Terremotos na Venezuela: número de mortos sobe para 920 enquanto mais de 50 mil pessoas seguem desaparecidas

Terremotos na Venezuela: número de mortos sobe para 920 enquanto mais de 50 mil pessoas seguem desaparecidas

Tragédia provoca corrida contra o tempo nos escombros; governo confirma quase 3 mil feridos, dois brasileiros estão entre as vítimas e equipes internacionais reforçam as operações de resgate

A Venezuela enfrenta uma das maiores tragédias naturais de sua história recente. O número de mortos provocados pelos dois fortes terremotos que atingiram o país na quarta-feira (24) subiu para 920, enquanto mais de 50 mil pessoas continuam desaparecidas, segundo informações divulgadas pelas autoridades venezuelanas e por representantes da Organização das Nações Unidas (ONU).

Os tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram com menos de um minuto de diferença e tiveram o epicentro no estado de Yaracuy. A força dos abalos sísmicos provocou o desabamento de edifícios, destruiu bairros inteiros e deixou milhares de famílias sem moradia.

Segundo o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, além das 920 mortes já confirmadas, quase 3 mil pessoas ficaram feridas. As autoridades também contabilizam mais de 250 edifícios destruídos ou gravemente danificados, principalmente nas regiões próximas à capital Caracas e no estado costeiro de La Guaira, um dos locais mais castigados pela tragédia.

O chefe do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, Tom Fletcher, classificou a situação como uma das mais complexas dos últimos anos. Segundo ele, as equipes de resgate enfrentam uma corrida contra o tempo para localizar sobreviventes sob toneladas de concreto.

“Há mais de 50 mil pessoas desaparecidas. Encontrar sobreviventes entre os escombros é uma tarefa colossal”, afirmou Fletcher.

Especialistas alertam que o número de vítimas fatais ainda pode aumentar significativamente à medida que novas áreas sejam alcançadas pelas equipes de busca.

Dois brasileiros estão entre as vítimas

A tragédia também atingiu brasileiros. O governo confirmou a morte de duas pessoas do Brasil, sendo que uma delas já foi identificada como Vanessa Zacarias da Silva, de 44 anos, moradora do Gama, no Distrito Federal. As autoridades seguem trabalhando para confirmar oficialmente a identidade da segunda vítima.

Enquanto isso, familiares continuam procurando informações sobre desaparecidos em hospitais, centros de acolhimento e listas divulgadas pelas autoridades.

Brasil envia ajuda humanitária

Diante da dimensão da catástrofe, o governo brasileiro mobilizou uma operação de apoio humanitário. Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) decolou da Base Aérea de Guarulhos transportando aproximadamente 12 toneladas de medicamentos, alimentos, equipamentos e materiais de emergência destinados às áreas afetadas.

Diversos países também anunciaram o envio de especialistas em resgate, médicos, cães farejadores e equipes de apoio para auxiliar nas buscas por sobreviventes.

População enfrenta cenário de destruição

Nas cidades mais atingidas, moradores relatam falta de energia elétrica, interrupção no abastecimento de água, dificuldades de comunicação e escassez de alimentos. Imagens registradas após os tremores mostram prédios reduzidos a montes de concreto, ruas bloqueadas por destroços e centenas de pessoas aguardando notícias de familiares desaparecidos.

Com milhares de pessoas ainda sob risco e um número elevado de desaparecidos, as próximas horas serão decisivas para as operações de resgate. Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha com preocupação a evolução da maior tragédia sísmica registrada na Venezuela em mais de um século.

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