
Milei declara apoio a Flávio Bolsonaro, chama Lula de “ditador comunista” e reforça aliança conservadora na América Latina
Em evento nos Estados Unidos, presidente argentino prevê vitória de Flávio no segundo turno, manifesta solidariedade a Jair Bolsonaro e divide o protagonismo com Eduardo Bolsonaro em discurso de forte repercussão política.
O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a demonstrar apoio à direita brasileira e à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Na quarta-feira, 14 de outubro de 2026, durante o Hispanic Heritage Gala, realizado em Washington, nos Estados Unidos, o líder argentino fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem chamou de “ditador comunista”, e afirmou acreditar na vitória de Flávio no segundo turno das eleições brasileiras.
Convidado de honra da cerimônia, organizada pela Latino Wall Street Foundation para celebrar as contribuições da comunidade hispânica nos Estados Unidos, Milei aproveitou o discurso para defender uma aproximação entre lideranças conservadoras e governos que se opõem ao socialismo na América Latina. O presidente argentino também mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro e cumprimentou publicamente Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que estava presente no evento.
Milei aposta na vitória de Flávio Bolsonaro
Ao dirigir-se diretamente ao senador brasileiro, Milei afirmou que Flávio deverá superar Lula na disputa eleitoral. Em sua declaração, o argentino associou a candidatura do parlamentar à continuidade do avanço da direita na região.
“E agora, meu querido amigo Flávio Bolsonaro, que com a força do céu e ao seu lado, tenho certeza de que dentro de poucos dias se imporá novamente contra o ditador comunista Lula da Silva”, declarou Milei, acrescentando uma referência crítica ao Foro de São Paulo e ao ex-presidente cubano Fidel Castro.
A manifestação representa um gesto político explícito de apoio internacional a Flávio Bolsonaro. Milei já havia demonstrado proximidade com o senador em outras ocasiões, inclusive durante a convenção do Partido Liberal que oficializou sua candidatura, em julho. No primeiro turno, em 4 de outubro, o presidente argentino também compartilhou um vídeo de Flávio na seção eleitoral.
Para os apoiadores do senador, o pronunciamento reforça a presença de Flávio no diálogo com lideranças conservadoras estrangeiras e amplia a dimensão internacional da disputa brasileira. A previsão de Milei, entretanto, é uma manifestação política de confiança no candidato, e não uma garantia do resultado eleitoral.
Solidariedade a Jair Bolsonaro
Milei também enviou uma mensagem de apoio a Jair Bolsonaro, a quem chamou de amigo e descreveu como vítima de uma situação judicial que considera injusta.
“Quero aproveitar esta ocasião para saudar Eduardo, irmão de Flávio, aqui presente conosco, e enviar uma mensagem de carinho e apoio tanto a Flávio quanto ao seu pai, meu amigo, o presidente Jair Bolsonaro, que continua injusta e vingativamente encarcerado”, afirmou.
Ao concluir a mensagem, o presidente argentino dirigiu-se diretamente ao ex-presidente brasileiro: “Um abraço, Jair querido!”.
A declaração evidencia que a relação entre Milei e a família Bolsonaro ultrapassa o apoio eleitoral a Flávio. O argentino também procura demonstrar solidariedade política a Jair Bolsonaro, cuja situação judicial se tornou um dos principais pontos de mobilização entre seus apoiadores.
A avaliação de Milei sobre o encarceramento de Bolsonaro, contudo, corresponde à posição política do presidente argentino e não substitui a análise das decisões judiciais brasileiras.
Eduardo Bolsonaro ganha destaque no encontro
Eduardo Bolsonaro também participou da cerimônia e subiu ao palco ao lado de Milei. O encontro reforçou a proximidade entre os dois políticos e ofereceu ao ex-deputado uma oportunidade de apresentar sua posição a um público internacional.
Durante sua participação, Eduardo elogiou lideranças de direita e afirmou que, caso Flávio vença a eleição, pretende contribuir para uma mudança política no Brasil, começando pela situação de seu pai. Ele também declarou sentir orgulho de Jair Bolsonaro, rejeitando a ideia de que deveria sentir vergonha diante das circunstâncias judiciais enfrentadas pelo ex-presidente.
A presença de Eduardo ao lado de Milei foi valorizada por apoiadores da família Bolsonaro, que veem na aproximação com o governo argentino uma oportunidade de fortalecer contatos internacionais e ampliar a articulação conservadora.
O episódio também mostra que a campanha de Flávio não se desenvolve apenas no debate doméstico. O apoio de uma liderança estrangeira de grande visibilidade acrescenta um componente diplomático e ideológico à disputa, embora a decisão sobre a Presidência brasileira caiba exclusivamente aos eleitores do país.
Críticas a Lula e disputa de projetos para a América Latina
O discurso de Milei expressou sua conhecida oposição ao socialismo e sua defesa de uma agenda baseada na liberdade econômica, na propriedade privada e no combate ao que considera excessiva intervenção estatal.
Ao mencionar Lula em termos tão duros, o presidente argentino elevou o tom do confronto político entre os dois líderes. A relação entre ambos já é marcada por divergências ideológicas e por visões distintas sobre o papel do Estado, a economia e as alianças internacionais.
Milei defende uma articulação entre governos latino-americanos alinhados à direita e os Estados Unidos para conter o avanço do socialismo na região. Em sua avaliação, a aproximação entre essas lideranças pode fortalecer políticas voltadas à liberdade individual, à propriedade e à iniciativa privada.
No Brasil, esse discurso encontra eco entre setores que defendem a alternância de poder e criticam a condução econômica e política do governo Lula. Por outro lado, os termos usados por Milei são contestados por adversários, e classificações como “ditador comunista” devem ser compreendidas como declarações políticas, não como uma conclusão jurídica.
O peso político do apoio internacional
A manifestação de Milei ocorre em um momento decisivo da eleição brasileira e dá visibilidade internacional à candidatura de Flávio Bolsonaro. Ao prever sua vitória, demonstrar solidariedade a Jair Bolsonaro e dividir o palco com Eduardo Bolsonaro, o presidente argentino deixou clara sua preferência no confronto eleitoral.
Para Flávio e seus apoiadores, o respaldo de Milei representa um sinal de proximidade com uma liderança que chegou ao poder na Argentina defendendo uma ruptura com políticas tradicionais da esquerda. A aproximação também reforça a tentativa de construir uma rede regional de políticos conservadores com posições semelhantes sobre economia, segurança, liberdade e organização do Estado.
O resultado das urnas, porém, dependerá da escolha dos brasileiros. O pronunciamento de Milei é relevante pelo peso político de quem o fez e pela clareza de seu apoio, mas não determina o desfecho da eleição.
A mensagem central do evento foi inequívoca: Milei quer ver Flávio Bolsonaro vencer, mantém sua solidariedade a Jair Bolsonaro e pretende fortalecer a cooperação entre lideranças de direita na América Latina. Ao lado de Eduardo Bolsonaro, o presidente argentino transformou a cerimônia em mais um palco de confronto ideológico com Lula e de demonstração pública de apoio à família Bolsonaro.