Terremoto na Colômbia deixa 265 mortos e quase 500 desaparecidos; buscas entram em fase decisiva após 72 horas

Terremoto na Colômbia deixa 265 mortos e quase 500 desaparecidos; buscas entram em fase decisiva após 72 horas

Tremor de magnitude 7,4 atingiu o oeste do país na segunda-feira; mais de 3,5 mil pessoas ficaram feridas, milhares de casas foram destruídas e equipes ainda procuram sobreviventes entre os escombros

A Colômbia entrou nesta quinta-feira (13) em uma das etapas mais dramáticas da operação de resgate após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste do país na segunda-feira (10). O número de mortos chegou a 265, enquanto aproximadamente 500 pessoas continuam desaparecidas e mais de 3.500 ficaram feridas.

As primeiras 72 horas após um grande terremoto são consideradas especialmente importantes para a localização de pessoas presas sob estruturas destruídas. Esse período terminou nesta quinta-feira, mas as equipes de emergência continuam trabalhando em Cali, Pereira e outras cidades atingidas, numa tentativa de encontrar sobreviventes.

O balanço, entretanto, ainda não é definitivo. À medida que bombeiros, militares, policiais, equipes médicas e voluntários conseguem acessar áreas destruídas, novos mortos e desaparecidos podem ser identificados.

Resgates na Colômbia entram em fase final, e balanço de mortos em terremoto sobe para 265

Colombia earthquake search for survivors enters "final phase"

Colombia earthquake: Rescue operation enters 'final phase'

O terremoto que transformou cidades em áreas de escombros

O terremoto ocorreu na segunda-feira e teve magnitude 7,4, com epicentro em San José del Palmar, no departamento de Chocó, no oeste colombiano.

O abalo provocou destruição em diferentes municípios e foi sentido em uma extensa área do país. Os dados mais recentes apontam que dezenas de prédios e milhares de residências foram destruídos ou danificados.

Em Cali, uma das cidades mais afetadas, mais de 20 edifícios desabaram, segundo os levantamentos divulgados após o terremoto.

A violência do tremor transformou ruas e bairros inteiros em cenários de destruição. Prédios que permaneciam de pé passaram a representar risco de novos desabamentos, enquanto moradores precisaram deixar suas casas por medo de réplicas.

Os números apresentados pelo governo indicam 61 prédios e cerca de 1.300 casas colapsados ou danificados, enquanto outros levantamentos apontam que mais de 11 mil moradias foram destruídas em diferentes áreas atingidas.

A diferença entre os números reflete a própria dificuldade de dimensionar a tragédia enquanto as equipes ainda conseguem chegar a regiões afetadas.

Quase 500 pessoas continuam desaparecidas

O dado que mais mantém a tensão entre familiares e equipes de resgate é o número de desaparecidos.

Quase 500 pessoas ainda não foram localizadas.

Para os familiares, cada hora representa uma mistura de esperança e medo.

Em Cali, pessoas continuam procurando parentes que não retornaram para casa depois do terremoto. Alguns familiares receberam informações preliminares sobre possíveis locais onde seus parentes poderiam estar, mas aguardam a confirmação das equipes.

A estudante Valeria Cardona, de 26 anos, é uma dessas pessoas. Ela procura dois primos e afirmou que existem suspeitas sobre onde eles podem estar, mas até o momento não havia sinais de vida.

A angústia das famílias se mistura ao silêncio exigido pelos próprios socorristas.

Em alguns pontos dos escombros, as equipes precisam interromper máquinas e pedir silêncio absoluto para tentar identificar possíveis pedidos de socorro ou ruídos vindos do interior das estruturas.

A corrida contra o relógio

O fim das primeiras 72 horas não significa que as buscas acabaram.

Significa, porém, que a operação entrou em uma fase ainda mais difícil.

Os socorristas precisam avaliar cuidadosamente cada estrutura antes de entrar ou retirar grandes blocos de concreto. Uma movimentação errada pode provocar novos desabamentos e colocar em risco tanto sobreviventes quanto os próprios profissionais.

Em Cali e Pereira, equipes utilizam cães farejadores, equipamentos de detecção, guindastes e máquinas pesadas.

A operação também depende da abertura de espaços entre toneladas de concreto e ferragens.

Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, há pelo menos um caso em Pereira que ainda alimenta a esperança dos socorristas: equipamentos teriam detectado sinais que podem indicar a presença de uma pessoa sob os escombros de uma padaria.

O drama de Pereira

Pereira está entre os municípios onde a esperança ainda permanece viva.

Em meio à destruição, familiares e voluntários acompanham de perto as operações de busca.

A cidade também se tornou símbolo da resistência dos moradores, que passaram a ajudar na distribuição de alimentos, água e outros itens essenciais.

Muitas pessoas continuam dormindo fora de suas casas, seja porque perderam suas residências, seja por medo de novos tremores.

A situação é especialmente delicada para idosos, crianças e pessoas que necessitam de atendimento médico contínuo.

Quibdó concentra esforços no atendimento às vítimas

No departamento de Chocó, Quibdó, a capital regional, registrou pelo menos 14 mortes.

Segundo a governadora Nubia Córdoba, a operação de busca por pessoas desaparecidas em determinada área já foi encerrada e os esforços passaram para a etapa de atendimento às vítimas.

A mudança de estratégia revela uma realidade comum em grandes desastres: depois da fase inicial de busca e salvamento, as autoridades precisam rapidamente organizar abrigos, alimentação, atendimento médico, água potável e apoio psicológico.

A prioridade passa a ser impedir que a tragédia inicial provoque uma segunda crise, desta vez humanitária e sanitária.

Mais de 3.500 feridos

O número de feridos ultrapassou 3.500 pessoas.

Hospitais e unidades de saúde das regiões afetadas foram mobilizados para receber vítimas com diferentes níveis de gravidade.

Alguns pacientes apresentam ferimentos provocados diretamente pelo desabamento de estruturas, enquanto outros foram atingidos por destroços, quedas ou objetos que se desprenderam durante o tremor.

A destruição da infraestrutura também dificulta o atendimento.

Em determinadas áreas, estradas foram afetadas e o acesso das equipes de emergência tornou-se mais complicado.

Mais de 11 mil moradias destruídas

A dimensão da tragédia pode ser medida também pelo número de famílias que perderam suas casas.

Segundo os dados mais recentes reunidos pela imprensa, mais de 11 mil moradias foram destruídas.

Outro balanço aponta 9.215 casas destruídas e 140 edifícios que desabaram.

Milhares de colombianos passaram a depender de abrigos improvisados e da ajuda de familiares, vizinhos e organizações de assistência.

Em várias localidades, moradores também permanecem ao ar livre porque temem voltar para dentro das residências.

Três dias de luto e emergência econômica

O presidente Abelardo de la Espriella, que havia assumido o cargo apenas três dias antes do terremoto, declarou estado de emergência econômica.

A medida permite ao governo adotar providências extraordinárias para enfrentar as consequências do desastre.

De la Espriella também decretou três dias de luto nacional e anunciou a criação de um fundo para receber ajuda internacional destinada às vítimas.

O presidente reconheceu que o terremoto ocorre em um momento particularmente difícil para as contas públicas colombianas.

A emergência econômica deverá permitir ao governo direcionar recursos com maior rapidez para as áreas afetadas e iniciar os trabalhos de reconstrução.

A chegada dos “Topos” mexicanos

A solidariedade internacional também começou a aparecer no cenário da tragédia.

Um grupo dos Topos Aztecas, conhecidos socorristas mexicanos especializados em resgates após terremotos, chegou à Colômbia para ajudar nas buscas.

Os profissionais estavam na Venezuela, onde haviam passado 41 dias trabalhando depois de um terremoto que deixou milhares de mortos.

O presidente do grupo, Héctor Méndez, de 80 anos, afirmou que a experiência enfrentada na Venezuela fortaleceu os socorristas.

Agora, eles enfrentam outro cenário de destruição.

A presença dos mexicanos acrescenta experiência especializada às equipes colombianas justamente no momento em que as buscas entram em sua fase mais delicada.

A Colômbia tenta reconstruir enquanto procura sobreviventes

O terremoto criou uma situação paradoxal para o governo colombiano.

Enquanto ainda existem pessoas que podem estar vivas sob os escombros, milhares de outras já precisam de abrigo, comida, água e atendimento médico.

É preciso, simultaneamente, procurar sobreviventes, identificar mortos, cuidar dos feridos, retirar famílias de áreas de risco e reconstruir casas e infraestrutura.

E tudo isso ocorre enquanto o governo recém-empossado enfrenta uma situação fiscal delicada.

A magnitude da destruição significa que a reconstrução poderá levar meses ou até anos em algumas regiões.

O número de mortos ainda pode aumentar

Apesar de o balanço oficial ter chegado a 265 mortos, as autoridades trabalham com a possibilidade de que o número aumente.

Isso acontece porque quase 500 pessoas continuam desaparecidas e ainda existem áreas onde os trabalhos de busca não foram concluídos.

O balanço de vítimas de grandes terremotos costuma mudar durante dias ou semanas após o desastre, especialmente quando as equipes conseguem acessar prédios completamente destruídos.

Por isso, os 265 mortos representam o número oficialmente contabilizado até o momento, e não necessariamente o total definitivo da tragédia.

A esperança continua entre os escombros

Ao amanhecer desta quinta-feira, a Colômbia chegou ao fim das primeiras 72 horas — o período em que a possibilidade de encontrar sobreviventes costuma ser considerada mais favorável.

Mas os socorristas não abandonaram as buscas.

Em Cali, Pereira e outras localidades, máquinas continuam removendo concreto, cães farejadores percorrem os escombros e equipes especializadas tentam identificar qualquer sinal de vida.

Para quem está diante de uma casa destruída procurando um filho, pai, mãe, irmão ou amigo, a matemática das 72 horas pouco significa.

Enquanto houver alguém desaparecido, a busca continua.

E, entre toneladas de concreto, poeira e estruturas retorcidas, a Colômbia ainda procura aquilo que, para milhares de famílias, é a única notícia que importa: um sobrevivente encontrado com vida.

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