
Na véspera do defeso eleitoral, Lula faz maratona de entregas, reúne pré-candidatos e volta a criticar Bolsonaro
Evento de quase três horas anunciou investimentos em saúde, educação e habitação; presidente afirmou que continuará viajando pelo país para visitar obras durante o período de restrições eleitorais.
Na véspera do início do defeso eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promoveu, nesta sexta-feira (3), uma extensa agenda de anúncios e entregas de obras e investimentos nas áreas de saúde, educação e habitação. A cerimônia, realizada no Palácio do Planalto e transmitida simultaneamente para diversos estados, reuniu ministros, parlamentares e aliados políticos que devem disputar as eleições de 2026.
O evento teve duração de aproximadamente duas horas e cinquenta minutos e foi dividido em três blocos temáticos. Durante a programação, o governo anunciou a inauguração de dez novos campi de Institutos Federais, investimentos de R$ 464,8 milhões destinados ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a entrega de 1.619 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida em seis estados, beneficiando cerca de 6.476 pessoas.
A cerimônia contou com a participação de diversas lideranças políticas que já são apontadas como pré-candidatas nas eleições do próximo ano. Em Mauá (SP), a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), participou da agenda ao lado do ministro da Educação, Leonardo Barchini, sendo apresentada durante o evento como futura candidata ao Senado por São Paulo.
Em Barra de São Miguel (AL), o deputado federal Arthur Lira (PP), cotado para disputar uma vaga no Senado, participou da entrega de moradias do Minha Casa, Minha Vida. Já em Itabaiana (SE), o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo (PT), pré-candidato à Câmara dos Deputados, também discursou durante a programação.
Outros integrantes do governo participaram das ações em diferentes estados. O vice-presidente Geraldo Alckmin esteve em Bauru (SP); o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou de cerimônia em Campinas (SP); o ministro das Cidades, Vladimir Lima, realizou entregas em Nova Iguaçu (RJ); o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, esteve em Altos (PI); enquanto Guilherme Boulos acompanhou agenda em Cotia (SP).
Durante seus discursos, Lula voltou a direcionar críticas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ao abordar a política habitacional, afirmou que muitas famílias não receberam as moradias prometidas durante a gestão anterior por meio do programa Casa Verde e Amarela, substituído posteriormente pelo retorno do Minha Casa, Minha Vida.
O presidente também defendeu a ampliação dos investimentos públicos em educação, saúde e habitação, afirmando que esses recursos não devem ser tratados como despesas, mas como investimentos essenciais para o desenvolvimento do país.
Outro ponto que chamou atenção foi a declaração de Lula sobre sua agenda durante o período de restrições impostas pela legislação eleitoral. Com o início do defeso eleitoral neste sábado (4), presidentes e demais agentes públicos ficam impedidos de inaugurar obras e anunciar novos programas que possam caracterizar promoção eleitoral.
Mesmo reconhecendo essas limitações legais, Lula afirmou que continuará percorrendo o país para acompanhar o andamento de projetos e obras do governo.
“Agora, a gente não pode inaugurar mais nada até as eleições. Embora eu não possa inaugurar, eu vou visitar muitas coisas que eu ainda tenho que visitar”, declarou.
As restrições eleitorais passam a valer três meses antes do primeiro turno e proíbem inaugurações oficiais e anúncios institucionais que possam gerar vantagem eleitoral aos candidatos. Apesar disso, visitas técnicas e agendas de acompanhamento de obras continuam sendo permitidas, desde que respeitem as normas estabelecidas pela legislação eleitoral.