
Piada sobre Neymar usada por Lula e criticada por Rizek já havia sido feita por jornalistas da Globo
Comentário sobre “home office” gerou reação política e debate entre comentaristas; episódio expõe contradições no discurso da imprensa esportiva e amplifica disputa narrativa nas redes
A polêmica envolvendo a piada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre Neymar ganhou novos contornos após a repercussão do comentário feito pelo jornalista André Rizek, do Grupo Globo. O apresentador criticou a fala do presidente, que chamou o jogador de “primeiro convocado em home office” da Seleção Brasileira, durante um evento em Belo Horizonte.
A declaração de Lula, feita em tom de brincadeira sobre a ausência de Neymar por lesão em jogos da Copa do Mundo, foi rapidamente explorada por figuras políticas e comentaristas esportivos. Entre as reações mais duras, Rizek afirmou em vídeo nas redes sociais que o problema não estava necessariamente na piada, mas no fato de ter sido feita pelo presidente da República.
No entanto, o ponto que gerou maior controvérsia foi revelado após a repercussão: a expressão “home office”, usada de forma crítica ao jogador, já havia sido empregada anteriormente na própria programação da TV Globo. As jornalistas Mariana Gross e Alex Escobar usaram o termo em tom leve no RJTV para comentar a ausência do atacante, sem que isso gerasse qualquer reação semelhante.
A contradição abriu espaço para críticas direcionadas ao tratamento desigual dado ao mesmo tipo de comentário, dependendo de quem o faz. Enquanto a brincadeira feita dentro do ambiente televisivo passou praticamente sem repercussão, a fala de Lula foi elevada a tema político e virou alvo de ataques de opositores.
Rizek também argumentou que Neymar é uma peça central da Seleção Brasileira e que brincadeiras envolvendo o jogador poderiam ter impacto negativo na percepção pública e até no ambiente esportivo. Segundo ele, o contexto político amplifica qualquer declaração feita por autoridades públicas, o que exigiria mais cautela.
A reação, porém, foi rapidamente incorporada ao embate político. Aliados de oposição ao governo, como Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Nikolas Ferreira, usaram o episódio para criticar o presidente, acusando-o de desrespeito ao jogador e de politização do esporte.
O caso expõe não apenas a sensibilidade em torno de figuras públicas como Neymar, mas também a forma como o mesmo tipo de comentário pode ser interpretado de maneiras distintas dependendo do autor — especialmente quando envolve política, mídia e entretenimento no mesmo espaço narrativo.
No fim, o episódio acabou se transformando menos em uma discussão sobre futebol e mais em mais um capítulo da disputa de versões entre imprensa, política e redes sociais.