PL decide lançar Rogério Marinho à Presidência do Senado em 2027 e rejeita acordo com Alcolumbre

PL decide lançar Rogério Marinho à Presidência do Senado em 2027 e rejeita acordo com Alcolumbre

Partido Liberal aposta em candidatura própria para disputar o comando da Casa Legislativa e enfrentar a tentativa de reeleição de Davi Alcolumbre. Movimento busca ampliar a influência da oposição no Congresso e abre uma nova frente de disputa política para o próximo ano.

O Partido Liberal (PL) decidiu apostar no senador Rogério Marinho (PL-RN) para disputar a Presidência do Senado Federal em fevereiro de 2027. A legenda pretende oficializar a candidatura nesta quarta-feira (4), em uma movimentação que representa uma rejeição à possibilidade de acordo com o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que trabalha para permanecer no comando do Senado por mais dois anos.

A decisão foi tomada após discussões internas sobre a conveniência de apoiar a reeleição de Alcolumbre em troca de espaços estratégicos na estrutura do Senado. Uma ala do PL defendia a negociação para evitar o isolamento do partido na distribuição de cargos e no comando das comissões permanentes. Entretanto, prevaleceu a posição favorável à candidatura própria, com Rogério Marinho como principal representante da legenda.

O cenário ganha importância porque o PL terá uma das maiores bancadas da próxima legislatura, com 29 senadores segundo os levantamentos mais recentes, e pretende transformar esse peso parlamentar em protagonismo na condução do Congresso Nacional.

Marinho já confirmou publicamente sua intenção de disputar a presidência. O senador Carlos Jordy (PL-RJ) também declarou que, dentro do partido, o nome de Rogério Marinho reúne atualmente maior força e apoio para representar a legenda na eleição.

Alcolumbre tenta manter apoio e evitar candidatura de oposição

Enquanto o PL articula uma candidatura independente, Davi Alcolumbre mantém conversas com representantes de diferentes partidos para construir uma maioria capaz de garantir sua reeleição.

O atual presidente do Senado busca apoio inclusive entre parlamentares de legendas da oposição, como PL, PP e Republicanos. Segundo informações divulgadas pela imprensa, Alcolumbre afirma contar com pelo menos 41 votos, número necessário para conquistar a Presidência da Casa.

A disputa, entretanto, está longe de ser definida. O voto para a escolha da Mesa Diretora é secreto, o que significa que declarações públicas de apoio não representam necessariamente compromissos individuais nas urnas.

O PL considera que apoiar novamente Alcolumbre poderia significar abrir mão de uma oportunidade de disputar diretamente o comando do Senado. Entre as críticas feitas por setores da oposição está a condução de pautas consideradas prioritárias pelo grupo, especialmente a anistia aos condenados pelos acontecimentos de 8 de janeiro e os pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Tereza Cristina também entra no jogo político

Outro nome que movimenta as articulações é o da senadora Tereza Cristina (PP-MS). Ela mantém o desejo de disputar a Presidência do Senado e já declarou publicamente que pretende se tornar a primeira mulher a ocupar o cargo.

Tereza Cristina e Rogério Marinho, entretanto, afirmaram possuir um entendimento para evitar uma disputa direta entre os dois. A ideia é construir uma candidatura única da oposição, com a possibilidade de que um deles retire sua candidatura conforme a avaliação das articulações e dos apoios conquistados mais perto da eleição.

A senadora Michelle Bolsonaro (PL-DF), eleita para a próxima legislatura, também é apontada como apoiadora do projeto de Tereza Cristina.

A definição de quem terá melhores condições de reunir votos será fundamental para evitar a divisão do campo oposicionista e facilitar a estratégia contra Alcolumbre.

Presidência do Senado tem poder sobre pautas decisivas

A disputa não envolve apenas cargos ou prestígio político. O presidente do Senado exerce influência direta sobre a agenda legislativa, a organização das votações e o andamento de matérias de grande repercussão nacional.

Também cabe ao presidente da Casa decidir sobre o encaminhamento de pedidos de impeachment contra ministros do STF, observadas as regras constitucionais e legais. Por isso, a escolha do próximo comandante do Senado é acompanhada de perto por diferentes setores políticos.

Entre as pautas que estão no centro das articulações estão a anistia relacionada aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, a revisão das penas impostas aos condenados e os pedidos de afastamento de integrantes do Supremo.

Para a oposição, conquistar a presidência representaria uma mudança importante na relação de forças dentro do Legislativo e poderia ampliar o espaço para a discussão de propostas que enfrentam resistência na atual condução da Casa.

Uma disputa que promete movimentar Brasília

Rogério Marinho já enfrentou uma eleição para a Presidência do Senado em 2023, quando foi derrotado por Rodrigo Pacheco. Na ocasião, Pacheco recebeu 49 votos, contra 32 de Marinho.

Agora, o senador volta ao centro das articulações políticas com o respaldo de uma bancada expressiva e a intenção de construir uma candidatura que ultrapasse os limites do PL.

A eleição está prevista para 1º de fevereiro de 2027. Até lá, as negociações entre partidos, as movimentações de Alcolumbre e a definição de uma eventual candidatura conjunta com Tereza Cristina deverão determinar os rumos da disputa.

A decisão do PL de não fechar acordo antecipado com Alcolumbre deixa claro que o partido pretende disputar diretamente o comando do Senado, em vez de depender exclusivamente de negociações por espaços na estrutura legislativa. O resultado terá consequências importantes para a relação entre oposição, governo Lula e Supremo Tribunal Federal nos próximos anos.

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