Montadoras pressionam Lula: ameaçam demissões se governo favorecer importações da China

Montadoras pressionam Lula: ameaçam demissões se governo favorecer importações da China

Volkswagen, Toyota, GM e Stellantis alertam presidente sobre risco de fechar fábricas caso pacote que favorece peças importadas avance sem diálogo

As quatro gigantes do setor automotivo no Brasil — Volkswagen, Toyota, General Motors e Stellantis — decidiram bater à porta do Palácio do Planalto com um aviso direto: se o governo seguir adiante com um pacote que privilegia veículos montados com peças importadas, sem exigência de produção local, milhares de empregos estarão em risco.

Em 15 de junho, os presidentes das montadoras enviaram uma carta a Lula manifestando forte preocupação com o modelo SKD (sigla para semi-knocked down), em que os veículos chegam praticamente prontos do exterior e são apenas montados no país. Segundo as empresas, esse sistema enfraquece a indústria nacional, reduz investimentos em fábricas e ameaça empregos — já que praticamente nada é fabricado aqui.

Até o momento, segundo fontes próximas ao setor, o governo ainda não respondeu oficialmente ao documento. Esse silêncio tem ampliado o mal-estar entre o Planalto e as montadoras, que alegam não ter sido ouvidas antes da elaboração do novo pacote de estímulo ao setor automotivo.

Para os executivos, se o Brasil abrir demais as portas para esse tipo de importação — especialmente com a chegada de montadoras chinesas apostando no modelo SKD — a indústria nacional poderá sofrer um duro golpe. O alerta é claro: sem uma política que exija produção e geração de valor no Brasil, fábricas podem ser desativadas e milhares de trabalhadores ficarão sem emprego.

As montadoras pedem equilíbrio nas decisões e insistem que o país deve estimular a produção local, com regras claras para que todos — inclusive os novos entrantes no mercado — joguem sob as mesmas condições. Caso contrário, alertam, o que está em jogo não é apenas o mercado automotivo, mas todo o ecossistema de fornecedores, empregos e tecnologia construído ao longo de décadas no Brasil.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags