
Ricardo Nunes leva camisetas de apoio a André Mendonça e reforça pressão política no ato de Flávio Bolsonaro
Prefeito de São Paulo participou da mobilização na Avenida Paulista e levou peças com mensagens de solidariedade ao ministro do STF; gesto ocorre em meio à crise entre André Mendonça e Alexandre de Moraes
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), decidiu transformar sua participação no ato de 7 de Setembro realizado na Avenida Paulista em um gesto público de apoio ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Para a manifestação liderada pelo senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Nunes levou camisetas com mensagens favoráveis ao magistrado, em uma demonstração que ganhou significado político diante da crescente crise interna na Suprema Corte.
As camisetas traziam mensagens como “#ForçaMendonça” e “O povo brasileiro de bem está com André Mendonça”. Segundo relatos divulgados antes do evento, Nunes recebeu as peças de integrantes da Igreja Católica e informou que pretendia distribuí-las durante a manifestação. A quantidade mencionada foi de aproximadamente 20 camisetas.
O gesto do prefeito ocorreu em um momento particularmente delicado para o STF. André Mendonça passou a ocupar posição de destaque no debate político depois de decisões e manifestações relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Ricardo Nunes e o apoio a André Mendonça
A presença de Ricardo Nunes no ato tinha, portanto, duas dimensões. A primeira era política: o prefeito acompanhava uma mobilização organizada em torno de pautas defendidas pelo campo bolsonarista, que tinha como principais alvos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Alexandre de Moraes.
A segunda dimensão estava relacionada especificamente a André Mendonça.
Ao levar camisetas com mensagens de apoio ao ministro, Nunes ajudou a transformar a defesa de Mendonça em um dos elementos visuais da manifestação. A iniciativa não representou apenas uma manifestação individual de simpatia: inseriu o prefeito de São Paulo em uma mobilização que vinha sendo construída por setores conservadores em defesa do ministro indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
O gesto ganhou ainda mais visibilidade porque Mendonça passou a ser apresentado pelos organizadores e apoiadores como uma espécie de contraponto institucional a Alexandre de Moraes.
Por que André Mendonça se tornou personagem central
A ascensão de André Mendonça como personagem do ato está diretamente ligada ao conflito institucional que se intensificou dentro do STF.
Mendonça ganhou projeção após retirar o sigilo de mensagens relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro e a Alexandre de Moraes. A divulgação dessas informações alimentou questionamentos políticos sobre as relações entre autoridades e empresários e provocou uma reação de Moraes.
O episódio transformou Mendonça em alvo de apoio de setores da direita, especialmente porque ele foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro em 2021 e é visto por parte desse eleitorado como um ministro que passou a enfrentar uma estrutura interna da Corte.
É importante ressaltar que as acusações e interpretações relacionadas às mensagens, aos contatos e às investigações permanecem no campo das apurações e das disputas institucionais. O apoio político a Mendonça não equivale, por si só, a uma conclusão judicial sobre eventual responsabilidade de qualquer ministro.
Flávio Bolsonaro transforma a crise do STF em bandeira eleitoral
O ato na Avenida Paulista foi convocado por Flávio Bolsonaro em um momento no qual a crise envolvendo o Supremo passou a ocupar espaço central na campanha eleitoral de 2026.
O senador, candidato à Presidência pelo Partido Liberal, colocou Alexandre de Moraes entre os principais alvos de seu discurso. Durante a manifestação, Flávio atacou Moraes e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que, caso seja eleito, pretende indicar cinco novos ministros para o Supremo ao longo de seu mandato.
Nesse cenário, o apoio a André Mendonça adquiriu uma dimensão simbólica. De um lado estava Moraes, transformado pela campanha de Flávio em símbolo do conflito com o Judiciário. Do outro, Mendonça aparecia como o ministro que recebia homenagens, orações, camisetas e manifestações de solidariedade de integrantes da direita.
A camiseta levada por Nunes acabou funcionando como um símbolo simples dessa disputa política.
O significado da camiseta
Em manifestações políticas, símbolos visuais desempenham papel importante. Uma camiseta com uma hashtag pode não possuir qualquer efeito jurídico ou institucional, mas consegue transmitir uma mensagem imediatamente compreensível.
No caso de Nunes, a frase “#ForçaMendonça” procurava demonstrar solidariedade ao ministro em meio à crise.
Já a frase “O povo brasileiro de bem está com André Mendonça” apresentava a defesa do magistrado como uma causa popular, associando sua imagem à ideia de apoio da sociedade. Essa formulação, entretanto, representa uma mensagem política estampada na camiseta e não uma medição objetiva da opinião de todos os brasileiros.
A estratégia é conhecida na política: transformar uma disputa institucional complexa em uma mensagem visual fácil de reproduzir e compartilhar.
Nunes, Flávio e a direita paulista
A presença de Ricardo Nunes também revela a aproximação política do prefeito com setores importantes da direita paulista.
Nunes, do MDB, participou do ato ao lado de Flávio Bolsonaro e de outras lideranças políticas que criticaram Lula e Alexandre de Moraes. A mobilização contou ainda com nomes como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), o pastor Silas Malafaia e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Apesar de diferentes graus de intensidade nos discursos, o eixo político da manifestação foi bastante definido: críticas ao governo Lula, questionamentos à atuação do STF e defesa de pautas associadas ao bolsonarismo.
Nesse ambiente, Nunes não apareceu apenas como prefeito da capital paulista. Sua presença também foi interpretada como um gesto de alinhamento com o campo político que tomou a Paulista como palco da mobilização nacional da direita.
A disputa entre Mendonça e Moraes
O pano de fundo de toda a mobilização é a crescente tensão entre André Mendonça e Alexandre de Moraes.
Nos últimos dias, Mendonça também determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, após identificar elementos que, segundo sua decisão, indicariam monitoramento ilegal. A Segunda Turma do STF formou maioria para manter a decisão, embora o ministro Gilmar Mendes tenha pedido vista.
O episódio ampliou ainda mais a crise institucional.
A disputa deixou de envolver somente interpretações sobre documentos relacionados ao Banco Master e passou a alcançar diretamente a Polícia Federal, ministros do Supremo e integrantes do governo federal.
Para setores da oposição, Mendonça passou a representar uma tentativa de ampliar as investigações e expor questões que, segundo essa visão, precisariam ser esclarecidas. Já críticos de suas decisões questionam a extensão de suas medidas e suas consequências institucionais.
O prefeito no centro de uma disputa nacional
Ao levar as camisetas para a Paulista, Ricardo Nunes acabou participando de uma disputa muito maior do que a política municipal.
O prefeito colocou sua imagem ao lado de uma das principais bandeiras do ato: a defesa de André Mendonça. A iniciativa ocorreu justamente em uma manifestação que tinha como uma de suas principais mensagens a contestação à atuação de Alexandre de Moraes.
O gesto, embora pequeno em quantidade — cerca de 20 camisetas —, ganhou dimensão simbólica porque partiu do prefeito da maior cidade do país.
Não se tratava, portanto, de uma distribuição em massa capaz de alterar o tamanho da manifestação. O peso estava na mensagem política.
Um ato marcado por símbolos
A manifestação de 7 de Setembro na Paulista foi construída sobre símbolos: bandeiras do Brasil, cartazes contra Lula, críticas a Alexandre de Moraes, apoio a Jair Bolsonaro e, naquele momento, camisetas defendendo André Mendonça.
A própria organização do evento procurou transformar o ministro em um dos personagens da mobilização. Mendonça recebeu cantos, orações e outras manifestações públicas de apoio durante o ato.
A presença das camisetas produzidas ou obtidas por Nunes acrescentou mais uma camada à estratégia.
O cálculo político de Ricardo Nunes
Para Ricardo Nunes, o gesto também possui significado político local. Como prefeito de São Paulo, sua participação em uma manifestação desse perfil demonstra proximidade com uma parcela importante do eleitorado conservador da capital e do estado.
Ao mesmo tempo, Nunes manteve sua identidade partidária no MDB e não se confunde formalmente com o Partido Liberal de Flávio Bolsonaro.
Sua participação, portanto, pode ser lida como uma tentativa de ocupar um espaço político dentro da direita paulista sem necessariamente abandonar a estrutura partidária própria.
O apoio a Mendonça funcionou como uma bandeira capaz de aproximar diferentes grupos: bolsonaristas, setores religiosos e políticos que defendem uma atuação mais dura do Congresso diante de decisões do STF.
Mendonça como símbolo político
André Mendonça, por sua vez, passou de ministro relativamente discreto a personagem central de uma das maiores disputas institucionais do momento.
Indicado por Jair Bolsonaro para o STF, Mendonça agora recebe apoio explícito de políticos ligados ao campo que levou seu padrinho político à Presidência em 2018.
A imagem é politicamente poderosa: um ministro escolhido por Bolsonaro sendo defendido publicamente pelo filho do ex-presidente, por lideranças religiosas, por políticos conservadores e, no caso de São Paulo, pelo próprio prefeito da capital.
Isso ajuda a explicar por que uma simples camiseta ganhou espaço na cobertura política do 7 de Setembro.
A mensagem que ficou
O episódio protagonizado por Ricardo Nunes mostra como a crise do STF ultrapassou os limites dos tribunais e entrou definitivamente no território da disputa eleitoral.
Flávio Bolsonaro transformou Alexandre de Moraes em um dos principais adversários de sua campanha. André Mendonça passou a ser apresentado por seus apoiadores como uma figura a ser protegida. E Ricardo Nunes, ao levar camisetas com mensagens de apoio ao ministro, ajudou a materializar essa narrativa na Avenida Paulista.
A cena resume o ambiente político brasileiro em setembro de 2026: um prefeito, um candidato à Presidência, um ministro do Supremo e uma disputa institucional que já se tornou peça importante da campanha eleitoral.
Mais do que a quantidade de camisetas distribuídas, o gesto de Nunes representou uma mensagem política: em meio à batalha pelo futuro do STF e às acusações cruzadas envolvendo seus integrantes, setores da direita decidiram transformar André Mendonça em símbolo de resistência institucional e política.
E, na Paulista, essa mensagem ganhou uma forma simples, direta e impossível de ignorar: uma camiseta amarela, uma hashtag e o nome de um ministro do Supremo no centro de uma das manifestações políticas mais importantes do 7 de Setembro de 2026.