Ao lado de Haddad, Datena acusa Tarcísio de prestar “desserviço” à segurança pública de São Paulo

Ao lado de Haddad, Datena acusa Tarcísio de prestar “desserviço” à segurança pública de São Paulo

Candidato a deputado federal pelo PSB critica estratégia do governo estadual contra facções criminosas e defende integração entre polícias, Ministério Público e órgãos de investigação

O candidato a deputado federal José Luiz Datena (PSB) elevou o tom das críticas ao governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante um evento da campanha de Fernando Haddad (PT) dedicado à apresentação de propostas para a segurança pública do Estado.

Ao lado de Haddad e de outras lideranças da campanha, Datena afirmou que Tarcísio teria prestado um “grande desserviço” à segurança pública paulista. O apresentador e candidato questionou a estratégia adotada pelo governo estadual para combater organizações criminosas e disse considerar que São Paulo atravessa um dos momentos mais difíceis na área.

A crítica foi feita na segunda-feira (10), em São Paulo, durante a apresentação do programa de segurança pública da campanha de Haddad. O encontro reuniu nomes de diferentes setores do grupo político que apoia a candidatura petista ao Palácio dos Bandeirantes.

Crítica à origem de Tarcísio e alerta sobre milícias

Datena também direcionou críticas à trajetória de Tarcísio, que nasceu no Rio de Janeiro e iniciou sua carreira profissional no Exército antes de ocupar cargos no governo federal e, posteriormente, disputar o governo paulista.

Ao comentar a política de segurança do Estado, o apresentador afirmou que a origem do governador poderia representar um risco diante da possibilidade de expansão de modelos criminosos associados a milícias.

“O Tarcísio, que veio de fora, prestou um grande desserviço à segurança pública de São Paulo. Infelizmente, eu não tenho nada pessoalmente contra ele, mas ele que veio do Rio, temos até talvez a possibilidade de termos milícia entrando aqui em São Paulo”, afirmou Datena.

A declaração foi feita em meio à discussão sobre a atuação das forças de segurança no enfrentamento às organizações criminosas que operam em São Paulo.

O principal foco do discurso de Datena foi a necessidade de coordenação entre diferentes instituições responsáveis pela investigação, acusação e repressão ao crime organizado.

PCC e Comando Vermelho no centro da discussão

Datena citou especificamente organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) ao defender uma estratégia integrada de combate às facções.

Na avaliação do candidato, o enfrentamento ao crime organizado não deve ficar restrito à atuação ostensiva das polícias. Para ele, o trabalho de investigação, produção de provas, inteligência e atuação judicial precisa ocorrer de maneira coordenada.

O argumento foi utilizado para contestar declarações atribuídas a Tarcísio sobre a importância relativa das forças policiais e do Ministério Público no combate às organizações criminosas.

Datena afirmou que considerar os policiais mais importantes do que o Ministério Público seria um erro e classificou essa visão como uma demonstração de desconhecimento sobre a estrutura de combate ao crime organizado.

“Ontem o Tarcísio disse uma bobagem que não tem absolutamente tamanho. Mas não tem tamanho, quando ele disse que policiais são mais importantes que o Ministério Público ao combater o crime organizado, que o GAECO não deveria ter tanta participação assim, isso é uma bobagem de quem não conhece nada de estrutura de combate ao crime”, declarou.

GAECO é citado como peça da estratégia

Um dos pontos centrais da crítica foi o papel do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), estrutura do Ministério Público voltada à investigação e ao enfrentamento de organizações criminosas.

Datena defendeu a participação do órgão em conjunto com as polícias. Na visão apresentada pelo candidato, operações contra facções exigem articulação entre investigadores, promotores, forças policiais e demais instituições envolvidas.

A discussão ocorre em um momento em que o combate ao crime organizado ocupa posição de destaque na agenda eleitoral paulista. A presença de facções como o PCC e a atuação de grupos criminosos em diferentes setores da economia e da sociedade transformaram segurança pública em um dos principais temas da disputa pelo governo estadual.

Evento reuniu principais nomes da campanha de Haddad

Datena fez as declarações durante um evento organizado pela campanha de Fernando Haddad para apresentar propostas específicas para a segurança pública.

Além de Haddad e Datena, participaram do encontro o candidato a vice-governador, Márcio França (PSB); as candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB); e o deputado estadual Emidio de Souza (PT-SP), responsável pela coordenação do programa de governo.

A composição do evento mostrou a tentativa da campanha de Haddad de reunir diferentes forças políticas em torno de uma proposta para a segurança pública, área tradicionalmente associada ao discurso de partidos e candidatos de direita.

A presença de Datena também acrescentou ao encontro a experiência de décadas do apresentador na cobertura de crimes e segurança pública na televisão. Como candidato pelo PSB, ele passou a ocupar um espaço político dentro da aliança que sustenta a candidatura de Haddad.

Tarcísio é principal alvo das críticas

As declarações de Datena ocorreram um dia depois de Tarcísio participar de debate eleitoral e defender sua própria política de segurança.

O governador tenta apresentar sua gestão como uma administração de endurecimento no combate à criminalidade e às organizações criminosas. A segurança pública é uma das áreas utilizadas pelo governo paulista para sustentar sua agenda política e sua candidatura à reeleição.

A campanha de Haddad, por outro lado, procura questionar a eficácia da estratégia estadual e defender maior integração entre os diferentes órgãos envolvidos no combate às facções.

Nesse cenário, a divergência entre Datena e Tarcísio ultrapassa uma disputa pessoal e representa duas concepções distintas sobre a organização da política de segurança: enquanto o governo estadual enfatiza o papel das forças policiais, os aliados de Haddad destacam a integração entre polícia, Ministério Público, inteligência e investigação.

Segurança se consolida como tema central da eleição

O confronto ocorre em uma eleição na qual a segurança pública deverá ocupar espaço relevante no debate político paulista.

Tarcísio disputa a permanência no Palácio dos Bandeirantes e busca defender os resultados de sua administração. Haddad tenta retornar ao comando do Estado depois de ter administrado a capital paulista e ocupado o Ministério da Fazenda no governo federal.

O debate sobre as facções criminosas acrescenta uma dimensão nacional à eleição. O PCC, organização surgida em São Paulo e que se tornou uma das maiores facções criminosas do país, é frequentemente citado nas discussões sobre segurança, sistema prisional, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. O Comando Vermelho, por sua vez, também ampliou sua presença em diferentes regiões brasileiras.

A discussão levantada por Datena envolve, portanto, não apenas a atuação policial, mas o modelo institucional de combate ao crime organizado.

Ao afirmar que Tarcísio prestou um “grande desserviço” à segurança paulista, Datena transformou a política de segurança do atual governo em um dos alvos centrais de sua participação na campanha de Haddad. A resposta do grupo de Tarcísio e a evolução desse debate deverão contribuir para definir um dos principais eixos da disputa eleitoral em São Paulo.

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