Show de Zezé Di Camargo troca “13” por “12+1” e provoca repercussão nas redes sociais em ano eleitoral

Show de Zezé Di Camargo troca “13” por “12+1” e provoca repercussão nas redes sociais em ano eleitoral

Apresentação de evento em Rio Verde, Goiás, substituiu a forma tradicional da data por uma soma; escolha chamou atenção pela associação do número 13 ao PT e a Lula, mas não há confirmação de motivação política

Uma simples mudança na forma de escrever uma data acabou transformando a divulgação de um show sertanejo em assunto político nas redes sociais. O material publicitário de uma apresentação de Zezé Di Camargo, marcada para 13 de novembro, em Rio Verde, no sudoeste de Goiás, apresentou a data como “12+1 de novembro”.

A escolha gráfica provocou comentários e especulações entre internautas, especialmente porque o Brasil vive o ano das eleições de 2026 e o número 13 é tradicionalmente associado ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O episódio ganhou ainda mais repercussão devido ao histórico recente de manifestações políticas de Zezé Di Camargo, conhecido por posicionamentos públicos alinhados à direita.

Apesar da repercussão, há um ponto importante: a arte não foi produzida pela equipe do cantor. O material foi elaborado e divulgado pela Aê Eventos, empresa responsável pela organização do espetáculo em Rio Verde. Até o momento das reportagens, a produtora não havia explicado publicamente por que decidiu utilizar “12+1” em vez de simplesmente escrever “13”.

Também não havia confirmação de que a escolha tivesse qualquer relação com política.

A data que virou assunto político

Matematicamente, não existe qualquer alteração na data. 12+1 é 13.

O que mudou foi a maneira de apresentar o número.

A escolha poderia ser apenas uma decisão estética ou publicitária, mas acabou ganhando outra dimensão porque o número 13 possui forte significado político no Brasil.

Nas eleições presidenciais de 2022, por exemplo, a candidatura de Lula utilizou o número 13, identificação historicamente vinculada ao PT nas disputas eleitorais.

Em 2026, portanto, a substituição de “13” por “12+1” imediatamente despertou interpretações políticas entre usuários das redes sociais.

O anúncio, contudo, não trazia, segundo as informações divulgadas, qualquer declaração explícita contra Lula, contra o PT ou a favor de outro candidato.

Zezé Di Camargo não foi responsável pela arte

Um dos principais esclarecimentos sobre o episódio diz respeito à autoria do material.

A peça de divulgação não foi criada pela equipe de Zezé Di Camargo.

A responsável pela produção e divulgação do anúncio foi a Aê Eventos, empresa encarregada da realização do show em Rio Verde.

Esse detalhe é fundamental para a compreensão do caso porque, embora a imagem esteja relacionada a uma apresentação do cantor, não há evidência apresentada nas reportagens de que Zezé tenha determinado a substituição do número.

A produtora também não havia apresentado uma justificativa pública para a utilização da expressão “12+1”.

Dessa maneira, atribuir diretamente ao cantor uma decisão tomada na criação da peça publicitária seria ir além das informações disponíveis.

O show está marcado para 13 de novembro

A apresentação continua prevista para 13 de novembro de 2026, em Rio Verde, Goiás.

A única alteração observada foi a maneira como o dia apareceu no material promocional.

O evento acontece em uma cidade que possui forte presença do agronegócio e onde o eleitorado demonstrou, nas últimas eleições presidenciais, expressiva preferência pelo então candidato Jair Bolsonaro.

Segundo os dados citados pelo Metrópoles, Bolsonaro recebeu 61,90% dos votos válidos em Rio Verde no segundo turno das eleições de 2022.

O dado ajuda a contextualizar o ambiente político no qual a imagem repercutiu, mas não comprova qualquer relação entre o anúncio do show e uma estratégia eleitoral.

O histórico político de Zezé

A repercussão também foi impulsionada pelo histórico recente do cantor.

Zezé Di Camargo protagonizou, no fim de 2025, uma discussão pública envolvendo o SBT, depois de criticar a presença de Lula e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um evento institucional da emissora.

Na ocasião, o cantor publicou um vídeo em que criticou a mudança de posicionamento que, segundo sua percepção, estaria ocorrendo dentro da emissora.

A manifestação ocorreu em 12 de dezembro de 2025.

No vídeo, Zezé afirmou que não concordava com a postura que atribuía às filhas de Silvio Santos e disse que não queria participar de um projeto que, na sua avaliação, representaria uma maneira de pensar diferente daquela que defendia.

O cantor chegou a pedir publicamente ao SBT que retirasse do ar seu especial de Natal.

Posteriormente, a emissora cancelou o especial.

A fala que provocou o rompimento

Na manifestação, Zezé criticou a presença de Lula e Alexandre de Moraes na inauguração do SBT News.

O cantor também fez referência à família de Silvio Santos e afirmou que, para ele, filhos deveriam honrar pai e mãe.

Em seguida, solicitou que seu especial natalino não fosse exibido.

A declaração transformou uma questão de programação televisiva em uma discussão política e cultural nas redes sociais.

O episódio também passou a integrar o histórico de manifestações políticas do artista frequentemente lembrado pelos comentários sobre o cenário nacional.

Reflexos políticos chegaram aos shows

As manifestações de Zezé também tiveram consequências no debate sobre apresentações financiadas pelo poder público.

Segundo as reportagens citadas pelo Metrópoles, algumas prefeituras suspenderam apresentações contratadas com recursos públicos depois da repercussão das declarações.

Um dos episódios mencionados ocorreu durante a Festa de Reis, em São José do Egito, Pernambuco.

Esses episódios ajudam a explicar por que qualquer elemento relacionado à política em uma divulgação envolvendo o cantor pode gerar reação imediata nas redes.

Mas novamente é necessário separar fatos de interpretações: o histórico político de Zezé explica parte da repercussão, mas não prova que “12+1” tenha sido uma escolha política.

Rio Verde e o cenário eleitoral

Rio Verde é um dos principais municípios do agronegócio em Goiás e possui peso econômico e político na região.

Nas eleições presidenciais de 2022, o município apresentou uma vantagem expressiva para Jair Bolsonaro no segundo turno: 61,90% dos votos válidos, conforme os dados citados nas reportagens.

O resultado contribuiu para que a cidade fosse frequentemente associada ao eleitorado conservador do estado.

Em 2026, com a proximidade do calendário eleitoral, símbolos e números que possuem significado político passaram a receber atenção adicional nas redes sociais.

É nesse contexto que a utilização de “12+1” ganhou uma interpretação que provavelmente não teria a mesma repercussão fora de um período eleitoral.

O que se sabe e o que não se sabe

Até o momento, os elementos conhecidos são objetivos:

  • o show de Zezé Di Camargo está previsto para 13 de novembro de 2026;
  • o evento será realizado em Rio Verde (GO);
  • o material publicitário escreveu “12+1 de novembro”;
  • a arte foi produzida e divulgada pela Aê Eventos;
  • a equipe do cantor não foi apontada como autora da peça;
  • a produtora não havia explicado publicamente a razão da escolha;
  • o número 13 possui associação histórica com o PT e com a candidatura de Lula;
  • Zezé possui histórico recente de manifestações políticas críticas ao presidente e ao ministro Alexandre de Moraes;
  • internautas interpretaram a forma de escrever a data como possível provocação política;
  • não há confirmação de que essa tenha sido a intenção da organização ou do cantor.

Uma soma simples, uma leitura política

O episódio mostra como, em um ambiente eleitoral, até uma escolha aparentemente banal de design pode adquirir significado político.

“12+1” é apenas outra maneira de escrever 13. No entanto, quando a apresentação envolve um artista com posicionamentos políticos conhecidos, ocorre em uma cidade de forte presença conservadora e está marcada para um ano eleitoral, a escolha passa a ser interpretada pelas redes sociais para além da matemática.

A controvérsia, portanto, não está na data — que continua sendo 13 de novembro —, mas no significado que diferentes públicos atribuíram à maneira como ela foi apresentada.

Até que a Aê Eventos ou o próprio Zezé Di Camargo esclareçam a razão da escolha, qualquer conclusão sobre uma suposta intenção política permanece no campo da especulação.

O fato concreto é que uma apresentação anunciada para 13 de novembro, em Rio Verde, acabou sendo divulgada como “12+1”, e a pequena alteração gráfica foi suficiente para transformar o cartaz de um show sertanejo em mais um episódio da intensa mistura entre entretenimento, redes sociais e política brasileira em 2026.

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