
Mourão anuncia voto contra Jorge Messias no STF e critica ligação com o PT
Senador afirma que indicado de Lula não reúne imparcialidade necessária para a Suprema Corte
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) declarou que votará contra a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). A vaga em disputa foi aberta após a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.
Em entrevista, Mourão foi direto ao justificar sua posição. Segundo ele, embora Messias possua qualidades técnicas, não atende aos critérios necessários para ocupar um dos cargos mais altos do Judiciário brasileiro.
— “Ele pode ter capacidade, mas não para essa função. Por isso, voto contra”, afirmou o senador.
Crítica à suposta falta de imparcialidade
O principal ponto levantado por Mourão é a proximidade de Messias com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o parlamentar, essa ligação pode comprometer a independência exigida de um ministro do STF.
Segundo ele, o problema não estaria na reputação pessoal do indicado, mas no que classificou como “militância política” alinhada ao Partido dos Trabalhadores (PT). Na avaliação do senador, esse fator poderia afetar decisões futuras na Corte.
Recusa de diálogo e clima político
Mourão também afirmou que optou por não receber Jorge Messias em seu gabinete, indicando uma posição firme e antecipada sobre o voto. O gesto evidencia o clima de divisão política em torno da indicação.
Apesar da resistência de parte da oposição, o processo segue normalmente no Senado. O relator da indicação, o senador Weverton Rocha (PDT-MA), já sinalizou parecer favorável ao nome de Messias, destacando que ele cumpre os requisitos constitucionais, como notável saber jurídico e reputação ilibada.
Próximos passos no Senado
A sabatina de Jorge Messias está marcada para o dia 29 de abril na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na mesma data, o plenário do Senado deve votar a indicação, sendo necessários ao menos 41 votos favoráveis para a aprovação.
O desfecho da votação deve refletir não apenas critérios técnicos, mas também o atual cenário político em Brasília, marcado por disputas entre governo e oposição sobre a composição do STF.