
Trump recua em demissão do chefe do Fed, mas volta a disparar críticas
Presidente dos EUA nega que vá tirar Powell do comando do Banco Central, mas insinua que a troca pode acontecer até o fim do mandato
Em mais um capítulo de sua relação conturbada com o presidente do Federal Reserve, Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (15) que não está planejando nenhuma demissão, contrariando rumores que circularam pela imprensa americana. “Essas matérias não são verdadeiras”, disparou o presidente ao ser questionado sobre uma possível saída de Jerome Powell do comando do banco central dos EUA.
Apesar da negativa, Trump não poupou críticas ao dirigente. Em conversa no Salão Oval com o príncipe herdeiro do Bahrein, Salman bin Hamad bin Isa al-Khalifa, o presidente americano acusou Powell de estar “sempre atrasado” nas decisões econômicas. “Ele devia ter reduzido os juros há muito tempo”, afirmou. Segundo Trump, o presidente do Fed teria cortado os juros para favorecer os democratas, chamando sua gestão de “terrível” e afirmando que os EUA “já perderam muitos dólares por causa dele”.
Indagado sobre a possibilidade de substituí-lo, Trump disse que “Powell pode sair por fraude”, e sugeriu, sem dar detalhes, que ele já estaria sendo investigado. “A menos que haja fraude na reforma, não vamos demiti-lo”, disse, mantendo um tom dúbio.
Trump comentou ainda que tem discutido o tema com aliados do Partido Republicano e que muitos gostaram da ideia de uma mudança no comando do Fed. “Sou mais cauteloso que muitos republicanos sobre isso, mas eles aprovaram”, revelou.
Entre os possíveis nomes para ocupar o lugar de Powell, Trump citou Kevin Hassett, ex-assessor econômico da Casa Branca. “Hassett pode ser ótimo, é um nome que estamos considerando”, comentou. Sobre o atual secretário do Tesouro, Scott Bessent, limitou-se a dizer: “Ele está fazendo um bom trabalho”.
A fala de Trump, como de costume, mistura negação, ameaça e especulação. Tudo indica que, mesmo que Powell permaneça no cargo por enquanto, sua permanência está longe de ser segura — especialmente com a eleição americana no horizonte.