
Presidente do Remo chama Neymar de “vagabundo” após eliminação, mas camisa 10 deixa Belém com a classificação
Antônio Carlos Teixeira, o Tonhão, reage duramente às provocações do atacante depois da vitória do Santos no Mangueirão; em uma noite de nervos à flor da pele, Neymar respondeu às hostilidades, provocou os adversários — e saiu de campo com aquilo que mais pesa no futebol: a vaga nas quartas de final.
Belém (PA) — No futebol, algumas discussões terminam no microfone. Outras, no túnel dos vestiários. Mas a resposta que permanece na tabela costuma ser mais simples: quem passou e quem ficou pelo caminho.
Na noite de terça-feira (4), no Mangueirão, o Santos venceu o Remo por 1 a 0 e avançou às quartas de final da Copa do Brasil. O resultado, porém, foi apenas o começo de uma segunda partida — desta vez disputada longe da bola.
No centro da confusão estava Neymar.
O camisa 10 santista deixou o gramado sob hostilidade e respondeu. Gritou, gesticulou, provocou e repetiu diante de integrantes do Remo palavras que resumiam a situação esportiva daquela noite: “eliminado” e “aqui é Santos”.
O ambiente rapidamente esquentou.
Grades que separavam os grupos chegaram a ser derrubadas em meio à movimentação de torcedores e integrantes da delegação paraense, enquanto funcionários do Santos procuravam controlar a situação e conduzir seus jogadores para a área interna do estádio.
Neymar, em vez de ignorar as provocações, entrou no jogo verbal.
E foi justamente essa postura que despertou uma reação particularmente dura do presidente do Remo, Antônio Carlos Teixeira, o Tonhão.
Presidente do Remo parte para o ataque
Depois da eliminação, Tonhão não economizou palavras.
Ao comentar o episódio, o dirigente chamou Neymar de “vagabundo” e criticou o comportamento do atacante, argumentando que um jogador idolatrado por crianças deveria agir de maneira diferente.
O presidente também reclamou da arbitragem e demonstrou frustração com a maneira como terminou a participação do Remo na competição.
Em sua declaração mais contundente, Tonhão afirmou:
“E esse vagabundo desse Neymar, que é idolatrado por um bando de criança, que fez as palhaçadas dele aqui, ainda veio provocar.”
A frase transformou uma discussão ocorrida nos corredores do Mangueirão em assunto nacional.
É importante separar, porém, declaração de fato: “vagabundo” foi o insulto empregado pelo dirigente do Remo contra Neymar, em meio ao calor da eliminação. Não se trata de uma descrição objetiva do jogador.
A ironia do futebol: Neymar saiu classificado
Se o comportamento de Neymar depois da partida pode ser discutido, o resultado esportivo oferece pouco espaço para interpretação.
O Santos está nas quartas de final.
Depois do empate por 0 a 0 na Vila Belmiro, o Peixe precisava vencer no Pará para evitar a disputa por pênaltis. Diante de um Mangueirão pressionando, conseguiu o resultado necessário: 1 a 0, com gol de Rony.
O Remo ainda sofreu uma baixa importante durante o confronto, com a expulsão do zagueiro Marllon no primeiro tempo.
Foi uma partida difícil, carregada de tensão e com enorme pressão das arquibancadas.
E Neymar estava justamente no centro desse ambiente.
Não marcou o gol da classificação, mas carregava naturalmente os holofotes. É o jogador mais famoso em campo, a principal referência técnica e midiática do Santos e, inevitavelmente, o atleta sobre quem recaem as maiores provocações.
Desta vez, decidiu responder.
Neymar não ofereceu a outra face
Há jogadores que, diante da provocação, abaixam a cabeça e seguem para o vestiário.
Neymar não escolheu esse caminho.
Nas imagens que circularam após a partida, o atacante aparece comemorando ostensivamente e respondendo aos adversários. A palavra “eliminado” foi repetida como provocação direta.
Também houve gestos e uma dança em meio ao clima hostil.
Pode-se discutir se uma estrela do tamanho de Neymar deveria ter evitado a confusão. Pode-se questionar se a provocação era necessária depois de uma classificação já conquistada.
Mas existe também uma realidade característica do futebol: provocação quase sempre procura uma resposta — e, naquela noite, encontrou.
Neymar foi hostilizado e devolveu a hostilidade.
O problema é que, quando se trata de Neymar, dificilmente uma discussão permanece pequena.
De uma vitória para uma guerra de palavras
O episódio acabou ofuscando parte daquilo que deveria ser o assunto principal da noite: a classificação do Santos.
O Peixe enfrentou um adversário empurrado pela torcida, suportou a pressão no Mangueirão e encontrou o gol necessário para continuar sonhando com o título da Copa do Brasil.
O Remo, por sua vez, encerrou sua participação depois de uma campanha que seu próprio presidente classificou como grande.
A eliminação do clube paraense, entretanto, terminou acompanhada por reclamações, provocações e insultos.
De um lado, Neymar respondeu aos adversários com gritos de “eliminado” e “aqui é Santos”.
Do outro, o presidente do Remo respondeu chamando o astro santista de “vagabundo”.
E assim uma partida de Copa do Brasil ganhou um terceiro tempo.
No fim, a provocação que mais dói é a classificação
Neymar certamente poderia ter atravessado o corredor, entrado no vestiário e encerrado a história ali.
Não fez isso.
Preferiu responder.
Tonhão também poderia ter condenado a atitude do jogador utilizando palavras mais moderadas.
Também não fez.
Preferiu responder com um ataque pessoal.
O resultado foi um daqueles episódios em que o futebol ultrapassa as quatro linhas e vira espetáculo de gestos, gritos e ressentimentos.
Só existe uma diferença impossível de apagar no meio da discussão.
Quando as provocações acabaram, quando os celulares pararam de gravar e quando cada delegação seguiu para seu vestiário, o placar continuava marcando Remo 0 x 1 Santos.
O Remo deixou a Copa do Brasil.
Neymar e o Santos continuaram nela.
Em uma noite na qual muita gente quis ter a última palavra, o camisa 10 não precisou marcar para sair do Mangueirão vencedor: a classificação já falava por ele.