
Trump planeja operação militar no México contra cartéis, mas Sheinbaum reage: “Isso não vai acontecer”
Plano revelado pela NBC News prevê envio de tropas e agentes de inteligência americanos ao território mexicano, mas a presidente do México rejeita qualquer interferência estrangeira e defende uma estratégia de segurança baseada em justiça e desenvolvimento.
O governo de Donald Trump estaria preparando uma operação militar terrestre no México para atacar cartéis de drogas, segundo revelou a NBC News nesta terça-feira (4). O plano incluiria o envio de tropas, agentes da CIA e oficiais de inteligência para atuar em solo mexicano, com ataques de drones a laboratórios e líderes do narcotráfico.
A notícia acendeu um alerta imediato na Cidade do México. A presidente Claudia Sheinbaum reagiu com firmeza:
“Isso não vai acontecer. Não há nenhuma informação que indique isso, e, de qualquer forma, não concordamos com esse tipo de ação.”
Ela reafirmou que o México não aceitará operações unilaterais dos Estados Unidos em seu território e criticou qualquer tentativa de interferência em assuntos internos.
De acordo com a NBC, a operação ainda estaria em fase de planejamento e treinamento das tropas, sem previsão de início. Fontes ligadas ao governo americano afirmam que, diferentemente da ofensiva na Venezuela, a ação não teria como objetivo a troca de regime, mas sim atingir o poder dos cartéis.
Nos últimos meses, Trump vem adotando um tom de guerra contra o narcotráfico latino-americano. O republicano já ordenou ataques contra embarcações venezuelanas e chegou a chamar o presidente colombiano Gustavo Petro de “traficante de drogas”, impondo sanções econômicas ao país.
🇲🇽 Sheinbaum responde com plano de paz em Michoacán
Enquanto rejeitava a ideia de tropas americanas cruzando a fronteira, Sheinbaum anunciou um novo plano de segurança para o estado de Michoacán, uma das regiões mais afetadas pela violência do narcotráfico.
O projeto, batizado de “Plano Michoacán pela Paz e Justiça”, busca reduzir os conflitos sem recorrer à guerra.
“A segurança não se conquista com mais violência, mas com justiça, desenvolvimento e respeito à vida”, afirmou a presidente.
O programa prevê reforço policial, ações de inteligência e programas sociais, com foco em educação e esportes, além de consultas às comunidades locais.
A decisão vem após o assassinato do prefeito de Uruapan, Carlos Manzo, conhecido por sua postura rígida contra os cartéis — e apelidado de “Bukele mexicano”. Sua morte gerou protestos e novos confrontos no estado.
Enquanto Trump promete guerra, Sheinbaum aposta na reconstrução interna e na defesa da soberania mexicana. A tensão entre os dois governos expõe, mais uma vez, a velha ferida da relação entre os Estados Unidos e o México — uma linha tênue entre a cooperação e a ingerência.