PL quer substituir Michelle nos cuidados de Bolsonaro para liberá-la para campanha, diz Valdemar

PL quer substituir Michelle nos cuidados de Bolsonaro para liberá-la para campanha, diz Valdemar

Presidente do partido afirma que legenda busca autorização judicial para que outra pessoa assuma o acompanhamento de Jair Bolsonaro; objetivo é ampliar presença de Michelle na disputa pelo Senado e nos principais atos da campanha presidencial de Flávio

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (20) que a legenda pretende recorrer à Justiça para que Michelle Bolsonaro deixe de ser a responsável pelos cuidados de Jair Bolsonaro e possa se dedicar integralmente à campanha eleitoral de 2026.

Segundo Valdemar, a substituição dependeria de autorização do Poder Judiciário. A intenção do partido é liberar a ex-primeira-dama para disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal e, ao mesmo tempo, participar dos principais eventos da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Palácio do Planalto.

A declaração expõe uma nova dimensão da estratégia eleitoral do PL: a situação pessoal de Jair Bolsonaro passou a interferir diretamente na organização da campanha de seus familiares. Para a direção partidária, Michelle é considerada uma peça importante para mobilizar eleitores e fortalecer a candidatura de Flávio.

Valdemar quer autorização da Justiça

Em entrevista à CNN Brasil, Valdemar afirmou que o partido precisa obter autorização judicial para modificar a pessoa encarregada dos cuidados de Bolsonaro.

“Temos de conseguir autorização do Poder Judiciário para que ela seja substituída”, afirmou o presidente do PL.

De acordo com o dirigente, Michelle precisa de liberdade para cumprir duas tarefas eleitorais simultaneamente: fazer sua própria campanha ao Senado e comparecer aos principais comícios e eventos de Flávio.

A avaliação de Valdemar é que a participação da ex-primeira-dama pode representar um reforço importante para o candidato presidencial. Ele destacou o carisma de Michelle e sua capacidade de ajudar na divulgação do nome de Flávio.

O dirigente, porém, indicou que a ideia não seria transformar Michelle em presença permanente na agenda presidencial. A prioridade seria selecioná-la para os eventos considerados mais importantes pela campanha.

Jair Bolsonaro no centro da disputa

A questão envolve diretamente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar e enfrenta problemas de saúde. A eventual substituição de Michelle nos cuidados com o ex-presidente dependerá, portanto, das condições e determinações judiciais que disciplinam sua situação.

A discussão mostra como a condição de Bolsonaro continua sendo um dos principais fatores da campanha eleitoral do PL. Mesmo sem disputar diretamente a Presidência, o ex-presidente permanece como referência central para a estratégia do partido e para a candidatura de Flávio.

A legenda tenta, de um lado, garantir que Bolsonaro permaneça politicamente relevante e, de outro, organizar uma campanha capaz de transferir parte de sua força eleitoral para o filho.

Michelle ganha papel estratégico

Michelle não é apenas uma apoiadora de Flávio. Ela própria está em uma disputa eleitoral. A ex-primeira-dama é candidata ao Senado pelo Distrito Federal e precisa construir sua própria campanha, com agendas, eventos e contato direto com eleitores.

Ao mesmo tempo, sua presença é considerada importante para a campanha presidencial do enteado.

A situação cria uma equação delicada: Michelle precisa dividir seu tempo entre a campanha ao Senado, a campanha presidencial de Flávio e os cuidados com Jair Bolsonaro.

É justamente essa sobreposição de funções que levou Valdemar a defender uma mudança na rotina de cuidados do ex-presidente.

O presidente do PL afirmou ainda que a reconciliação entre Michelle e Flávio teve impacto eleitoral. Segundo ele, depois da reaproximação entre os dois, o senador teria crescido entre dois e três pontos percentuais nas pesquisas de intenção de voto.

Reaproximação entre Michelle e Flávio

A declaração de Valdemar ocorre poucos dias depois de uma tentativa pública de reconstrução da relação política entre Michelle e Flávio.

Os dois passaram semanas envolvidos em um ambiente de tensão, mas voltaram a aparecer juntos em vídeos de campanha. A reaproximação foi interpretada dentro do PL como uma oportunidade para apresentar uma imagem de unidade da família Bolsonaro durante a eleição.

A presença de Michelle ao lado de Flávio também tem uma função eleitoral específica. A ex-primeira-dama possui forte identificação com parcelas do eleitorado bolsonarista e é considerada especialmente relevante para a comunicação com mulheres e segmentos religiosos.

Para o PL, portanto, sua participação não se limita ao aspecto familiar. Ela é vista como um ativo eleitoral.

Flávio muda estratégia de campanha

Valdemar também comentou a mudança de posicionamento de Flávio Bolsonaro durante a campanha.

Segundo o presidente do PL, a alteração está relacionada à troca da equipe responsável pelo marketing eleitoral. O senador teria abandonado parte da estratégia de aproximação com o centro político e passado a enfatizar novamente uma comunicação mais diretamente associada ao bolsonarismo.

A mudança ocorre justamente no momento em que a campanha tenta consolidar Flávio como o principal representante eleitoral do projeto político de Jair Bolsonaro.

A presença de Michelle ajuda nessa estratégia porque permite associar o candidato não apenas ao sobrenome Bolsonaro, mas também à imagem familiar construída em torno do ex-presidente.

O desafio de transformar o sobrenome Bolsonaro em candidatura presidencial

A eleição de 2026 coloca o PL diante de uma tarefa complexa. Jair Bolsonaro continua sendo a principal referência política do grupo, mas quem disputa a Presidência é Flávio.

O partido precisa, portanto, transformar a popularidade e a identidade política do ex-presidente em votos para seu filho.

Nesse processo, cada integrante da família passa a desempenhar uma função. Flávio é o candidato ao Planalto; Michelle disputa o Senado e funciona como uma das principais figuras de mobilização; e Jair Bolsonaro permanece como referência política do movimento.

A tentativa de liberar Michelle dos cuidados pessoais do marido revela justamente o tamanho dessa operação eleitoral.

Uma decisão que mistura família, Justiça e estratégia eleitoral

A iniciativa de Valdemar coloca uma questão incomum no centro da campanha: a necessidade de autorização judicial para reorganizar quem acompanha Jair Bolsonaro em sua rotina de cuidados.

Para o PL, a medida permitiria que Michelle tivesse maior disponibilidade eleitoral. Para a Justiça, porém, qualquer alteração dependerá das regras impostas à prisão domiciliar e das condições específicas relacionadas ao acompanhamento do ex-presidente.

Não se trata, portanto, apenas de uma decisão partidária.

A disputa eleitoral passa a se encontrar diretamente com a situação judicial e pessoal de Bolsonaro.

Enquanto isso, Valdemar tenta preservar Michelle como uma das principais figuras da campanha. A intenção é concentrar sua participação nos grandes eventos, evitando que ela fique sobrecarregada com uma agenda eleitoral extensa.

O movimento deixa evidente que, para o PL, Michelle se tornou um personagem estratégico na tentativa de impulsionar Flávio Bolsonaro e fortalecer a presença da família na eleição de 2026. A questão agora é saber se a Justiça permitirá a substituição pretendida pelo partido e quem poderá assumir os cuidados de Jair Bolsonaro.

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