“Não participei de nada”: Silvinei diz que passou o 8 de Janeiro no churrasco e nega operação contra Lula

“Não participei de nada”: Silvinei diz que passou o 8 de Janeiro no churrasco e nega operação contra Lula

Réu por suposta tentativa de golpe, ex-chefe da PRF afirma ao STF que apenas seguiu ordens e que bloqueios no segundo turno das eleições de 2022 não tiveram motivação política

Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal, o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, tentou afastar de vez qualquer relação com tentativas de interferência nas eleições de 2022 ou nos ataques golpistas do dia 8 de janeiro de 2023. Segundo ele, no dia da votação do segundo turno, não houve nenhuma operação direcionada contra eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva. E, sobre os atos antidemocráticos em Brasília, foi categórico: “Eu estava em casa, em Santa Catarina, fazendo um churrasquinho com amigos. Meu aniversário é no dia 9, estava comemorando.”

Réu por tentativa de golpe, Silvinei afirmou que não mandou barrar ônibus nem impedir o direito de voto de ninguém. “Não fiz nada de errado. Se trabalhei, foi para cumprir ordens do ministro da Justiça”, declarou, negando qualquer viés político nas ações da PRF no dia 30 de outubro de 2022.

“Abordamos, mas não atrapalhamos”

Para justificar a atuação da corporação durante o segundo turno, o ex-diretor apresentou números: segundo ele, 324 ônibus foram fiscalizados no Nordeste naquele dia — quantidade compatível com ações de outros anos, segundo ele. “Abordamos 28 mil pessoas. Num universo de 150 milhões de eleitores, isso não muda resultado nenhum”, argumentou.

Ainda de acordo com Silvinei, apenas 13 ônibus foram retidos, e todos por problemas mecânicos ou falta de condições para circular. “Em todos os casos, foram chamados veículos substitutos. No Pará, inclusive, uma viatura escoltou os ônibus”, completou.

“Não sei de nada, não participei de nada”

Sobre os atos de 8 de janeiro, que deixaram um rastro de destruição nos prédios dos Três Poderes, Silvinei disse que não teve qualquer envolvimento. E reforçou que não participou de nenhum plano ou articulação golpista: “Não sei de documento, não participei de nada. Só fui cuidar da minha vida.”

Ele também negou que, à frente da PRF, tenha sofrido interferência política. “Nos governos Dilma e Bolsonaro, não houve indicação de políticos para cargos na corporação”, afirmou.

“Me trataram como inimigo”

Durante o depoimento, Silvinei aproveitou para relatar o que chamou de abuso no momento de sua prisão. Segundo ele, mesmo com recomendação médica de internação urgente, foi levado para Brasília à força. “Foi muita maldade. Eu moro a cinco minutos da sede da PF e me levaram para Brasília por birra. Existe uma rixa entre a PRF e a PF. Tinha gente com raiva de mim porque eu apoiava parcerias com o Ministério Público. A gente estava apreendendo muita arma e droga”, desabafou.

Agora, cabe ao STF decidir o rumo do processo contra o ex-diretor, que segue negando qualquer ação com motivação política, tanto durante as eleições quanto nos dias seguintes — enquanto o país ainda tenta cicatrizar as feridas daquele 8 de janeiro.

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