abordar a crise sanitária, Lula afirmou que Bolsonaro falhou ao não reunir especialistas para orientar as decisões do governo durante o período mais crítico da pandemia. Segundo o presidente, o então chefe do Executivo não precisava dominar os aspectos técnicos da doença, mas tinha a obrigação de recorrer à comunidade científica.
“A única coisa que ele deveria ter feito era chamar quem sabia para cuidar. Ele tem uma massa de cientistas nesse país, de pesquisadores, que ele poderia ter criado um grupo de crise”, declarou Lula.
Lula defende gabinete de crise com cientistas
Durante a entrevista, o presidente afirmou que um gabinete de crise formado por pesquisadores, médicos e especialistas poderia ter contribuído para uma resposta mais eficiente à pandemia.
Na avaliação de Lula, o governo Bolsonaro deixou de aproveitar o conhecimento técnico disponível nas universidades, institutos de pesquisa e órgãos científicos brasileiros para coordenar o enfrentamento da emergência sanitária.
Críticas à equipe da Saúde
Lula também criticou os profissionais que integraram a equipe responsável pela condução da saúde pública durante o governo Bolsonaro.
Sem citar nomes específicos, o presidente classificou parte dos médicos que assessoravam o então governo como “mequetrefes” e afirmou que Bolsonaro desrespeitou a população ao, segundo ele, divulgar informações falsas sobre a Covid-19.
As declarações reforçam as críticas que o atual presidente tem feito à condução da crise sanitária desde o início de seu terceiro mandato.
Manaus volta ao centro das críticas
Outro episódio lembrado por Lula foi o colapso no fornecimento de oxigênio hospitalar em Manaus (AM), ocorrido em janeiro de 2021.
Segundo o presidente, uma estratégia baseada em evidências científicas poderia ter reduzido o impacto da crise e evitado parte das mortes registradas durante aquele período.
Lula voltou a atribuir responsabilidade política ao governo Bolsonaro pela forma como a emergência sanitária foi administrada.
Defesa das vacinas
Ao falar sobre políticas públicas de saúde, Lula voltou a defender a vacinação em massa como uma das principais ferramentas de proteção da população.
O presidente destacou a retomada das campanhas de imunização promovidas pelo governo federal e ressaltou a importância do personagem Zé Gotinha como símbolo das campanhas nacionais de vacinação.
Segundo Lula, ampliar a cobertura vacinal continua sendo essencial para proteger vidas e combater a desinformação relacionada às vacinas.
Debate político
As declarações ampliam a troca de críticas entre Lula e Bolsonaro em meio ao cenário político e eleitoral de 2026. A condução da pandemia permanece como um dos principais temas de divergência entre os dois líderes, frequentemente retomado pelo presidente em entrevistas e eventos públicos.
Na entrevista ao Inteligência Ltda., Lula voltou a sustentar que decisões orientadas pela ciência poderiam ter reduzido os impactos da crise sanitária, enquanto reforçou sua defesa da vacinação e da atuação de especialistas na formulação de políticas públicas durante situações de emergência.