
Lula volta a responsabilizar a direita por mortes na pandemia e transforma Covid em arma central da campanha
Em São Bernardo do Campo, presidente afirmou que não permitirá o retorno da direita ao Planalto e associou o campo político às mortes por Covid; documentos da CPI e auditorias do TCU apontaram problemas na condução federal, mas a cifra de “400 mil mortos” não pode ser atribuída juridicamente, de forma exclusiva, a um único governo ou grupo político
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu levar novamente a pandemia de Covid-19 para o centro da disputa eleitoral. Durante o lançamento oficial de sua campanha à reeleição, no domingo (16), no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, Lula afirmou que pretende impedir a volta da direita ao Palácio do Planalto e voltou a associar o campo político às mortes registradas durante a crise sanitária.
A declaração foi feita em tom de confronto. Lula afirmou que não pretende deixar, enquanto estiver vivo, que a direita retorne ao governo e mencionou especificamente as mortes ocorridas durante a pandemia.
“Enquanto eu for vivo, não vou parar de lutar e não vou permitir que volte uma direita responsável pela morte de 400 mil pessoas na Covid por irresponsabilidade.”
Em seguida, o presidente retomou uma das imagens mais traumáticas da pandemia no Brasil: pacientes enfrentando falta de oxigênio.
“Se você ri de um velhinho que está morrendo asfixiado por falta de ar, que futuro você quer para o povo brasileiro?”
A fala foi incorporada imediatamente à narrativa eleitoral do petista. Reportagens sobre o lançamento da campanha mostram que Lula pretende apresentar a eleição de 2026 também como uma comparação entre sua administração e a gestão de Jair Bolsonaro, sobretudo em temas como saúde pública, educação, emprego e vacinação.
Mas há uma questão que precisa ser colocada com precisão: a pandemia matou centenas de milhares de brasileiros e houve graves falhas atribuídas ao governo federal na condução da crise, mas não é tecnicamente correto afirmar que exatamente 400 mil mortes foram causadas exclusivamente por Bolsonaro, pela direita ou por um único governo.
Essa distinção não elimina a responsabilidade política apontada por investigações. Apenas evita transformar uma acusação política em conclusão causal absoluta.