
Megaoperação nacional mira facções criminosas em 14 estados e cumpre 272 mandados contra tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro
Ação coordenada pelas Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) mobiliza Polícia Federal e forças estaduais para desarticular organizações criminosas; operações incluem prisões, buscas, bloqueio de bens e apreensão de armas e recursos financeiros.
As Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) deflagraram, na manhã desta quarta-feira (8), uma das maiores operações integradas do ano contra organizações criminosas que atuam no tráfico de drogas, tráfico de armas, lavagem de dinheiro, homicídios, roubos de cargas e outros crimes de alta complexidade em diversas regiões do país.
Coordenada pela Polícia Federal (PF), a ofensiva ocorre simultaneamente em 14 estados brasileiros e reúne policiais federais, civis, militares, penais, integrantes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Guardas Municipais, Secretarias Estaduais de Segurança Pública e da Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN).
Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de:
- 179 mandados de busca e apreensão;
- 93 mandados de prisão (preventivas e temporárias);
- medidas de bloqueio de contas bancárias;
- sequestro de bens e veículos;
- indisponibilidade de patrimônio de investigados;
- apreensão de armas, munições, drogas, dinheiro e documentos.
Operação Conexão Amazônia investiga tráfico interestadual
Uma das principais ações é a Operação Conexão Amazônia, coordenada pela FICCO do Ceará.
Os investigadores apuram um esquema de tráfico interestadual de drogas associado à lavagem de dinheiro.
Foram expedidos 16 mandados de busca e apreensão nos estados do Ceará, Pernambuco, Pará e Amazonas, além de ordens para bloqueio patrimonial e sequestro de bens ligados aos investigados.
Segundo a Polícia Federal, a investigação busca identificar toda a estrutura financeira utilizada pela organização criminosa para ocultar recursos obtidos com o tráfico.
Operações simultâneas em diversos estados
Além da investigação coordenada pelo Ceará, outras operações ocorreram simultaneamente em diferentes regiões do país.
Amapá e Pará – Operação Zip Lock
Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão contra suspeitos de participação em organização criminosa ligada ao tráfico de drogas.
Acre – Operação Ruptura (2ª fase)
A ação cumpriu um mandado de busca relacionado a investigações sobre tráfico de drogas e atuação de facções criminosas.
Amazonas – Operação Torre 8
Dois mandados de busca foram executados em Manaus para aprofundar investigações envolvendo tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Goiás, Mato Grosso e São Paulo – Operação Blend
Sete mandados de busca apuram o fornecimento de insumos químicos utilizados na adulteração e preparação de entorpecentes.
Maranhão – Operação Thálassa
A Justiça determinou dois mandados de prisão preventiva e dois de busca contra integrantes de organização criminosa.
Mato Grosso do Sul – Operação Mandamus
Três suspeitos foram alvos de mandados de prisão preventiva por envolvimento com tráfico de drogas.
Minas Gerais concentra uma das maiores ofensivas
Em Belo Horizonte, a Operação Borak cumpre:
- 10 mandados de prisão;
- 17 mandados de busca e apreensão.
A investigação envolve tráfico de drogas, homicídios e posse ilegal de armas de fogo.
A Justiça também autorizou a retirada de câmeras de monitoramento instaladas irregularmente por criminosos em vias públicas para vigiar a movimentação policial.
Já no Triângulo Mineiro, a Operação Conexão cumpre dois mandados de prisão e três de busca nas cidades de Uberaba e Uberlândia, investigando organizações ligadas ao tráfico.
Pará registra maior número de prisões
Em Belém, a Operação Coalizão – COP VIII executa:
- 32 mandados de prisão preventiva;
- 32 mandados de busca e apreensão.
A investigação mira integrantes de organizações criminosas com atuação regional.
Paraíba realiza maior número de buscas
Na Operação Consigliere, desenvolvida pela FICCO da Paraíba, são cumpridos:
- 46 mandados de busca e apreensão;
- 13 mandados de prisão preventiva.
As ordens judiciais são executadas na Paraíba, Mato Grosso do Sul e São Paulo contra investigados por tráfico de drogas e lavagem de capitais.
Operações no Piauí e Rio Grande do Norte
No litoral piauiense, a Operação Contenção cumpre:
- três mandados de busca;
- oito mandados de prisão temporária.
Os alvos são investigados por organização criminosa, tráfico de drogas e homicídios.
No Rio Grande do Norte, duas operações ocorrem simultaneamente.
A Operação Matriarca executa:
- cinco prisões preventivas;
- sete mandados de busca;
- bloqueio de bens e contas bancárias.
Já a Operação Busting cumpre 19 mandados de busca em Mossoró, Upanema, Areia Branca e Serra do Mel.
São Paulo concentra ações contra roubo de cargas
No litoral paulista, a Operação Desatrela investiga quadrilhas especializadas em roubo de caminhões e cargas.
São cumpridos:
- sete mandados de prisão temporária;
- dez mandados de busca;
- medidas de sequestro de patrimônio.
Em Campinas, a Operação Argenti Lardum mira grupos envolvidos em furtos, roubos e receptação de cargas.
A Justiça autorizou:
- dez prisões temporárias;
- dez buscas;
- bloqueio de bens.
Bahia também integra a ofensiva
Na cidade de Ubaitaba, sul da Bahia, a Operação Rebojo cumpre:
- um mandado de prisão preventiva;
- dois mandados de busca;
- medida socioeducativa de busca envolvendo um adolescente investigado por participação em organização criminosa.
Integração entre forças de segurança
As operações são coordenadas pelas Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), estrutura criada para unir diferentes instituições de segurança pública no enfrentamento às facções criminosas.
Participam da força-tarefa:
- Polícia Federal;
- Polícias Civis;
- Polícias Militares;
- Polícias Penais;
- Polícia Rodoviária Federal;
- Guardas Municipais;
- Secretarias Estaduais de Segurança Pública;
- Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN).
Segundo os investigadores, a integração entre os órgãos permite compartilhar inteligência, rastrear movimentações financeiras, identificar lideranças criminosas e ampliar a capacidade operacional contra organizações que atuam em diversos estados.
Objetivo é enfraquecer financeiramente as facções
Além da prisão dos investigados, a estratégia das autoridades busca atingir o patrimônio das organizações criminosas.
O bloqueio de contas, o sequestro de imóveis, veículos e outros ativos financeiros tem como objetivo reduzir a capacidade operacional das facções, interromper o fluxo de recursos provenientes do tráfico de drogas e de armas e dificultar o financiamento de novas atividades criminosas.
As investigações continuam, e a Polícia Federal informou que novas fases das operações poderão ser deflagradas conforme o avanço da análise do material apreendido e da identificação de outros integrantes das organizações investigadas.