PL oficializa Flávio Bolsonaro candidato à Presidência em convenção marcada por apoio de Michelle, presença de Milei e defesa do legado de Jair Bolsonaro

PL oficializa Flávio Bolsonaro candidato à Presidência em convenção marcada por apoio de Michelle, presença de Milei e defesa do legado de Jair Bolsonaro

Evento realizado em São Paulo reuniu lideranças da direita, familiares do ex-presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Argentina, Javier Milei; candidatura de Flávio foi apresentada como continuidade do projeto político bolsonarista, em meio a apelos por união e à ausência física do ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar

O Partido Liberal (PL) oficializou neste sábado, 25 de julho de 2026, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República nas eleições de outubro. A confirmação ocorreu durante a convenção nacional da legenda, realizada em São Paulo, em um evento que reuniu apoiadores, parlamentares, dirigentes partidários e importantes nomes da direita brasileira.

A convenção teve como um de seus principais protagonistas o presidente da Argentina, Javier Milei, cuja presença deu dimensão internacional ao lançamento da candidatura. O argentino participou do evento, discursou em apoio a Flávio Bolsonaro e criticou duramente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e setores da esquerda latino-americana.

O encontro também foi marcado pela ausência física de Jair Bolsonaro, pai de Flávio e principal referência política do grupo. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar e, por decisão judicial, está submetido a restrições que impedem manifestações políticas e determinadas visitas com finalidade político-eleitoral.

Mesmo ausente, Jair Bolsonaro foi o centro simbólico da convenção. Seu nome foi citado por diferentes oradores e apareceu em mensagens de apoio enviadas por familiares e aliados. A estratégia do PL foi apresentar a candidatura de Flávio como uma continuidade direta do projeto político construído pelo ex-presidente.

Michelle Bolsonaro envia vídeo e pede união da direita

Um dos momentos mais aguardados da convenção foi a exibição de um vídeo gravado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Michelle não compareceu presencialmente ao evento. Segundo as informações divulgadas, ela permaneceu em Brasília para acompanhar Jair Bolsonaro.

Na mensagem, Michelle declarou apoio à candidatura de Flávio e afirmou que, embora não pudesse estar fisicamente na convenção, compartilhava com os participantes a mesma energia política dos eventos do PL.

— O meu galego não pode estar com vocês. Eu também não posso porque estou em casa cuidando dele — afirmou Michelle, em referência a Jair Bolsonaro.

A ex-primeira-dama também desejou sucesso ao enteado.

— Flávio, que Deus abençoe e proteja a sua candidatura. Que Ele te dê sabedoria, coragem e força, a você e à sua família, para cumprir esta missão com a lealdade e a verdade que o nosso povo merece — declarou.

A participação de Michelle ocorreu após um período de divergências públicas com Flávio Bolsonaro. O senador havia pedido desculpas publicamente à ex-primeira-dama, e o gesto foi posteriormente aceito.

O vídeo foi interpretado dentro do PL como uma demonstração de apoio à candidatura e também como um sinal de tentativa de reunificação do campo bolsonarista.

Javier Milei transforma presença no Brasil em demonstração de apoio político

A presença de Javier Milei foi um dos principais acontecimentos da convenção.

O presidente argentino viajou ao Brasil especialmente para participar de compromissos oficiais e políticos em São Paulo. Antes de comparecer ao evento do PL, Milei foi recebido pelo governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no Palácio dos Bandeirantes.

Durante a agenda oficial, o argentino recebeu a Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria concedida pelo governo do Estado de São Paulo.

Depois, Milei seguiu para a convenção do PL, onde dividiu o palco com Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.

A presença do presidente argentino foi considerada uma demonstração pública de proximidade entre Milei e a família Bolsonaro. O argentino mantém relação política próxima com Jair Bolsonaro e declarou apoio a Flávio durante o evento.

Em seu discurso, Milei afirmou confiar no senador para enfrentar Lula e impedir, segundo sua avaliação, o avanço do socialismo no Brasil.

— Eu creio que Flávio somente pode parar Lula e trazer uma verdadeira mudança para todos os brasileiros — afirmou.

O presidente argentino também associou a candidatura de Flávio ao combate ao crime organizado e ao narcotráfico.

— Creio firmemente que não há outro capaz de parar o efeito de Lula sobre o país. E não há outro para fazer frente às organizações criminosas e ao narcotráfico, e nisso eu confio plenamente em Flávio Bolsonaro — declarou.

A participação de Milei deu à convenção um caráter internacional e reforçou a aproximação entre setores da direita brasileira e governos conservadores da América Latina.

Discurso de Milei é marcado por críticas a Lula e Alexandre de Moraes

Durante sua fala, Javier Milei criticou diretamente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes.

O presidente argentino afirmou que a esquerda teria transformado a América Latina em um laboratório político e criticou o Foro de São Paulo, organização política fundada em 1990 por partidos e movimentos de esquerda da região.

Milei também afirmou que o Brasil poderia enfrentar consequências econômicas e sociais caso não mudasse de rumo político.

— Confiamos em você, Flávio, para conseguir parar o socialismo — disse o presidente argentino.

Em outro momento, Milei criticou Alexandre de Moraes por ter impedido sua visita a Jair Bolsonaro.

O argentino afirmou que queria visitar o ex-presidente brasileiro durante sua passagem pelo país e criticou a decisão judicial que impediu o encontro.

Milei também comparou a situação com o período em que Lula esteve preso e recebeu visitas de líderes estrangeiros.

Público grita pela prisão de Lula, e Milei reage

Durante o discurso de Javier Milei, apoiadores presentes na Arena Pacaembu começaram a entoar gritos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O público repetiu o coro: “Lula ladrão, seu lugar é na prisão”.

Milei, que estava no palco ao lado de Flávio Bolsonaro, fez gestos para que os apoiadores intensificassem os gritos. Em alguns momentos, também balançou a cabeça em sinal de concordância.

A cena reforçou o tom de confronto político da convenção e transformou a participação do presidente argentino em um dos momentos mais comentados do evento.

Flávio Bolsonaro assume oficialmente a missão eleitoral da família

Com a convenção, Flávio Bolsonaro passou oficialmente a ser o candidato do PL à Presidência da República.

O senador apresentou sua candidatura como uma continuidade do projeto político de Jair Bolsonaro e reforçou a defesa do legado do pai.

A estratégia do partido é mobilizar a base bolsonarista e, ao mesmo tempo, buscar ampliar o apoio eleitoral para além do núcleo mais fiel do ex-presidente.

A candidatura ainda enfrenta desafios políticos, entre eles a necessidade de ampliar alianças, consolidar o apoio de diferentes setores da direita e definir a composição da chapa.

O nome do candidato a vice-presidente ainda não havia sido definido durante a convenção.

Jair Bolsonaro permanece como centro da campanha

Embora não tenha participado fisicamente da convenção, Jair Bolsonaro esteve presente em praticamente todos os discursos e manifestações políticas do evento.

O ex-presidente é tratado pelo PL como a principal liderança do campo político que Flávio pretende representar.

Mensagens de apoio foram exibidas ou enviadas por integrantes da família Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro participaram por meio de vídeos, enquanto Jair Renan Bolsonaro esteve presente na convenção.

A família, portanto, ocupou papel central na construção da narrativa de continuidade política.

A candidatura de Flávio foi apresentada como uma tentativa de preservar a influência do ex-presidente nas eleições de 2026, mesmo diante das restrições judiciais impostas a Jair Bolsonaro.

Valdemar Costa Neto reforça papel de Jair Bolsonaro no crescimento do PL

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também participou da convenção.

Durante sua fala, Valdemar exaltou Jair Bolsonaro e destacou a importância do ex-presidente para o crescimento do partido.

O dirigente também agradeceu a presença de Javier Milei no evento, reforçando o caráter internacional da candidatura de Flávio.

A presença de Valdemar foi importante para demonstrar que a direção nacional do PL está formalmente alinhada à candidatura presidencial do senador.

Tarcísio de Freitas aparece ao lado de Milei e Flávio

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também teve papel de destaque na agenda.

Tarcísio recebeu Javier Milei no Palácio dos Bandeirantes e participou da cerimônia de entrega da Ordem do Ipiranga.

Posteriormente, esteve ao lado do presidente argentino na convenção do PL.

A participação do governador reforçou a aproximação política entre ele e o campo bolsonarista, embora Tarcísio esteja concentrado em sua própria trajetória política no Estado de São Paulo.

A imagem de Tarcísio ao lado de Milei e Flávio Bolsonaro também foi uma das principais marcas políticas do evento.

Lula reage e fala em soberania nacional

Enquanto o PL realizava sua convenção em São Paulo, Luiz Inácio Lula da Silva participava de um evento do PT em Campinas.

O presidente criticou a participação de estrangeiros na política brasileira e afirmou que ninguém de fora deveria interferir nas eleições do país.

— Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições — afirmou Lula.

O presidente disse ainda que o futuro do Brasil deve ser decidido pelos próprios eleitores.

— Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores. O Brasil é soberano — declarou.

A fala foi interpretada como uma resposta política à presença de Javier Milei na convenção do PL e ao apoio explícito do presidente argentino à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Disputa entre Lula e Flávio ganha dimensão internacional

A convenção do PL ocorreu em um momento de forte polarização política no Brasil.

De um lado, Flávio Bolsonaro foi oficializado como candidato e recebeu apoio público de Javier Milei, além de mensagens de familiares e lideranças da direita.

Do outro, Lula reagiu defendendo a soberania brasileira e criticando a interferência de pessoas estrangeiras na disputa eleitoral.

A disputa também envolve o governador Tarcísio de Freitas, o ex-presidente Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Jair Renan Bolsonaro, Valdemar Costa Neto e outras lideranças do campo conservador.

No campo petista, Lula tem ao seu lado lideranças como Fernando Haddad, Márcio França, Simone Tebet e Marina Silva, que participam da articulação política em São Paulo e da estratégia de fortalecimento do grupo governista.

Uma convenção marcada por simbolismo e confronto

A oficialização de Flávio Bolsonaro pelo PL não foi apenas um ato partidário.

O evento foi cuidadosamente construído como uma demonstração de força do bolsonarismo, com a presença de uma liderança internacional, mensagens de apoio da família, defesa do legado de Jair Bolsonaro e ataques diretos ao governo Lula e ao Supremo Tribunal Federal.

A participação de Javier Milei deu ao encontro uma dimensão internacional inédita para a campanha de Flávio. O presidente argentino não apenas compareceu ao Brasil, mas participou de uma agenda oficial com Tarcísio de Freitas, recebeu a Ordem do Ipiranga e, posteriormente, subiu ao palco de uma convenção partidária para declarar apoio ao candidato brasileiro.

A ausência de Jair Bolsonaro, por sua vez, foi transformada em elemento central da narrativa política do evento. Mesmo impedido de comparecer, o ex-presidente foi apresentado como a figura que continua orientando o projeto eleitoral da família e do PL.

Com Michelle Bolsonaro enviando uma mensagem de apoio, Flávio recebendo o respaldo de Milei e o partido formalizando sua candidatura, a convenção marcou o início oficial de uma nova etapa da disputa presidencial de 2026.

A partir de agora, a campanha terá o desafio de transformar a força simbólica do sobrenome Bolsonaro e o apoio de seus aliados em uma candidatura capaz de conquistar eleitores além da base mais fiel do ex-presidente.

O palco foi montado em São Paulo. A candidatura foi oficializada. E, com Javier Milei ao lado, o bolsonarismo apresentou Flávio Bolsonaro como seu novo nome para a disputa pelo Palácio do Planalto.

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