
PT aciona Tribunal Superior Eleitoral contra Flávio Bolsonaro por vídeo com IA em paródia de Top Gun
Federação liderada pelo Partido dos Trabalhadores acusa Flávio Bolsonaro de propaganda negativa e uso de inteligência artificial para associar o partido ao crime organizado; senador defende conteúdo e reforça tom crítico ao PT
A Federação Brasil da Esperança — formada por PT, PCdoB e PV — levou ao Tribunal Superior Eleitoral uma ação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por conta de um vídeo produzido com inteligência artificial que viralizou nas redes sociais. O material, em formato de paródia inspirado no filme Top Gun, é acusado de ultrapassar os limites da propaganda política ao fazer associações diretas entre o Partido dos Trabalhadores e facções criminosas.
Segundo a ação apresentada ao TSE, o conteúdo teria caráter de propaganda eleitoral antecipada negativa e uso de “deepfake” para distorcer a imagem de adversários políticos. Para a federação, esse tipo de prática compromete a integridade do processo eleitoral e amplia a desinformação em um ambiente já marcado por forte polarização.
No vídeo, Flávio Bolsonaro aparece ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro em uma aeronave militar, em uma encenação estilizada de combate aéreo. As imagens mostram embarcações identificadas com siglas de organizações criminosas como PCC e Comando Vermelho sendo atingidas. Em seguida, surge um terceiro barco com a sigla do PT, que recua da cena, elemento central da crítica feita pelo partido.
A oposição sustenta que a peça visual extrapola o debate político ao sugerir, de forma indireta, uma ligação institucional entre o PT e o crime organizado — algo que a legenda considera ofensivo e juridicamente sensível no contexto eleitoral.
Do outro lado, aliados de Flávio Bolsonaro defendem o vídeo como uma peça de comunicação política e crítica ao governo e à esquerda, argumentando que se trata de uma linguagem satírica e de forte apelo visual, cada vez mais comum em campanhas digitais. Para esse grupo, a reação do PT ao acionar o TSE seria uma tentativa de censurar conteúdo político adverso.
O episódio ocorre em meio ao avanço do uso de inteligência artificial nas disputas eleitorais, tema que vem gerando preocupação crescente na Justiça Eleitoral brasileira. O próprio TSE tem reforçado regras sobre conteúdos sintéticos e manipulação de imagem, especialmente em períodos pré-eleitorais.
A federação pede medidas urgentes para retirada do vídeo das redes sociais e eventual punição por abuso de comunicação digital, enquanto o caso agora aguarda análise da Justiça Eleitoral.
No centro da disputa, o episódio reforça como IA, humor político e propaganda digital estão cada vez mais entrelaçados — e como a linha entre crítica, sátira e desinformação segue sendo um dos principais pontos de tensão na política brasileira atual.