Republicanos encerra candidatura de Cleitinho ao governo de Minas após sequência de indefinições

Republicanos encerra candidatura de Cleitinho ao governo de Minas após sequência de indefinições

Marcos Pereira afirma que senador não assumiu liderança do próprio projeto eleitoral e diz que partido não poderia manter uma candidatura marcada por dúvidas; Cleitinho tenta reverter decisão e pede nova oportunidad

A direção nacional do Republicanos decidiu retirar o apoio à candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) ao governo de Minas Gerais após uma série de impasses envolvendo a confirmação do projeto eleitoral. A justificativa apresentada pelo presidente nacional da legenda, deputado federal Marcos Pereira (Republicanos-SP), foi de que as sucessivas mudanças de posição do senador comprometeram a organização da campanha e geraram insegurança entre aliados.

Em um pronunciamento de aproximadamente 30 minutos, divulgado pelo canal oficial do partido, Pereira detalhou a cronologia das negociações e afirmou que a legenda ofereceu diversas oportunidades para que Cleitinho assumisse oficialmente a candidatura.

Segundo o dirigente, o problema não teria sido falta de apoio político, mas a ausência de uma decisão definitiva por parte do senador.

“Não podemos brincar com Minas”, diz presidente do Republicanos

Durante a manifestação, Marcos Pereira afirmou que a direção partidária precisava tomar uma decisão diante da proximidade do encerramento das convenções eleitorais.

Segundo ele, uma candidatura ao governo estadual exige planejamento, alianças, estrutura de campanha e segurança por parte do candidato.

Pereira afirmou que Cleitinho demonstrou dúvidas em diferentes momentos, alternando declarações de candidatura e desistência.

“O Cleitinho sempre foi o candidato de todos os republicanos, do PL, dos presidentes nacionais do União e do Progressistas. Todos declararam que apoiariam o senador Cleitinho. Talvez ele não tenha sido candidato de si mesmo”, declarou.

Para o presidente do partido, o senador teria recebido apoio suficiente de diferentes grupos políticos, mas não teria assumido plenamente o papel de líder do projeto.

Prazos adiados e ausência em convenção

De acordo com Marcos Pereira, o Republicanos teria flexibilizado os prazos para que Cleitinho pudesse definir sua participação na disputa.

O dirigente afirmou que o partido levou em consideração a morte do irmão do senador, Matheus Azevedo, vítima de câncer, e aceitou pedidos de adiamento para que ele pudesse lidar com o momento pessoal.

Segundo Pereira, inicialmente Cleitinho teria pedido para que a decisão fosse tomada após a Copa do Mundo. Depois, diante do falecimento do irmão, o prazo teria sido novamente ampliado.

Mesmo assim, o senador não teria comparecido à convenção estadual do Republicanos em Minas Gerais, realizada em 25 de julho, nem enviado uma procuração autorizando a homologação de sua candidatura.

“O senador Cleitinho não aceitou nem comparecer e nem enviar a carta com a procuração dizendo que era candidato”, afirmou Pereira.

Reunião de cinco horas terminou sem acordo

Um dos episódios destacados por Marcos Pereira foi uma reunião realizada em São José dos Campos (SP), que contou com a presença de Cleitinho, do presidente estadual do Republicanos em Minas, deputado federal Euclydes Pettersen, do deputado estadual Carlos Henrique, do deputado federal Milton Vieira (SP) e do ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão.

Segundo Pereira, o encontro durou cerca de cinco horas e teve como objetivo convencer o senador a assumir definitivamente a candidatura.

O presidente nacional do Republicanos afirmou que utilizou sua experiência de mais de 15 anos no comando da legenda para orientar Cleitinho sobre os desafios de uma disputa pelo governo estadual.

Após a reunião, porém, Pereira disse ter saído frustrado.

“A sensação que eu tive ao término dessas cinco horas é que eu perdi cinco horas da minha família e da minha vida”, afirmou.

Cleitinho tenta reverter decisão

Após o anúncio do partido, Cleitinho fez um apelo público para que o Republicanos reconsiderasse a decisão e autorizasse sua candidatura ao Palácio Tiradentes.

O pedido, porém, foi rejeitado por Marcos Pereira, que afirmou que o assunto estava encerrado.

O senador argumenta que ainda tem interesse em disputar o governo de Minas e tenta mobilizar aliados para reabrir o diálogo dentro da legenda.

Busca por um plano alternativo

Diante das incertezas, Marcos Pereira afirmou que o Republicanos autorizou a construção de uma alternativa eleitoral para Minas Gerais.

Segundo ele, o presidente estadual do partido, Euclydes Pettersen, informou que Cleitinho teria autorizado a busca por um “plano B”, já que ainda não havia confirmado sua candidatura.

A partir disso, a legenda iniciou conversas com o ex-secretário estadual Marcelo Aro (PP).

As negociações avançaram, mas encontraram dificuldades devido a novas exigências da federação União Progressista, segundo Pereira.

Impacto político em Minas Gerais

A saída de Cleitinho do projeto do Republicanos altera o cenário da disputa pelo governo de Minas Gerais em 2026.

O senador era considerado uma das principais apostas do partido para a eleição estadual e reunia apoio declarado de setores ligados ao PL, ao União Brasil e ao Progressistas.

Agora, a legenda busca reorganizar sua estratégia enquanto Cleitinho tenta recuperar espaço político e manter viva a possibilidade de disputar o governo mineiro.

Até o momento, a decisão do Republicanos representa um dos principais movimentos da pré-campanha em Minas Gerais e revela a disputa interna por alianças e protagonismo na corrida eleitoral de 2026.

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