PL rejeita “acordão” e prepara ofensiva no Senado contra Moraes e Dino

PL rejeita “acordão” e prepara ofensiva no Senado contra Moraes e Dino

Partido Liberal considera impeachment de Alexandre de Moraes uma questão central para 2027 e avalia também responsabilização de Flávio Dino; legenda afirma ter 49 votos para Moraes e busca chegar aos 54 necessários

O Partido Liberal (PL) decidiu rejeitar qualquer eventual acordo político que, segundo apuração da CNN Brasil, esteja sendo articulado entre setores do Supremo Tribunal Federal (STF) e grupos ligados ao bolsonarismo. A legenda pretende manter para 2027 uma ofensiva no Senado pela abertura de processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes e também colocou Flávio Dino no radar, dependendo de sua atuação após o segundo turno das eleições.

A informação foi publicada em 6 de outubro de 2026 pelo jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil, e ocorre em meio à nova composição do Senado, que terá uma presença maior de parlamentares alinhados à direita. Segundo outra apuração da CNN, há estimativas dentro do próprio STF de aproximadamente 50 senadores favoráveis ao impeachment de ministros da Corte, o que aumentou a preocupação de integrantes do tribunal.

Moraes é apontado como principal alvo

Dentro do PL, Alexandre de Moraes aparece como o principal alvo da estratégia para 2027.

Segundo a apuração, o partido já trabalha com uma conta de 49 votos favoráveis ao impeachment de Moraes, número que, de acordo com a avaliação atribuída à legenda, deixaria faltarem cinco votos para alcançar os 54 necessários.

É importante destacar que essa contagem é uma estimativa política atribuída ao PL e não significa que os 49 senadores já estejam formalmente comprometidos com um processo ou que o impeachment esteja aprovado. A composição do Senado e as posições individuais dos parlamentares ainda podem produzir mudanças.

Por que o PL rejeita um eventual acordo

O ponto central da estratégia é a rejeição a uma negociação que envolva a permanência de Moraes no STF em troca de outras concessões políticas.

Segundo a apuração da CNN, setores ligados ao entorno de Flávio Bolsonaro interpretaram determinados movimentos de integrantes da Corte como possíveis sinais de abertura para diálogo.

Na leitura atribuída a esse grupo, um eventual entendimento poderia envolver temas como a situação judicial de Jair Bolsonaro e a anistia dos condenados pelos atos de 8 de Janeiro.

Essa interpretação, porém, deve ser tratada como avaliação de bastidores relatada pela imprensa, e não como um acordo formalmente apresentado ou confirmado pelo STF.

A apuração da CNN afirma que o PL não pretende aceitar essa possibilidade e deseja manter a discussão sobre Moraes no campo institucional do Senado e do próprio Supremo.

A questão envolvendo Jair Bolsonaro

A situação do ex-presidente Jair Bolsonaro está diretamente ligada ao ambiente político que envolve a disputa entre o PL e o STF.

A defesa do ex-presidente apresentou um novo pedido de revisão criminal, e o ministro Kassio Nunes Marques, relator, indicou que pretende levar o processo à análise depois do segundo turno.

A possibilidade de revisão da situação de Bolsonaro e a discussão sobre a anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro aparecem, portanto, no pano de fundo das conversas políticas relatadas nos bastidores.

Para o PL, entretanto, esses temas não seriam motivo suficiente para aceitar uma negociação que preservasse Moraes no cargo, segundo a apuração.

Michel Temer aparece como personagem importante

Outro personagem citado nesse cenário é o ex-presidente Michel Temer.

Temer manifestou apoio a Flávio Bolsonaro antes que outros partidos e candidatos derrotados no primeiro turno tomassem posição semelhante.

O fato ganhou importância política porque Temer foi responsável pela indicação de Alexandre de Moraes ao STF em 2017.

A CNN descreve Temer como uma espécie de elo político entre Moraes e a família Bolsonaro, embora isso não signifique que ele esteja participando de uma negociação formal entre o PL e o Supremo.

O PL prefere uma solução institucional para o caso Moraes

Apesar de preparar um processo de impeachment, o partido também trabalha com outra possibilidade.

Segundo a apuração, setores do PL defendem que o próprio STF deveria analisar eventuais questões envolvendo Moraes antes que o Senado avance com um processo político.

A hipótese citada envolve uma investigação relacionada à suposta relação do ministro com Daniel Vorcaro, empresário ligado ao Banco Master, e eventual afastamento de Moraes enquanto as apurações fossem realizadas.

Esse ponto envolve alegações e investigações que não equivalem, por si só, à comprovação de irregularidade ou crime. O tema continua sendo objeto de disputa política e jurídica.

Flávio Dino também entra no radar do PL

Além de Moraes, o PL passou a considerar Flávio Dino como possível alvo de um processo de impeachment.

A avaliação dependeria, segundo a apuração, de como Dino atuaria depois do segundo turno e diante de determinadas investigações.

Um dos cenários mencionados envolve eventual avanço em apurações sobre interferência estrangeira nas eleições brasileiras, caso isso fosse utilizado para questionar o resultado eleitoral.

Outro ponto citado é a manutenção de investigações sigilosas relacionadas a possíveis irregularidades na utilização de emendas parlamentares.

O PL avalia que determinadas iniciativas de Dino poderiam colocá-lo no centro de uma nova disputa institucional entre o Congresso e o Supremo.

O novo Senado muda a correlação de forças

A estratégia do PL está relacionada também à composição do Senado que emergiu das eleições.

O partido terá 19 senadores eleitos, tornando-se a maior bancada da Casa segundo os dados divulgados após o primeiro turno.

Outra apuração da CNN estimou que cerca de 50 senadores podem ser considerados favoráveis ao impeachment de ministros do STF. Moraes aparece como o principal alvo dessa mobilização.

Isso não significa, porém, que todos esses parlamentares votarão necessariamente da mesma maneira em qualquer processo. O impeachment exige uma sequência formal de procedimentos e votação, e posições políticas podem mudar conforme o conteúdo das denúncias, a admissibilidade e as articulações no Senado.

Rogério Marinho atua nas conversas com o STF

Enquanto o PL mantém a possibilidade de impeachment, o entorno de Flávio Bolsonaro também estabeleceu canais de diálogo.

Segundo a CNN, Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, procurou o ministro Gilmar Mendes, decano do STF, e também o ministro Cristiano Zanin, levando mensagens sobre a disposição para o diálogo.

Isso demonstra que duas frentes podem coexistir: de um lado, a manutenção de uma estratégia política de pressão e, de outro, a tentativa de preservar canais institucionais de comunicação.

O PL, contudo, rejeita o que considera um possível “acordão” envolvendo a permanência de ministros.

O que está em jogo para 2027

A disputa promete transformar a relação entre Congresso e STF em um dos principais temas institucionais de 2027.

Se o PL mantiver sua estratégia, o Senado poderá receber pedidos de impeachment contra ministros da Suprema Corte.

No caso de Moraes, a legenda afirma já contar com 49 votos em sua projeção interna e precisar de mais cinco para atingir os 54 que considera necessários.

No caso de Dino, a iniciativa dependerá de sua atuação futura e dos fatos que possam ser apresentados como fundamento para eventual pedido.

O cenário, portanto, ainda não representa um impeachment consumado, mas uma estratégia política anunciada e em preparação.

Uma disputa que ultrapassa nomes e alcança os limites entre os Poderes

A questão central não envolve apenas Alexandre de Moraes ou Flávio Dino.

O debate coloca novamente em primeiro plano os limites entre Judiciário, Legislativo e Executivo, especialmente quando decisões judiciais passam a ter consequências políticas e quando o Senado avalia a possibilidade constitucional de responsabilizar ministros do Supremo.

O impeachment de ministros do STF é um instrumento previsto no ordenamento brasileiro, mas sua utilização depende do cumprimento de procedimentos próprios e de uma decisão política do Senado.

Por isso, a existência de uma bancada numericamente forte não garante, sozinha, a abertura ou a aprovação de um processo.

PL mantém a pressão

O que o PL sinaliza neste momento é que não pretende trocar sua principal reivindicação institucional por um acordo político.

A legenda considera a situação de Moraes uma questão central e prepara a possibilidade de levar o tema ao Senado em 2027.

Ao mesmo tempo, Flávio Dino passou a ser incluído no radar, dependendo das decisões que tomar em temas considerados sensíveis pelo partido.

A nova composição do Senado, com crescimento da bancada do PL e de parlamentares de direita, tornou a possibilidade de um confronto institucional mais concreta, segundo as apurações da CNN.

O cenário para 2027

O quadro que se desenha é de forte disputa institucional:

  • PL: rejeita um eventual “acordão” e prepara ofensiva no Senado;
  • Alexandre de Moraes: aparece como principal alvo de um possível impeachment;
  • Flávio Dino: pode entrar na mira do partido dependendo de sua atuação;
  • Flávio Bolsonaro: está no centro da estratégia política do PL;
  • Jair Bolsonaro: permanece como um dos temas centrais nas discussões sobre revisão de sua situação judicial e anistia;
  • Rogério Marinho: atua como interlocutor do grupo de Flávio junto a integrantes do STF;
  • Gilmar Mendes e Cristiano Zanin: foram procurados para diálogo, segundo a CNN;
  • Michel Temer: manifestou apoio a Flávio e é citado pela relação política que teve com a indicação de Moraes ao STF;
  • Senado: será o espaço institucional decisivo caso pedidos de impeachment sejam efetivamente apresentados.

Assim, a ofensiva anunciada pelo PL não se resume a uma disputa pessoal contra ministros. Ela representa uma tentativa de alterar, a partir de 2027, a relação de forças entre o Congresso e o Supremo. O resultado dependerá dos procedimentos regimentais, das provas eventualmente apresentadas, das decisões individuais dos senadores e do comportamento dos próprios ministros diante do novo cenário político.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags