
Prefeito de cidade baiana ameaça demitir servidores que não apoiarem reeleição de Jerônimo Rodrigues
Em vídeo publicado nas redes sociais, Eraldo Félix, prefeito de Érico Cardoso (BA), afirma que funcionários municipais que não estiverem dispostos a “jogar no mesmo time” devem deixar a administração; declaração repercute em meio ao período pré-eleitoral
O prefeito de Érico Cardoso, no interior da Bahia, Eraldo Félix, provocou forte repercussão ao divulgar um vídeo nas redes sociais em que ameaça demitir servidores municipais que não apoiarem a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT). A gravação, publicada na quarta-feira (16), mostra o gestor ao lado do vice-prefeito Deivison Mendonça fazendo um discurso direcionado aos funcionários da administração municipal.
Durante a declaração, Eraldo afirma que aqueles que não estiverem dispostos a integrar o grupo político liderado por ele e pelo vice-prefeito devem deixar seus cargos antes do período eleitoral, sugerindo que poderá exonerar quem não apoiar o projeto político defendido pela gestão.
“Nós queremos deixar bem claro para a população de Água Quente (antigo nome de Érico Cardoso): aquele que não tiver a fim de fazer parte desse time, pede para sair logo agora. Porque a hora é agora, para não me dar sequer a decepção de ter que mandá-los embora”, afirmou.
Na sequência, o prefeito utilizou uma metáfora esportiva para reforçar o recado aos servidores.
“Aqui só tem um técnico: Eraldo e Deivison. Ou joga de acordo com o time que a gente escala, ou não faz parte do time”, declarou.
“Ou joga nesse time ou pede para sair”
Em outro trecho do vídeo, Eraldo Félix reforça que considera necessário o alinhamento político dos integrantes da administração municipal durante o período eleitoral.
Segundo ele, a população será responsável por decidir o futuro político da cidade nas urnas, mas os servidores devem atuar em favor do grupo político que administra o município.
“Não será só Eraldo e Deivison que irão às urnas. A população de Água Quente é quem vai às urnas para defender essa cidade. As regras precisam ficar claras. Ou você joga contra o gol do adversário, ou eu jamais vou admitir que você queira fazer gol contra.”
O prefeito concluiu a fala reiterando que, se considerar necessário, poderá promover demissões.
“Eu não quero ter a tristeza de mandar embora, mas, se necessário for, pode ter certeza que farei com a maior serenidade e tranquilidade possível.”
Promessa de obras do governo estadual
Durante a gravação, Eraldo Félix também mencionou uma conversa que teve com o governador Jerônimo Rodrigues sobre investimentos para o município.
Segundo o prefeito, o governo estadual teria se comprometido a executar a pavimentação da estrada que liga a sede de Érico Cardoso à comunidade de Morro do Fogo, local onde tradicionalmente ocorre a romaria e a festa de Nossa Senhora do Carmo.
“Já estive com Jerônimo, já tratamos do assunto e, com a permissão de Deus, haverá de chegar também esse novo sonho”, afirmou o prefeito ao mencionar a obra.
Repercussão nas redes sociais
As declarações rapidamente passaram a circular nas redes sociais, sendo compartilhadas por perfis de diferentes posicionamentos políticos e provocando críticas e debates sobre o conteúdo da fala do prefeito.
O caso ganhou repercussão por ocorrer em um contexto de pré-campanha eleitoral, período em que agentes públicos passam a ser acompanhados com maior atenção pelos órgãos responsáveis pela fiscalização do processo eleitoral.
Até o momento da divulgação das reportagens, o governador Jerônimo Rodrigues não havia se manifestado publicamente sobre as declarações do prefeito.
Contexto político
Érico Cardoso é um município localizado no sudoeste da Bahia e era conhecido anteriormente como Água Quente, nome citado diversas vezes por Eraldo Félix durante o vídeo.
Eleito para o primeiro mandato, o prefeito tem declarado apoio à reeleição de Jerônimo Rodrigues e procurou associar esse alinhamento político às expectativas de novos investimentos estaduais para o município.
As declarações do gestor ocorreram poucos meses antes das eleições de 2026 e passaram a integrar o debate político no estado, levantando questionamentos sobre o uso do discurso político em relação aos servidores públicos municipais e aos limites da atuação de agentes públicos durante o período eleitoral.