Volkswagen anuncia plano para reduzir custos em R$ 64 bilhões e avalia fechamento de quatro fábricas na Europa

Volkswagen anuncia plano para reduzir custos em R$ 64 bilhões e avalia fechamento de quatro fábricas na Europa

Grupo alemão pretende cortar 20% das despesas operacionais; reestruturação pode resultar em até 100 mil demissões, segundo projeções apresentadas pelo CEO Oliver Blume

Berlim — O Grupo Volkswagen apresentou um amplo plano de reestruturação destinado a reduzir em 20% seus custos operacionais, com a meta de economizar 11 bilhões de euros, o equivalente a aproximadamente R$ 64 bilhões. A estratégia poderá resultar no fechamento de quatro fábricas e na eliminação de até 100 mil postos de trabalho em diferentes operações da companhia ao redor do mundo.

Os detalhes foram apresentados pelo presidente do grupo, Oliver Blume, durante uma entrevista interna divulgada pelo jornal econômico alemão Handelsblatt, com base em informações inicialmente reveladas pela revista Der Spiegel. Foi a primeira vez que o executivo confirmou publicamente a dimensão da reestruturação que vinha sendo discutida internamente desde o início das negociações com representantes dos trabalhadores.

Segundo Blume, a iniciativa busca garantir a sustentabilidade financeira da maior montadora da Europa diante dos desafios enfrentados pela indústria automobilística mundial, marcada pela transição para veículos elétricos, pelo aumento da concorrência internacional e pela necessidade de elevar a eficiência operacional.

Apesar da dimensão das medidas, a empresa informou que as operações da Volkswagen no Brasil não serão afetadas pelo plano atualmente em discussão.

Meta é economizar 11 bilhões de euros

O programa de reestruturação estabelece objetivos financeiros ambiciosos para os próximos anos.

Entre as principais metas anunciadas estão:

  • redução de 20% dos custos operacionais do grupo;
  • economia total de 11 bilhões de euros (cerca de R$ 64 bilhões);
  • possibilidade de fechamento de quatro unidades industriais;
  • redução de até 100 mil empregos em diversas regiões onde a companhia atua;
  • revisão das despesas administrativas e dos custos com pessoal.

De acordo com a direção da montadora, aproximadamente metade das despesas gerais da Volkswagen está relacionada aos custos com funcionários, tornando esse um dos principais focos da reorganização.

Primeira estimativa previa 50 mil vagas

Durante a entrevista, Oliver Blume explicou que os cálculos iniciais indicavam uma redução de aproximadamente 50 mil postos de trabalho caso apenas as despesas administrativas fossem consideradas.

“Das economias planejadas nos custos gerais resulta uma dedução teórica, sem alteração nos custos trabalhistas, de cerca de 50 mil postos de trabalho em todo o mundo”, afirmou o executivo.

Segundo ele, essa projeção representa apenas uma etapa da reestruturação. Dependendo dos resultados obtidos por cada divisão da empresa, o número total de cortes poderá chegar a 100 mil empregos.

Além da Volkswagen, a Porsche, marca pertencente ao grupo, também prepara uma redução de aproximadamente 5 mil vagas.

Futuro das fábricas dependerá das negociações

O CEO ressaltou que o fechamento das unidades industriais e a quantidade de empregos afetados ainda dependerão das negociações conduzidas com sindicatos e das metas alcançadas por cada marca do grupo.

Segundo Blume, cada empresa pertencente ao conglomerado terá de apresentar seu próprio plano de redução de despesas.

“O corte real de vagas depende de quais economias as marcas individuais, empresas e regiões alcançarem, e em que medida os custos trabalhistas por funcionário puderem ser reduzidos”, explicou.

Dessa forma, o impacto final poderá variar conforme as negociações trabalhistas e a realidade econômica de cada país onde a Volkswagen mantém operações.

Reestruturação será conduzida por regiões

A empresa informou que a implementação das medidas levará em consideração as particularidades de cada mercado.

Entre os fatores que serão analisados estão:

  • desempenho financeiro de cada divisão;
  • custos de produção;
  • despesas com mão de obra;
  • contratos coletivos de trabalho;
  • necessidade de reorganização industrial;
  • capacidade de negociação com representantes dos trabalhadores.

A expectativa da direção é reduzir despesas sem comprometer a competitividade global do grupo.

Brasil permanece fora das medidas

Segundo as informações apresentadas pela empresa, o plano de reestruturação concentra-se principalmente nas operações europeias.

A Volkswagen destacou que não há previsão de fechamento de fábricas ou redução de empregos nas unidades brasileiras dentro do programa atualmente anunciado.

O foco das medidas está voltado às operações consideradas mais pressionadas pelos elevados custos de produção na Europa e pela necessidade de adaptação às mudanças do mercado automotivo internacional.

Desafio para a maior montadora da Europa

A reestruturação representa uma das maiores revisões operacionais da história recente da Volkswagen.

O grupo busca reduzir despesas, preservar sua competitividade e ampliar a capacidade de investimento em novas tecnologias, especialmente na eletrificação da frota, digitalização de veículos e desenvolvimento de soluções voltadas à mobilidade do futuro.

As negociações com representantes dos trabalhadores deverão continuar nas próximas semanas, quando serão definidos os detalhes sobre eventuais fechamentos de fábricas, programas de desligamento e medidas destinadas à reorganização das operações globais da companhia.

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